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Educação em evidência

Por João Batista Oliveira Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O que as evidências mostram sobre o que funciona de fato na área de Educação? O autor conta com a participação dos leitores para enriquecer esse debate.

A reforma do ensino médio

Em qualquer país sério, a opinião de estudiosos do tema seria levada em conta no debate sobre a reforma dessa etapa do ensino básico. Não é o nosso caso.

Por João Batista Oliveira 4 abr 2018, 11h12 | Atualizado em 4 abr 2018, 11h23
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O governo comemora com pompa e circunstância a entrega das diretrizes curriculares para o ensino médio. A grande maioria das ONGs aplaude efusivamente, reiterando seu compromisso com a iniciativa. A imprensa até aqui parece que só conseguiu identificar e ouvir os que compartilham dessa euforia. O silêncio oficial do setor produtivo – que deveria ser um protagonista fundamental nessa história – é inquietante, pois essa reforma deveria resgatar e ampliar o ensino médio técnico.

Há várias formas de avaliar o êxito de qualquer proposta de reforma educativa – seja ela específica, como um método de alfabetização, ou ampla, como, por exemplo, um currículo. O critério é: se ela chega de fato à sala de aula e, chegando lá, se impacta positivamente o resultado. No caso da alfabetização, é algo que se mede em poucos meses: escreveu, não leu, o pau comeu.

No caso do ensino médio, o “resultado” envolve várias coisas diferentes para pessoas diferentes, como a conclusão de um ciclo, a obtenção de uma habilitação profissional ou a chance de êxito em um curso superior. No Brasil, o simples fato de concluir o ensino médio já é um feito a ser comemorado. Mas isso é algo que se mede em um espaço de tempo que leva alguns anos. Neste momento, não dá para saber. O futuro dirá.

Que outros critérios poderíamos usar para prever a chance de sucesso dessa nova iniciativa?

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A forma mais imediata seria perguntar: como é o ensino médio nos países onde a educação tem dado bons resultados para os indivíduos e para a sociedade? A resposta é unívoca: nenhum país tem nada parecido com o que está sendo proposto. O próximo passo, nessa linha de indagação, seria indagar se o MEC tem credibilidade para propor algo tão original, tão diferente do resto do mundo e tão parecido com uma jabuticaba. Nessa vertente, a resposta mais sensata sugere que há pouca chance de sucesso nessa nova iniciativa do MEC.

O Brasil tem alguns poucos e iminentes estudiosos do tema – pessoas que conhecem a questão a fundo. Cito dois deles por se destacarem de longe na questão e serem reconhecidos internacionalmente: Claudio de Moura Castro e Simon Schwartzman.  Em qualquer país sério, a opinião deles seria levada em conta. Aqui não. Comemorar o que?

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