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Tribunal questiona contratos de R$ 1 bi para manutenção de trens de SP

Contratos foram assinados em 2013 e correspondiam à manutenção de 196 trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM)

Por Da Redação - 8 jul 2016, 08h25

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo deu prazo de trinta dias para que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) esclareça uma série de suspeitas de irregularidades envolvendo seis contratos assinados em 2013 para a manutenção de 196 trens. As contratações somam 907 milhões de reais em valores da época, ou 1,1 bilhão de reais em números corrigidos pela inflação. O despacho foi publicado nesta quinta-feira, no Diário Oficial pelo conselheiro Antonio Roque Citadini.

Dois contratos foram assinados com a empresa CAF Brasil Indústria e Comércio S/A e outros quatro com o Consórcio TMT, formado pelas empresas Temoinsa do Brasil Ltda., Trail Infraestrutura Ltda. e Trans Sistemas de Transportes S.A. Executivos da CAF e da Temoinsa já são réus na Justiça em ação movida pelo Ministério Público de São Paulo por formação de cartel e fraude a licitações para a compra e reforma de trens do Metrô de São Paulo entre 2002 e 2009, durante os governos do PSDB.

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Entre as suspeitas levantadas pelo setor de fiscalização do TCE e questionadas por Citadini em seu despacho está a escolha da CPTM pelo tipo de licitação de técnica e preço, no qual, além do valor oferecido pelas empresas, a estatal utiliza como critério de eliminação a capacidade técnica da contratada. Segundo o conselheiro, esse modelo “é compatível para serviços de natureza predominantemente intelectual” e “impediu a Administração de contratar o menor preço”. Em um dos contratos, a companhia escolheu uma proposta 3,5 milhões de reais mais cara.

Citadini afirma ainda que “os critérios adotados para a pontuação técnica apresentam disparidade que influenciam na escolha da Administração, porque as notas técnicas não apresentam pontuação uniforme” e que “a nota de avaliação da metodologia de execução é subjetiva, em contrariedade com a lei”. Ele destaca também que “as condições de pagamento dos serviços de manutenção apresentam parâmetros que podem distorcer os valores apresentados nas propostas”.

O conselheiro questiona a CPTM o fato de o Consórcio TMT ter apresentado “documentação com data incompatível com a data de apresentação das propostas” e “autenticação de documentos em data posterior àquela fixada”, o que pode indicar “possível violação dos envelopes com as propostas”. E cobra explicações sobre informações fornecidas por outras empresas de que o consórcio “está executando todos os seus quatro contratos com a mesma equipe”, descumprindo itens do edital.

A CPTM informou quer vai prestar os esclarecimentos solicitados. A defesa da CAF disse não ter tempo hábil na quinta-feira para responder aos questionamentos. Já a do TMT não foi localizada.

(Com Estadão Conteúdo)

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