🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!
Imagem Blog

Coluna da Lucilia

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Na dose certa

O copo saiu do centro da roda social

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 set 2026, 06h00
Na dose certa Priorizar nos meus resultados Google

Gosto de um bom brinde e, mais ainda, da companhia em torno da mesa. Não vejo sentido em transformar esse prazer em pecado ou trocar, por princípio, toda taça por água com gás. Foi sem espírito de patrulha, portanto, que li uma nova pesquisa do Gallup, divulgada pela revista Time: pelo segundo ano seguido, a parcela de americanos que dizem consumir álcool ficou em 54%. É o menor índice desde 1939. Talvez ainda houvesse espaço para mais diminuição, considerando o que sabemos hoje sobre os riscos da bebida. Mas a manutenção do dado indica que há uma tendência de mudança na maneira como vemos o álcool.

Por muito tempo, no copo não estava apenas a bebida, mas sim um salvo-conduto para relaxar, puxar conversa com um desconhecido, dançar sem vergonha e rir mais alto. “Vamos tomar alguma coisa” poderia significar “vamos ficar juntos mais um tempo”. Embora seja tentador, não me parece muito possível achar um só fator para a queda. É fato que os jovens cresceram mais atentos aos efeitos de beber para o sono, a saúde mental e o desempenho físico. Também encontram mais opções sem álcool e parecem menos dispostos a beber apenas porque “todo mundo” bebe. A percepção de risco mudou muito. Hoje, 51% dos americanos consideram prejudicial beber uma ou duas doses por dia. Em 2001, eram 27%. Há, também, as famosas canetas emagrecedoras. Como já comentei neste espaço, elas estão mudando não só a fome, mas a relação de muita gente com o desejo. Estudos iniciais indicam que isso pode incluir a vontade de beber.

“O problema começa quando se espera que a bebida fabrique alegria, coragem ou espontaneidade”

Por um ou por outro motivo, alternativas de socialização sem álcool vêm surgindo. Há festas à tarde, com café e chá, encontros para correr ou pedalar, bares para jogos de tabuleiro, clubes de leitura. Uma caminhada, uma aula de dança ou uma sessão de cinema também são maneiras de realizar o desejo de fazer algo em grupo.

Continua após a publicidade

Na Antiguidade, os gregos criaram uma instituição para isso: o simpósio. Nesse tipo de encontro, se lia poesia, se ouvia música e se bebia vinho. Mas havia regras: o vinho era diluído em água e era a conversa que conduzia a noite. Com o tempo, só o debate de ideias ficou associado ao termo original. Mas talvez estejamos recuperando essa moderação dos tempos antigos. Continuamos procurando lugares e pretextos para estar juntos, apenas com um repertório maior.

É claro que a mudança americana não é uma revolução universal nem anuncia um futuro sem bebida. Questões socioculturais definem hábitos duradouros, como tomar uma cerveja depois do futebol ou uma caipirinha na feijoada de sábado. No Brasil, algumas projeções indicam que o consumo de álcool pode até crescer nos próximos anos. O problema começa quando se espera que a bebida fabrique a alegria, a coragem ou a espontaneidade que não levamos conosco. Se precisamos de um drinque para conversar, dançar ou relaxar, talvez tenhamos delegado ao álcool coisas demais.

Continua após a publicidade

O vinho pode continuar sendo vinho, a cerveja pode acompanhar uma conversa entre amigos. Beber menos não precisa virar bandeira. Quem não bebe não tem de se justificar. Quem aprecia uma taça com moderação, tampouco. Um bom brinde continua valendo pelo encontro, e não pela quantidade servida.

Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$5,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).