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Consumo moderado de álcool reforça vínculos sociais

Pesquisa com 720 pessoas indicou que a bebida alcoólica pode estimular a conversa, trazer mais experiências positivas e reforçar a amizade

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh concluíram que o consumo moderado de álcool em grupo reforça os vínculos sociais e as sensações positivas mais do que outras bebidas não alcoólicas (com as devidas ressalvas). O estudo será publicado na próxima edição do periódico Psychological Science.

Segundo os pesquisadores, estudos anteriores envolvendo álcool não levavam em conta o efeito que a bebida causava quando consumida em grupo. “Consideramos que a interação social tinha uma relação fundamental com os efeitos do álcool”, disse Michael Sayett, professor de psicologia na Universidade de Pittsburgh e coordenador do estudo.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Alcohol and Group Formation: A Multimodal Investigation of the Effects of Alcohol on Emotion and Social Bonding

Onde foi divulgada: revista Psychological Science

Quem fez: Michael A. Sayette, professor de psicologia da Universidade de Pittsburgh

Instituição: Universidade de Pittsburgh, EUA

Dados de amostragem: 720 adultos

Resultado: Consumo moderado de álcool em grupo favorece o vínculo entre as pessoas, estimula as risadas e melhora a sensação de bem-estar até mesmo entre desconhecidos.

Segundo esta nova pesquisa, ao beber as pessoas dão risadas com mais frequência e ao mesmo tempo. Essa “ação coordenada” aumenta os vínculos sociais, o tempo de conversa entre as pessoas e reduz as emoções negativas. Os pesquisadores ainda não avaliaram as diferenças entre personalidades e as relações familiares dos envolvidos no estudo.

Método – Para chegar ao resultado, foram selecionados 720 participantes que não se conheciam previamente. Foram montados grupos de três pessoas em diferentes variações: três homens, três mulheres, dois homens e uma mulher e duas mulheres e um homem.

Cada grupo passou por três rodadas de bebidas: alcoólicas (uma parte de vodca com três partes de suco de cranberry), não alcoólicas e placebos (de sabor parecido com as bebidas alcoólicas, mas sem a substância: no lugar da vodca era servida água tônica). A dose moderada era de 0,82 grama por quilo para os homens e 0,74 para mulheres.

As sessões foram gravadas. Em seguida, os pesquisadores avaliaram as reações usando o método Facs (da sigla em inglês, Sistema de Códigos de Expressões Faciais) e as falas. Nas entrevistas posteriores às rodadas de bebidas, os grupos alcoólicos relataram com maior frequência os bons momentos e o envolvimento de todos na discussão.

“Com os resultados podemos começar a questionar por que o álcool nos faz sentir melhor em grupo e se há evidências de que os participantes podem desenvolver algum problema com o consumo desta substância”, disse Sayett.

Não é para você

Apesar de a bebida alcoólica, com moderação, proporcionar benefícios para a saúde, ela não é indicada para todos. Existem pessoas que não devem ingerir quantidade alguma de álcool, já que os prejuízos são muito maiores do que as vantagens. Sinal vermelho para quem tem os seguintes problemas:

Doença hepática alcoólica: é a inflamação no fígado causada pelo uso crônico do álcool. Principal metabolizador do álcool no organismo, o fígado é lesionado com a ingestão de bebidas alcoólicas.

Cirrose hepática: o álcool destrói as células do fígado e é o responsável por causar cirrose, quadro de destruição avançada do órgão. Pessoas com esse problema já têm o fígado prejudicado e a ingestão só induziria a piora dele.

Triglicérides alto: o triglicérides é uma gordura tão prejudicial quanto o colesterol, já que forma placas que entopem as artérias, podendo causar infarto e derrame cerebral. O álcool aumenta essa taxa. Portanto, quem já tiver a condição deve manter-se longe das bebidas alcoólicas.

Pancreatite: a doença é um processo inflamatório do pâncreas, que é o órgão responsável por produzir insulina e também enzimas necessárias para a digestão. O consumo exagerado de álcool é uma das causas dessa doença, e sua ingestão pode provocar muita dor, danificar o processo de digestão e os níveis de insulina, principal problema do diabetes.

Úlcera: é uma ferida no estômago. Portanto, qualquer irritante gástrico, como o álcool, irá piorar o problema e aumentar a dor.

Insuficiência cardíaca: por ser tóxico, o álcool piora a atividade do músculo cardíaco. Quem já sofre desse problema deve evitar bebidas alcoólicas para que a atividade de circulação do sangue não piore.

Arritmia cardíaca: de modo geral, ele afeta o ritmo dos batimentos cardíacos. A bebida alcoólica induz e piora a arritmia.

Redobre a atenção

Há também aqueles que devem ter muito cuidado ao beber, mesmo que pouco.Tudo depende do grau da doença, do tipo de remédio e do organismo de cada um.

Problemas psiquiátricos: o álcool muda o comportamento das pessoas e pode alterar o efeito da medicação. É arriscada, portanto, a ingestão de bebida alcoólica por aqueles que já têm esse tipo de problema.

Gastrite: é uma fase anterior à úlcera e quem sofre desse problema deve tomar cuidado com a quantidade de bebida alcoólica ingerida. Como pode ser curada e controlada, é permitido o consumo álcool moderado, mas sempre com autorização de um médico.

Diabetes: Todos os diabéticos devem ficar atentos ao consumo de álcool. A quantidade permitida dessa ingestão depende do grau do problema, dos remédios e do organismo da pessoa. Recomenda-se, se for beber, optar por fazê-lo antes ou durante as refeições para evitar a hipoglicemia.