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Informação e análise

Fiasco da oposição rachada nas ruas deu fôlego a Bolsonaro

Para o candidato à reeleição foi uma dádiva. Opositores juntaram nas ruas de 18 capitais menos gente do que ele tem de seguidores numa única rede social

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 set 2021, 08h00
Fiasco da oposição rachada nas ruas deu fôlego a Bolsonaro Priorizar nos meus resultados Google

A oposição deu um presente a Jair Bolsonaro, ontem. Desunida, juntou nas ruas de 18 capitais menos gente do que ele tem numa única rede social.

Para ele, foi uma dádiva. Havia começado a semana enlevado no delírio de uma guerra com o Supremo Tribunal Federal. Caiu na real em menos de 24 horas. Ao perceber o mandato na linha de tiro, assinou a rendição.

Opositores de todas as tendências estavam diante de um candidato à reeleição em 2022 aprisionado no próprio tumulto, em pleno derretimento nas pesquisas de intenção de voto — com taxa de rejeição acima de 50%. Viam um presidente arrastado pela inflação de dois dígitos, persistente na corrosão do bolso dos pobres, que compõem 80% do eleitorado, numa economia combalida e estagnada.

Mesmo num cenário como esse, a oposição não conseguiu apresentar unida numa frente política, como previsto. Acabou dando fôlego a Bolsonaro.

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Aliados de Bolsonaro ironizaram as consequências da divisão oposicionista — (Reprodução/VEJA)

Os dissidentes das manifestações contra o governo perderam tempo entretidos num acerto de contas sobre o passado dos líderes e partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

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Com esse pretexto, o maior partido oposicionista, o PT, optou pela omissão no domingo. E, num toque de sarcasmo, fechou o dia expondo na rede videos do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad estrelando manifestações muito mais recheadas de público. Haddad, registra a História, emulou Lula na disputa de 2018 e saiu das urnas derrotado por Bolsonaro.

Lula hoje lidera as pesquisas, com larga vantagem sobre Bolsonaro. Mas, também, carrega uma expressiva taxa de rejeição, acima de 40%.

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É legítimo que Lula e o PT sonhem com Bolsonaro como o adversário ideal para 2022 e apostem na adesão por gravidade de toda a oposição numa frente, sob hegemonia da liderança petista.

Costuma ser a lógica dos times que se julgam com a mão na taça de campeão, por antecipação. Mas nela ficam de fora três detalhes relevantes:

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1) Faltam 14 meses para a eleição, uma eternidade em política;

2) Pelas pesquisas, quem quiser vencer amanhã vai precisar conquistar votos na massa de eleitores que hoje dizem rejeitar Bolsonaro e relutam sobre Lula;

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3) Bolsonaro é presidente, o governo tem máquina e orçamento, e, em política, não se morre de uma única vez. A chance de ressurreição é permanente.

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