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Coluna da Lucilia

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Navegador dos sete mares

A riqueza da água de coco

Por Lucilia Diniz
12 fev 2026, 17h13 •
  • É difícil pensar em uma bebida que tenha mais a cara do verão brasileiro do que a água de coco. Seja pelos coqueirais que enfeitam as areias nordestinas, seja pelos carrinhos e quiosques espalhados por parques das capitais e calçadões litorâneos, o coco verde é associado às férias e ao descanso no nosso país. Nos próximos dias, de folia intensa, muitos vão se lembrar dele na hora da sede. E, no entanto, o coco não é brasileiro.

    Não se sabe exatamente onde ele surgiu primeiro, mas acredita-se que tenha sido em algum ponto entre o Sudeste Asiático e as ilhas do Pacífico. É difícil dizer com precisão onde foi que sua viagem começou, pois ele se espalhou rapidamente graças a uma característica peculiar: seus frutos flutuam, resistem ao sal e conseguem germinar depois de longas travessias pelo mar.

    Isso não se dá apenas pela embalagem natural perfeita, feita de fibras resistentes, mas graças ao segredo que ela leva dentro: a água que ocupa quase todo o interior do coco jovem. Durante semanas, o coqueiro em formação pode viver somente desse reservatório vivo, rico em minerais e açúcares, se sustentando sozinho até chegar a terra firme e alcançar o solo e a luz para crescer.

    Foi assim que o coco se espalhou por toda a faixa tropical do globo, cruzando oceanos mesmo antes das caravelas. No nosso caso, porém, foi com elas que ele veio, trazido ainda no século 16 pelos portugueses. A costa quente e arenosa foi o território ideal para esse fruto se aclimatar tão bem que ganhou nacionalidade brasileira honorária.

    É verdade que, em todos os lugares onde o coco aportou, sua água passou a ser consumida. Em várias regiões do mundo, é uma bebida praiana, um refresco cotidiano, apreciado não só por matar a sede de forma eficiente como também pelo seu sabor naturalmente doce. No Brasil, porém, ela ganhou uma dimensão extra.

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    Por muito tempo, os brasileiros consumiram a água de coco “in natura”, na beira da praia. Até que, no fim do século 20, passou a ser embalada e ganhou circulação fora do litoral, espalhando-se pelos supermercados, na esteira do interesse crescente por alimentos saudáveis.

    Sem perder o vínculo com o calor e o verão, a água de coco deixava de ser um gosto ocasional para se afirmar como alternativa a refrigerantes e outras bebidas industrializadas. Mais do que em qualquer outro país, soubemos valorizar esse líquido precioso não só pela sua bem-vinda refrescância, mas por ser um verdadeiro isotônico natural, rico em potássio, sódio, magnésio e outros minerais.

    Não somos o maior produtor do coco como fruto no mundo, mas somos campeões na indústria da água. O estado do Ceará lidera internamente o cultivo do coco verde, colhido jovem, voltado para essa finalidade.

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    Continua sendo uma delícia chegar a uma banquinha e pedir para abrir um coco gelado. Mas é muito bom ter várias marcas no mercado, permitindo ter sempre à mão a bebida perfeita para se reidratar depois do treino (ou de uma festa), para oferecer a alguém indisposto ou apenas pelo prazer que ela nos dá. Pessoalmente, gosto de usá-la para sucos leves e deliciosos, como base para picolés lights com uva verde e até para uma canjica sem lactose.

    O coco pode ser um verdadeiro navegador dos sete mares. Mas ele – e sobretudo sua água – é coisa nossa.

     

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