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Carta ao Leitor: Um Nobel histórico

Láurea para estudos sobre vacina de RNA contra Covid-19 pode ser celebrada como um prêmio à ciência em oposição ao negacionismo

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 out 2023, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 10h25

O Nobel de Medicina de 2023 pode ser celebrado como um prêmio à ciência em oposição ao negacionismo. Ao conceder a láurea para a húngara Katalin Karikó e o americano Drew Weissman, fundamentais no desenvolvimento de vacinas à base do chamado RNA mensageiro, como as lançadas em tempo recorde contra a Covid-19, os membros da Academia Sueca louvaram simultaneamente os extraordinários saltos dados em laboratórios e a relevância do conhecimento como resposta à ignorância. Raras vezes, ressalve-se, nos mais de 100 anos da condecoração, houve tão nítida relação entre o que se deseja iluminar e o cotidiano das pessoas. É possível afirmar — ainda que não seja apenas isso, como mostra a reportagem da página 68 — que os vitoriosos deste ano foram os responsáveis pela imunização que acelerou a queda de casos e mortes da pandemia. A mais trágica crise sanitária de nossa geração ainda não teve o fim decretado pela OMS, mas entrou em outro capítulo, a caminho do epílogo, graças a nomes como Karikó e Weissman.

O Nobel é quase um manifesto a combater reações como as das pessoas que se aproveitaram do escudo das redes sociais para achincalhar a enfermeira paulista Mônica Calazans, a primeira a ser vacinada no Brasil, em janeiro de 2021. Depois de oferecer o braço esquerdo à colega que a picou com uma dose de proteção da CoronaVac (mais tradicional, sem a tecnologia agora coroada), produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, ela foi severamente atacada por apoiadores do governo de Jair Bolsonaro, para quem a vacina era tolice ineficaz e ideológica. O tempo mostrou quem tinha razão — e a imunização, somada ao uso de máscaras e ao zelo pelo distanciamento, cada movimento a seu tempo, ajudou a humanidade a sair do drama que parecia infindável.

O jornalismo profissional se mostrou um aliado fundamental nos esforços dos cientistas nessa luta contra o vírus. Desde março de 2020, quando eclodiu a pandemia, VEJA esteve à frente dessa missão. Em inúmeras reportagens, no impresso e no on-line, cobriu os avanços no desenvolvimento dos imunizantes, denunciou desvios das verbas de emergência, cobrou autoridades, registrou diariamente os números do comportamento da Covid-19 e do ritmo de vacinação, dentro do espírito de combater incessantemente a praga da desinformação.

O pior já passou, mas a partida não está ganha e o cuidado ainda se impõe. Convém ressaltar, como ponto de preocupação, que a versão bivalente da vacina contra a Covid-19, afeita a proteger contra mais de uma cepa, enfrenta baixa adesão dos brasileiros, com cobertura de pouco mais de 15%. O Nobel da semana passada colabora para pavimentar o caminho de maior alcance dos imunizantes. Trata-se, portanto, de um prêmio histórico.

Publicado em VEJA de 6 de outubro de 2023, edição nº 2862

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