Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Vias para litoral sul de SP têm problemas de sinalização

Por José Maria Tomazela

Sorocaba – Quem for pegar estrada para passar o Carnaval nas praias da Baixada Santista e litoral sul de São Paulo vai encontrar rodovias cheias de perigos, como pistas interditadas, obras com restrição de tráfego, trechos sem sinalização, falta de acostamento e até buracos no asfalto. A reportagem percorreu hoje 490 quilômetros dos principais acessos e se deparou com seis pontos de interdição total de pista, com o trânsito no sistema pare-siga, seis de interdição parcial, com o tráfego afunilado em meia pista, além de dois acidentes e outras situações de risco.

Os motoristas vão encontrar mais dificuldade na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que dá acesso às praias de Peruíbe, Iguape e Ilha Comprida, além das belezas quase selvagens da Jureia. A partir do Rodoanel, em São Paulo, e até Miracatu, são seis pontos de interdição parcial de pista para obras que só ficarão prontas depois do Carnaval. Em quatro delas, nos km 312, 329, 330 e 380, entre São Lourenço da Serra e Miracatu, a execução de serviços ocorre sobre pontes e não há sequer a possibilidade de uso do acostamento.

Os perigos aparecem já na altura de Embu das Artes, onde há travessias irregulares da pista usada por caminhões. Mais adiante, em São Lourenço, pedestres e ciclistas cruzam a pista sob a passarela de pedestres. No km 350, já no trecho de pista simples, um caminhão tombado causava um grande congestionamento no sentido de São Paulo. Havia outro acidente, uma colisão entre carro e caminhão logo adiante. A fila de veículos se estendia ao longo da Serra do Cafezal – mesmo com a segunda faixa na subida, o trânsito fluía a menos de 20 km/h. Os poucos carros ficavam quase espremidos entre centenas de caminhões e carretas – 70% do movimento da rodovia é de veículos de carga.

O trecho da serra, com 29 quilômetros, é íngreme e sinuoso. As extremidades estão sendo duplicadas – uma parte das novas pistas será liberada amanhã para o tráfego. No trecho central da serra, a duplicação depende de licença ambiental, processo ainda não concluído. A rodovia é administrada por uma concessionária com cobrança de pedágio, mas a reportagem encontrou buracos no asfalto nos km 350 e 381. A Rodovia Casimiro Teixeira (SP-222), de acesso a Iguape e Ilha Comprida, tem pista simples, com acostamentos precários em quase toda a extensão de 65 quilômetros e é sujeita a alagamentos durante as chuvas.

A Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, que liga Santos à Régis Bittencourt, passando por uma vasta região de praias da Baixada Santista – São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe – tem trechos em condições muito precárias. Os 55 km de pista simples entre Peruíbe e a rodovia federal tinham hoje seis pontos de interdição para obras de recapeamento. Empreiteiras contratadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) adotaram o sistema pare-siga, fazendo o trânsito fluir por uma pista, enquanto a outra permanecia em obras. O empresário Fábio Afornalli, de Camboriú (SC), que seguia para o Rio de Janeiro, aproveitou para sair do carro e se esticar enquanto aguardava a abertura do tráfego. “Entrei por aqui para não passar em São Paulo, mas não foi bom negócio”, disse.

Os motoristas levavam uma hora e meia, mais que o dobro do tempo normal, para percorrer o trecho. Falta sinalização nos trechos já recapeados. Nos demais, a estrada e os acostamentos estão destruídos. A via é alternativa para caminhões de carga procedentes do Sul do País que seguem para o Porto de Santos. O tráfego pesado arruinou o asfalto até no trecho duplicado, próximo de Itanhaém. As obras de recapeamento serão interrompidas no carnaval, mas a sinalização vai continuar precária. Desse ponto até Praia Grande, o risco são os pedestres que preferem cruzar as pistas, ignorando as passarelas.

Os viajantes que seguiam ontem do interior para o litoral encontravam pontos de lentidão na rodovia Castelo Branco, motivados principalmente por obras de recapeamento do km 42 ao 36, sentido São Paulo, com interdição de uma das três faixas. A construção da quarta faixa, entre os km 30 e 26 causava oito quilômetros de lentidão com paradas na manhã de ontem. No km 70, a carga da picape dirigida por Nelson Costa Sobrinho, caiu e se espalhou na pista. Os policiais rodoviários Cabo Nelson e Soldado Ventrice, que estavam numa viatura, foram rápidos e conseguiram desviar o trânsito até a retirada da carga. No Rodoanel Sul, usado para acesso ao Sistema Anchieta-Imigrantes e à Baixada Santista, o problema é a falta de postos de combustível. O bancário Nivaldo Freitas ficou sem combustível e teve de pedir ajuda à concessionária.