Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Augusto Nunes

Por Coluna
Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
Continua após publicidade

Os gastos reais rasgam a fantasia olímpica do Rio

O orçamento dos Jogos não parou de subir, caiu pela metade o volume de turistas estrangeiros e as principais promessas do 'legado' ficaram no mesmo lugar

Por Branca Nunes Atualizado em 4 jun 2024, 21h47 - Publicado em 1 ago 2016, 19h55

Atualizado às 18h55

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=P5RdDeUTkHw?feature=oembed&w=500&h=281%5D

BRANCA NUNES

Orçados em R$ 28,8 bilhões em 2009, quando o Rio de Janeiro venceu a disputa entre as cidades que pretendiam hospedar o maior evento esportivo do mundo, os gastos com a Olimpíada de 2016 já chegaram a R$ 39,1 bilhões — e é improvável que parem por aí. O destino de parte desse dinheiro é detalhado no vídeo da revista Superinteressante. Por exemplo: as arenas, preparadas para a realização das provas de várias modalidades, custaram R$ 7 bilhões (R$ 2,8 bilhões de dinheiro público e R$ 4,2 bilhões captados entre empresas privadas). A maior parcela do orçamento — R$ 24,6 bilhões, dos quais R$ 13,8 milhões foram bancados pelos pagadores de impostos — foi consumida em obras de infraestrutura.

Continua após a publicidade

Não figuram nesse montante despesas com itens essenciais, como a segurança e o revezamento da tocha. Só o governo federal investiu mais de R$ 700 milhões no esquema montado para tornar o Rio mais seguro, ou menos inseguro. As 12 mil tochas (R$ 2 mil cada uma) engoliram R$ 24 milhões. Embora a maior parte desse valor tenha sido pago por patrocinadores e pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COI), municípios escolhidos para participar do revezamento tiveram de desembolsar quantias que parecem uma fortuna em tempos de crise.

Com pouco mais de 250 mil habitantes, a mineira Ipatinga, por exemplo, gastaria R$ 180 mil para viabilizar a passagem do fogo com investimentos em logística e infraestrutura que iam de alterações no trânsito ao recapeamento de ruas, passando pela poda de árvores e programações culturais. A prefeita Cecília Ferramenta (PT) preferiu cancelar o evento. “O momento exige que se dê prioridade absoluta ao pagamento de servidores, à manutenção dos serviços essenciais e a continuidade das obras em andamento na cidade”, argumentou. Mais de 300 cidades toparam  pagar o necessário para fazer parte do circuito que, segundo o site oficial dos Jogos Olímpicos, “foi definido levando em conta critérios logísticos, turísticos e culturais”.

Se os gastos para a realização da Olimpíada no Rio não param de aumentar, caiu pela metade o número de turistas estrangeiros que os organizadores esperavam recepcionar. Inicialmente calculados em cerca de 1 milhão, não deverão passar de 500 mil. E o “legado dos Jogos” só alcança dimensões olímpicas nos discursos dos políticos e em peças publicitárias ufanistas. Os governos federal, estadual e municipal anunciaram com pompa e circunstância que, até o início das competições, 80% do esgoto despejado na Baía de Guanabara seria tratado. A menos de uma semana da cerimônia de abertura, a porcentagem  despencou para 52% — índice um ponto acima do que foi prometido para 1999, quando deveria ter sido concluída a primeira fase do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) lançado durante a Eco-92.

Continua após a publicidade

Faz 24 anos que a despoluição da baía lidera o ranking das promessas de todos os candidatos a prefeito ou governador do Rio de Janeiro. Só os projetos concebidos para concretizar essa prioridade sempre adiada consumiram mais de R$ 10 bilhões. A partir de 5 de agosto, atletas do mundo inteiro saberão que um dos mais belos cartões postais do planeta é, visto de perto, um imenso depósito de dejetos. Como a limpeza desse pedaço de mar, nenhum dos grandes projetos ambientais ligados à Olimpíada foi concluído.

Além disso, a corrupção que infestou o Brasil não poupou o evento bilionário. No início de junho, o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (antiga CGU), a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal revelaram que R$ 85 milhões foram desviados só na construção do Complexo Esportivo de Deodoro. Nesta quinta-feira, a Folha informou que a prefeitura do Rio gastou R$ 233 milhões em contratos sem licitação para conseguir terminar a tempo as obras, principalmente em arenas atrasadas.

Entre as empresas contratadas, duas têm vínculos com a família de André Lazaroni, líder do PMDB na Assembleia Legislativa fluminense. No mesmo dia, uma reportagem de VEJA constatou que a Força Nacional de Segurança Pública havia iniciado um processo de cadastramento e seleção de policiais militares e bombeiros inativos para contratar 3 mil homens em regime de urgência. Eles tentarão preencher as lacunas deixada pela Artel Recursos Humanos. Escondida em Navegantes (SC), a empresa não tem nenhuma experiência no ramo da segurança. Mesmo assim, ganhou a licitação para fazer o controle eletrônico de 49 instalações ao preço de R$ 17,3 milhões.

Continua após a publicidade

No dia em que a delegação australiana se recusou a hospedar-se na Vila dos Atletas, para não conviver com vasos sanitários entupidos, vazamentos em canos, fiação exposta, escadarias sem iluminação e pisos sujos (fora o resto), o prefeito Eduardo Paes apresentou uma desculpa risível: “é muita gente chegando ao mesmo tempo”. Para tornar o local habitável, 600 encanadores, faxineiros, eletricistas, engenheiros e outros profissionais foram contratados às pressas e trabalharam em tempo integral para fazer em sete dias o que não foi feito em sete anos. Esses gastos também não entraram no orçamento oficial.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.