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Sombra será julgado pela morte de Celso Daniel

A Justiça decidiu que o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, deverá ir a júri popular por conta do assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. A decisão é da primeira vara de Itapecirica da Serra.

Sombra poderá recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Ainda não há data para o julgamento. Ele é réu sob a acusação de homicídio triplamente qualificado. A pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão.

“Foi reconhecido que existem indícios de autoria e prova de materialidade para ele ser julgado em júri popular”, diz a promotora Eliane Vendramini Carneiro, do Gaeco – Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado – do ABC.

O crime – O caso teve início com o sequestro de Celso Daniel na noite de 18 de janeiro de 2002. Ele saía de uma churrascaria em companhia de Sombra, que era o homem de confiança do ex-prefeito, quando o carro em que os dois estavam foi abordado por um grupo armado. Levado para um cativeiro, o prefeito foi encontrado dois dias depois, com o corpo crivado de balas.

No inquérito que tratou do caso, a polícia chegou à conclusão de que Celso Daniel fora mais uma vítima da criminalidade das grandes cidades. A investigação concluiu que os marginais que o atacaram, todos identificados e presos na ocasião, queriam apenas levantar algum dinheiro com o seqüestro. Diante da repercussão que o caso tomou, os criminosos mataram o prefeito por medo de ser pegos. Os disparos teriam sido efetuados por um menor de idade cujo apelido é “Lalo”.

O fato é que depois de quase dois anos revendo provas e documentos, o Ministério Público estadual informou que a conclusão da polícia teria sido precipitada. Na época, os promotores garantiram ter evidências seguras de que Celso Daniel não foi vítima de um crime comum, mas de um homicídio premeditado organizado justamente pelo amigo que o acompanhava naquela noite, o Sombra.

Corrupção – O crime que vitimou o prefeito petista tem todos os ingredientes de um romance policial. Mistério, pistas falsas, sexo e luta pelo poder. A trama, no entanto, segue uma dinâmica peculiar: procura-se um assassino e, no lugar dele, são encontrados corruptos. Reduzido à sua essência, o caso se compõe de dois crimes. O primeiro é o assassinato do prefeito em si. O segundo, o esquema de corrupção formado na cidade que ele administrava, já que Santo André foi a precursora do mensalão.

As evidências começaram a surgir na tarde do dia 24 de janeiro de 2002, cinco dias depois do assassinato do prefeito, quando a empresária Rosângela Gabrilli, dona de uma empresa de ônibus em Santo André, procurou o Ministério Público para fazer uma denúncia grave. Segundo ela, os donos de companhias rodoviárias da cidade eram obrigados a contribuir para uma caixinha do PT. O valor do mensalão seria proporcional à quantidade de ônibus que cada empresário possuía, à razão de 550 reais por veículo.