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Quem caiu na tapeação do novo elegeu uma síntese do que há de pior no Brasil antigo

Ao longo da campanha eleitoral, sempre ajoelhado no altar de São Lula e pedindo a bênção da Beata Dilma, Fernando Haddad jurou que nada tinha a ver com mensaleiros nem com corruptos de quaisquer tribos, garantiu que a taxa de inspeção veicular seria expulsa a pontapés tão logo virasse prefeito, prometeu instituir o bilhete mensal […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 07h31 - Publicado em 31 out 2012, 17h54

Ao longo da campanha eleitoral, sempre ajoelhado no altar de São Lula e pedindo a bênção da Beata Dilma, Fernando Haddad jurou que nada tinha a ver com mensaleiros nem com corruptos de quaisquer tribos, garantiu que a taxa de inspeção veicular seria expulsa a pontapés tão logo virasse prefeito, prometeu instituir o bilhete mensal único já na madrugada do dia da posse e culpou o prefeito Gilberto Kassab por todos os problemas ─ passados, presentes ou futuros ─  que atormentam os moradores de São Paulo. O resultado da eleição informa que o palavrório funcionou.

O monumento à tapeação começou a desabar já no comício da vitória. Como comprova a foto à esquerda, Paulo Maluf deixou de esconder-se da Interpol para comemorar, no domingo, a volta ao poder na carona do afilhado. Atrás de Emídio de Souza, o prefeito de Osasco que só não vai transmitir o cargo a João Paulo Cunha porque o camburão chegará primeiro, e da ministra Ideli Salvatti, um dos tantos prontuários à espera de um tribunal, Maluf exibia no palanque o olhar guloso de quem não vê a hora de receber o que lhe cabe no butim.

“Me sinto transformado, jovem e corajoso”, exultou o campeão brasileiro de contas em paraísos fiscais. “Nada como eleger um “brimo” mais novo. Agora que aderi ao comunismo do século 21, prometo construir postes por toda a cidade de São Paulo se o companheiro Haddad me convidar para compor o governo”. O tom debochado reafirma que Maluf sabe que a sociedade igualitária celebrada na discurseira da companheirada não vai além da divisão do produto do roubo. E está pronto, aos 81 anos, para ensinar aos novatos qual é a rota mais curta e menos perigosa entre São Paulo e as Ilhas Jersey.

Na segunda-feira, alegando que as duas medidas precisam ser aprovadas pela Câmara Municipal, Haddad empurrou para 2014 tanto o bilhete único mensal quanto o fim da taxa de inspeção veicular. “Como se os vereadores não aprovassem em poucas horas projetos que beneficiam pecuniáriamente os cidadãos”, ironizou em seu blog o ex-governador Alberto Goldmann, presidente interino do PSDB. “Como se para oficializar uma isenção e implantar um bilhete que é uma extensão do que já existe fosse necessário um ano inteiro de preparação”.

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“Haddad parece achar que somos todos bobos”, revidou Goldmann. “Por que não disse antes da eleição que seria assim? Coisa de malandro”. Não é o único nem o mais esperto, ressalva a foto à direita. Haddad não esperou mais que dois dias para oficializar o acerto com Gilberto Kassab costurado nas duas semanas anteriores. O prefeito cujo apoio decretou o naufrágio da candidatura de José Serra vendeu caro o apoio dos sete vereadores da Câmara paulistana filiados ao seu PSD.

Fora o ministério já prometido por Dilma Rousseff (e outras vantagens ocultas em cláusulas secretas), Kassab conseguiu o arquivamento das sindicâncias prometida pelo sucessor, algumas secretarias municipais de alto rendimento, a preservação do emprego de altos funcionários que nomeou e o tratamento respeitoso que merece todo bom companheiro. Poucos negociantes eleitorais lucraram tanto com uma derrota aparente.

Incontáveis paulistanos voltaram da seção eleitoral crentes de que haviam votado no novo. Como registra o comentário de  1 minuto para o site de VEJA, começaram a descobrir que elegeram uma síntese do que há de pior na velha paisagem política brasileira.

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