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Por Lucilia Diniz
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A ervilha que virou bife

Qual o futuro dos alimentos como a carne e o leite de vegetais?

Por Lucilia Diniz
13 abr 2023, 16h00

Poucos lugares do mundo foram tão pródigos em exportar mudanças de comportamento quanto o Reino Unido, onde me encontro neste momento para participar de uma conferência. Da Revolução Industrial ao punk, passando pela minissaia de Mary Quant e pelos Beatles, modas e tendências surgiram na ilha para ganhar os continentes.

Por isso, chamou minha atenção a notícia de que empresas que investiram pesado em linhas de produtos “plant-based” estavam desistindo de vendê-los por aqui. Será que a onda da “comida de plantas” criada para substituir alimentos de origem animal teria prazo de validade?

Tão logo começou a surgir no Brasil uma última geração de “carnes” 100% vegetais, desenvolvidas para reproduzir o sabor e a textura dos cortes originais, cheguei a experimentar hambúrgueres, almôndegas e outros pratos. Embora a promessa fosse interessante, já então intuí que dificilmente esses produtos – que se multiplicaram em nuggets “de frango”, iscas “de peixe” e muitos mais – substituiriam de maneira plena os de origem animal. Fosse pelo sabor, fosse pelo preço, a novidade me parecia fadada a ser um nicho e, como tal, teria um limite de expansão e aceitação, como parece mostrar o caso britânico.

Além disso, tinha muitas dúvidas de que um sanduíche de proteína vegetal pudesse ser mais saudável do que um de carne. Afinal, quantos aditivos não seriam necessários para fazer uma ervilha se aproximar de um filé? De fato, uma análise da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, a Proteste, mostrou que o hambúrguer vegetal não é necessariamente melhor para a saúde do que o de origem animal. Em termos de calorias e gordura, são até bem semelhantes.

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O leite de vaca também inspirou muitas substituições nesses últimos anos. Nos Estados Unidos, onde tradicionalmente sempre foi muito consumido, tem sido deixado de lado pelos membros da chamada geração Z. Jovens nascidos entre 1995 e 2010 consumiram 20% menos leite do que a média nacional no ano passado, e agora os produtores têm impulsionado campanhas associando-o ao bom desempenho esportivo e comparando suas qualidades nutricionais às bebidas de aveia, soja ou amêndoas, preferidas pelos jovens americanos de hoje, que cresceram acreditando que essas seriam substitutas mais saudáveis e com menos gordura.

Ao longo da história, alimentos como o ovo e a carne suína se viram vilanizados e reabilitados. O glúten é outro frequentemente apontado como nocivo.

É certo que a preocupação dos jovens de hoje com a sustentabilidade e a proteção animal pode amparar o apelo e o crescimento que o segmento “plant based” teve até hoje. Acredito, no entanto, que a atenção que a sociedade dedica a essas questões urgentes deverá inspirar outras soluções. Penso, por exemplo, na melhora nutricional das rações, que poderia aumentar a qualidade de vida dos animais e diminuir a emissão de gases de efeito estufa produzidos pelos rebanhos. Ou mesmo no cultivo de proteína animal em laboratório. Avanços nesse sentido são bem-vindos, desde que não se anule a identidade de vegetais, tentando transformá-los em algo que não são. Parafraseando o conhecido poema de Gertrude Stein, uma planta é uma planta é uma planta.

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