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Cientista descobre bactéria que pode substituir fertilizantes

Encontrada na cana-de-açúcar, ela permite que a planta absorva o nitrogênio diretamente do ar, evitando a poluição causada por fertilizantes artificiais

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h18 - Publicado em 5 ago 2013, 13h29

Apesar de serem grandes poluentes, os fertilizantes artificiais são necessários para o crescimento da maior parte das plantas, especialmente plantações comerciais. Uma das principais razões para isso é o nitrogênio. As plantas precisam dele para sobreviver, mas apenas algumas, como as leguminosas (ervilha, feijão, lentilha) conseguem obtê-lo diretamente do ar.

Porém, uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, pode ajudar a solucionar o problema dos fertilizantes. Edward Cocking, diretor do Centro de Fixação de Nitrogênio em Plantações, desenvolveu um método que permite as plantas retirem o nitrogênio que precisam diretamente do ar, utilizando bactérias capazes de absorvê-lo – denominadas fixadoras de nitrogênio.

Cocking teve essa ideia quando se deparou com um tipo dessa bactéria na cana-de-açúcar, denominada Gluconacetobacter diazotrophicus, capaz de colonizar de forma intracelular os principais tipos de plantações, dando a todas as células da planta o potencial para retirar o nitrogênio diretamente do ar. “O mundo precisa se libertar de sua crescente dependência de fertilizantes sintéticos de nitrogênio produzidos a partir de combustíveis fósseis e com alto custo econômico, poluição do meio ambiente e grande gasto de energia”, afirma Cocking.

Segundo o pesquisador, a tecnologia, conhecida como N-Fix, não se trata de manipulação genética ou bioengenharia. A bactéria é inserida na planta através da semente, e cria-se um processo simbiótico (relação mutuamente vantajosa para dois organismos diferentes) entre a planta e a bactéria. Na última década, esse processo foi testado em laboratório e em estufas, mas ainda não foram feitos testes de campo.

Comercialização – O N-Fix foi licenciado para a empresa Azotic Technologies Ltd, para ser desenvolvido comercialmente. Segundo a empresa, os primeiros locais em que vão buscar aprovação do produto são Europa, Estados Unidos, Canadá e Brasil. Eles estimam que o produto deve estar disponível no mercado em dois ou três anos.

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