Supersalários: Judiciário brasileiro é um dos mais caros do mundo
90% dos juízes brasileiros ganharam mais de 606,6 mil reais no ano passado. Há 19,9 mil juízes e 8,4 mil procuradores no grupo do 1% mais rico da população
O Judiciário brasileiro é dos mais caros do mundo, mostra pesquisa das organizações não governamentais República.org e Movimento Pessoas à Frente sobre salários pagos no setor público no Brasil em comparação com dez países (Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido).
Nove em cada dez juízes brasileiros ganharam mais de 606,6 mil reais no ano passado, patamar de remuneração 22 vezes superior à renda média nacional.
Cerca de 16,8 mil juízes, ou seja, 70% dos magistrados do Brasil, ganharam no ano passado remunerações líquidas (já descontados impostos) superiores ao valor total bruto recebido pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça de Portugal.
Para quase 9 mil juízes, ou 37,8% dos magistrados nacionais, a remuneração líquida em 2024 superou o salário bruto do presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos.
A análise de mais de folhas salariais do setor público demonstrou que, no Brasil, 4.586 juízes receberam mais de 1,2 milhão de reais no ano passado. O número de beneficiários nesse segmento quase dobrou nos últimos 12 meses, para 7.920 juízes.
Os supersalários empurraram a maior parte da magistratura e da advocacia pública para o topo da elite brasileira: 19.933 juízes e 8.446 integrantes do Ministério Público já estão no grupo do 1% mais rico da população. O governo federal participa com 10.256 servidores, sendo 7.589 (74%) integrantes das carreiras de advogado da União.
Os gastos com supersalários no setor público federal ultrapassaram 20 bilhões de reais nos últimos 12 meses. Até agora, a elite do funcionalismo, que é beneficiária, tem conseguido obstruir o debate legislativo sobre os seus privilégios na remuneração.
O impasse persiste no Congresso. Um projeto para acabar com os supersalários foi aprovado na Câmara pelo então deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), mas está parado no Senado desde 2022.





