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Rússia acusa astronauta da Nasa de sabotagem

Incidente ocorrido em 2018 teria provocado vazamento de ar na estação espacial internacional — americanos refutam alegações

Por Sergio Figueiredo Atualizado em 14 ago 2021, 14h50 - Publicado em 14 ago 2021, 14h37

A agência de notícias estatal TASS, a partir de entrevista com um funcionário da agência espacial russa Roscosmos, alega que a astronauta americana Serena Auñón-Chancellor sabotou a cápsula Soyuz que atracou na Estação Espacial Internacional (ISS) em 2018. Segundo o entrevistado, que não se identificou, Serena teria tido um colapso nervoso e danificado a nave para provocar vazamento de ar na estação a fim de garantir seu embarque antecipado na viagem de volta à Terra. Uma vez que o programa do ônibus espacial já havia sido desativado à época e com a SpaceX ainda em fase de testes, a Soyuz era a única forma de chegar e partir da ISS. Os americanos negam veementemente a acusação e especulam que o assunto tenha voltado ao noticiário apenas para encobrir o caso do novo módulo russo Nauka, que foi conectado à estação duas semanas atrás e que, depois do disparo acidental de seus retrofoguetes, tirou a ISS do eixo, quase mantando todos a bordo.

A diretora da Nasa encarregada dos voos tripulados, Kathy Lueders, saiu em defesa de Serena, afirmando que as alegações publicadas na TASS não têm nenhuma credibilidade. Em entrevista coletiva, Lueders disse que “Serena é uma tripulante extremamente respeitada, que tem servido seu país e feito contribuições valorosas ao programa espacial”. O ex-senador Bill Nelson, indicado pelo presidente Joe Biden ao cargo de superintendente da Nasa, manifestou-se nas redes sociais em defesa de Lueders e Serena.

Curiosamente, as acusações emergem em um momento delicado também para a Nasa, que se vê pressionada a explicar o atraso no lançamento da cápsula Starliner, montada pela Boeing, que seria mais uma opção para levar astronautas à estação espacial. Aparentemente, um defeito está obrigando os engenheiros a devolver o veículo à fábrica, antes mesmo de seu primeiro voo de teste. Além disso, a agência espacial americana tem recebido críticas por não admitir que provavelmente não conseguirá cumprir o objetivo de levar humanos de volta à Lua até 2024, meta estabelecida ainda no governo Trump. Semanas atrás, Jeff Bezos, magnata da Amazon e da empresa aeroespacial Blue Origin, voltou à carga oferecendo até ajuda financeira para participar do contrato da construção do módulo lunar, em licitação vencida pela concorrente SpaceX, de Elon Musk.

A Nasa admite que Serena precisou ser tratada de um coágulo sanguíneo que teria surgido durante a missão na ISS, mas nega que o problema tenha desestabilizado a astronauta. Os russos, pelo contrário, dizem que foi justamente por causa do problema de saúde que ela teria forçado seu retorno. Em 29 de agosto de 2018, controladores da Nasa identificaram queda de pressão na ISS, investigada imediatamente pela tripulação, que detectou um pequeno vazamento de ar na cápsula Soyuz, atracada na estação desde junho daquele ano, quando chegou trazendo Serena e mais dois astronautas. O problema foi facilmente resolvido com material vedante, mas, segundo os russos, uma investigação posterior mostrou que a Soyuz havia sido perfurada com uma furadeira manual. Em uma acusação abertamente misógina, o diretor da Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse que o furo havia sido feito por “uma mão vacilante” que teria deixado a broca escorregar para o lado, insinuando se tratar de um astronauta do sexo feminino, e Serena era a única mulher a bordo naquela missão. Os americanos refutam a premissa dizendo que as câmeras de vigilância não detectaram nenhum astronauta do lado americano perto da escotilha da Soyuz e que o furo teria ocorrido provavelmente em terra, durante a montagem da cápsula. Os russos se contrapõem dizendo que a Nasa pode ter adulterado o vídeo. Assim, abre-se mais um capítulo no esfriamento das relações entre os dois países, pelo menos no que se refere ao futuro do programa espacial conjunto. A cada dia, a Rússia se aproxima mais da China, com quem já tem carta de intenções para um programa de cooperação na Lua, incluindo uma base para 2030.

 

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