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Meteorologistas temem que tecnologia sem fio afete os prognósticos

Genebra, 17 jan (EFE).- As agências meteorológicas temem que a proliferação e as consequências que a tecnologia sem fio e outras aplicações exercem sobre o espectro radioelétrico tenha um impacto negativo nas bandas de frequência utilizadas para prever o tempo, alertar sobre desastres e vigiar o clima.

Os desafios apresentados pela crescente concorrência do espectro radioelétrico serão abordados na Conferência Mundial de Radiocomunicações, que ocorrerá em Genebra de 23 de janeiro a 17 de fevereiro, no marco da União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Preocupada com essa situação, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou nesta terça-feira que irá apresentar no fórum um documento no qual detalha os diversos usos das frequências usadas para fins meteorológicos e a importância de mantê-las protegidas.

Lembrou ainda que os serviços meteorológicos, que dependem das observações da Terra, da atmosfera e dos oceanos, contribuem para evitar mortes e a destruição dos meios de subsistência de populações geralmente pobres.

No entanto, nada disso é possível sem a recopilação de dados, que depende por sua vez das frequências radioelétricas.

As agências meteorológicas consideram que a forte demanda por essas frequências pode terminar afetando a qualidade das observações, a possibilidade de fazer previsões e, inclusive, os esforços para entender e prever as mudanças climáticas.

‘Se alguma das bandas de frequência utilizadas atualmente para fins meteorológicos for utilizada para outras aplicações radioelétricas incompatíveis com os usos meteorológicos, essas bandas poderão se tornar inúteis para os sistemas de prognósticos de desastres’, entre outros, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

Acrescentou que os desastres meteorológicos, climáticos e hidrológicos (chuvas, inundações, secas, furacões e ondas de frio ou calor) representam 90% dos desastres naturais, ‘as frequências radioelétricas são essenciais para os sistemas de alarme adiantados’. EFE