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Claudio Lottenberg

Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente institucional do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein
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Covid-19 joga expectativa de vida dos brasileiros 10 anos no passado

Novo estudo revela consequência do combate ao vírus no Brasil

Por Claudio Lottenberg
5 jul 2021, 15h23

Um novo estudo revela mais outra consequência do turbulento combate à Covid-19 no Brasil: a expectativa de vida para os brasileiros nascidos hoje caiu 1,8 ano – de 76,7 anos para 74,9 anos. O país está de volta aos níveis de expectativa de vida que tinha em 2012 – num retrocesso de praticamente uma década. O dado é alarmante, como são os já conhecidos: mais de 500 mil óbitos, mais de 18 milhões de casos confirmados, UTIs com mais de 90% da capacidade ocupada, imunização (seja com duas doses, seja com dose única) da população rondando ainda os 17% após mais de 5 meses de campanha.

O estudo foi coordenado pela demógrafa Marcia Castro, do Departamento de Saúde e População Globais, da Universidade Harvard, e publicado na revista especializada Nature Medicine. A conclusão dos pesquisadores é sucinta e dolorosa: “O número de mortos pela covid-19 no Brasil foi catastrófico. Os ganhos estaduais em longevidade alcançados ao longo de anos ou mesmo décadas foram revertidos pela pandemia”. Segundo o levantamento, o combate à doença é marcado pela “falta de uma resposta coordenada, rápida e equitativa informada pela ciência, bem como a promoção da desinformação”.

Não falta ao Brasil um sistema de saúde universal – de fato, temos o SUS (Sistema Único de Saúde), que é público e é o maior do tipo para países de mesmo patamar de desenvolvimento. Tampouco falta excelência em programas de vacinação – no que o Brasil sempre foi referência mundial. O que falta, diz o estudo, é “o compromisso da liderança com salvar vidas”.

O Brasil não foi o único país a sofrer esse retrocesso. Nos Estados Unidos, houve uma queda de 1,13 ano na expectativa de vida para os nascidos em 2020, para 77,48 anos – a mais baixa desde 2003, num número ainda pior que o do Brasil. Mas, mesmo tendo começado em 14 de dezembro de 2020 (quando já havia cerca de 300 mil óbitos no país), a vacinação nos EUA disparou, e hoje quase 48% da população já foi completamente imunizada.

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O estudo lembra que entre 1945 e 2020 a expectativa de vida no Brasil ao nascer passou de 45,5 anos para 76,7 anos – um aumento, em média, de cerca de 5 meses por ano. O retrocesso, após ter registrado essa progressão, mostra o quanto a luta contra o coronavírus custou ao Brasil. Também há que se lembrar dos inúmeros casos da chamada “covid longa”, de pessoas que ficaram com sequelas de diversas ordens, e os casos de pessoas com doenças crônicas cujos tratamentos foram prejudicados. Tudo isso também impacta na qualidade e expectativa de vida dos brasileiros.

Temos pela frente o desafio de fazer acelerar a vacinação, que é o que abrirá o caminho para a retomada econômica com plena força. Enquanto persistirem as incertezas sobre o ritmo da imunização, isso não será possível – e o país precisa voltar a crescer, para tirar famílias do desemprego e da situação crítica em que se encontram. Um ponto fundamental para a vacinação avançar é enfrentar práticas como a da escolha de vacina (para o quê não há amparo científico algum) e de questionar as medidas de proteção (máscaras, higienização das mãos e distanciamento social), mesmo após todas as evidências de sua eficiência.

Um retrocesso de dez anos na expectativa de vida é algo grave, e se torna ainda mais por refletir o descuido no enfrentamento ao coronavírus. Num ambiente em que as variantes – das quais ainda pouco se sabe – ganham espaço, a incerteza cresce. Recuperar o terreno perdido só será possível se os esforços para ampliar a oferta de vacinas no país e fazer com que elas cheguem o quanto antes a todos os brasileiros crescerem. O risco é de que novas pesquisas venham a mostrar mais retrocessos na expectativa de vida. Não há mais tempo a perder.

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