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O que é o agente VX, arma que matou o norte-coreano Kim Jong-nam

O produto foi declarado pela ONU como uma arma de destruição em massa

Por Da redação Atualizado em 24 fev 2017, 11h46 - Publicado em 24 fev 2017, 10h55

Autoridades da Malásia afirmaram nesta sexta-feira que uma arma química, chamada agente VXfoi utilizada no assassinado de Kim Jong-nam, meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un. A presença da substância, um produto altamente tóxico, e considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma arma de destruição em massa, foi detectada nos olhos e no rosto de Kim Jong-nam, que morreu ao ser atacado por duas mulheres no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia, em 13 de fevereiro.

A substância é um neurotóxico, ou seja, age diretamente no sistema nervoso, e fez parte do arsenal militar de diversos países por décadas, até que foi banida pela Convenção Internacional de Armas Químicas da ONU, em 1993. Depois disso, a maioria dos países destruiu seus estoques do produto, incluindo os Estados Unidos. Confira mais detalhes sobre a substância que levou Kim Jong-nam à morte:

O que é um agente nervoso?

São substâncias que agem diretamente no sistema nervoso, paralisando os músculos. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, de todas as armas de guerra conhecidas, o agente nervoso VX é o mais tóxico e o que atua de maneira mais rápida no organismo – uma gota do produto na pele pode provocar sudorese e contrações musculares no local quase imediatamente. Desenvolvido no Reino Unido na década de 1950, é um óleo com cor de âmbar, sem cheiro e sem gosto, que evapora lentamente e não é encontrado na natureza.

Como ocorre a exposição?

A contaminação pode ocorrer tanto por contato com a pele ou com os olhos, sendo inalado ou ingerido. O produto pode ser lançado no ar ou na água, já que a maioria dos agentes nervosos não se mistura facilmente à água, explica o portal da CDC. Também é possível contaminar alimentos com a substância, ou aquecê-la a temperaturas elevadas e transformá-la em gás. Além disso, o VX tem efeito cumulativo no corpo, o que significa que pequenas exposições podem, a longo prazo, resultar em impactos maiores para o organismo.

Como o agente tem evaporação lenta, pode permanecer por dias em um objeto com o qual entrou em contato. Em condições mais específicas, com temperaturas muito baixas, pode durar até meses. Por isso, a CDC afirma que ele deve ser considerado uma ameaça a longo prazo.

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O que acontece durante a contaminação?

As moléculas presentes no agente VX bloqueiam uma enzima responsável por permitir que glândulas e músculos relaxem, fazendo com que sejam constantemente estimulados e, no caso dos músculos, que se contraiam de maneira descontrolada. Às vezes, o efeito é tão forte que a vítima não consegue respirar.

Segundo o CDC, a exposição a doses pequenas ou moderadas do produto pode provocar visão borrada, pupilas reduzidas, sufocamento, confusão, dor nos olhos e na cabeça, vômitos, entre outros. Doses maiores do agente podem levar a convulsões, perda de consciência, paralisia, parada respiratória e morte.

Quando expostas a doses mais baixas de VX, normalmente as pessoas conseguem se recuperar completamente – em casos de exposição intensa, no entanto, é pouco provável que a vítima sobreviva, de acordo com o CDC.

Existem antídotos?

Segundo um documento divulgado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, injeções de atropina – uma substância alcalina encontrada na planta Atropa belladonna e outras de sua família – podem barrar os efeitos tóxicos do agente VX no organismo, se administradas rapidamente. Esse antídoto impede que as moléculas do produto atuem sobre as enzimas, permitindo que as células do organismo funcionem normalmente. Além das injeções, anticonvulsivantes também podem ser administrados. No entanto, como o VX tem uma ação muito rápida no organismo, na maioria dos casos não é possível aplicar as medicações necessárias a tempo.

Já foi utilizado anteriormente?

Os militares projetaram o agente para ser espalhado em uma grande área, utilizando aviões ou bombas, com o objetivo de matar as forças inimigas e fazer com que elas não pudessem avançar em segurança por aquela área. No entanto, não há evidências concretas de que esse produto tenha sido utilizado em combate.

Em 1995, membros do culto Aum Shinrikyo – “Verdade Suprema”, em português – realizaram um ataque liberando um agente nervoso, provavelmente sarin, no metrô de Tóquio, no Japão. Dezenas de pessoas ficaram feridas e doze foram mortas durante o episódio. Os autores do ataque também são suspeitos de aplicar uma forma caseira de agente VX em ao menos outras três pessoas, sendo que uma delas, que eles acreditavam ser um informante da polícia, morreu após entrar em contato com o produto.

Apenas os Estados Unidos e a Rússia admitiram ter armazenado VX anteriormente, embora outros países, sejam suspeitos de possuir estoques. Em 2013, a Síria foi acusada por autoridades francesas de utilizar a arma química contra civis durante a guerra no país.

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