Ano eleitoral vai começar com taxa de juros das mais altas do mundo
Dizer que juros são a única coisa errada na economia brasileira, como Lula e parte do PT têm repetido, é subestimar os eleitores
A taxa oficial de juros (Selic) está estacionada no patamar mais alto dos últimos vinte anos. Vai continuar recorde (15%) ao menos até o início do ano eleitoral, prevê o Banco Central.
É uma das maiores do mundo. Faz o Brasil reluzir no grupo da Turquia, Argentina e Rússia. Turcos, argentinos e russos enfrentam gravíssima crise econômica — no caso da Rússia, a situação é ainda mais complexa por causa das sequelas catastróficas da guerra contra a Ucrânia.
Os brasileiros estão pagando juros recordes há longo tempo. Isso inferniza a vida das famílias mais pobres, maioria no eleitorado. Endividadas, elas são cobradas a taxas muito mais elevadas que a oficial (15%) no crediário, no cartão de crédito e no cheque especial.
Em nota pública nesta quarta-feira (10/12), o Banco Central advertiu: a política de juro recorde deverá continuar, não há previsão de interrupção. Uma das características dos bancos centrais é o culto ao enigma.
Uma das justificativas do BC brasileiro para os juros recordes é a persistência da inflação alta. Outra, menos verbalizada pela diretoria da instituição, é o fato de o governo gastar mais do que pode ou prevê o orçamento e, em consequência, paga juros cada vez mais altos para cobrir suas necessidades financeiras. A dívida pública crescente tem reflexos na inflação.
Dizer que juros são a única coisa errada na economia brasileira, como Lula e parte do PT têm repetido, é subestimar os eleitores. Há mais de um ano, em diferentes pesquisas, o eleitorado insiste em avisar ao governo que o país avança na direção errada.





