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Selo deve garantir procedência de tecidos em PE

Por Da Redação - 25 out 2011, 17h35

Por Mônica Bernardes

Recife – Ainda sob o impacto negativo do escândalo envolvendo a importação de lixo hospitalar e suposta utilização na confecção de forros para vestuário, comerciantes e gestores dos municípios que integram o pólo de confecções do agreste de Pernambuco (Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe) anunciaram hoje a criação de um selo de qualidade, como forma de garantir a procedência e idoneidade dos produtos.

Antônio Figueiroa, prefeito do município de Santa Cruz do Capibaribe – local onde está sediada a indústria têxtil Na Intimidade, que vem sendo investigada como responsável pela importação irregular -, destacou que a certificação ficaria subordinada à fiscalização das agências de vigilância (municipal e estadual). “Nossa intenção é separar claramente o trabalho sério da grande maioria dos fabricantes daqueles que agem com desonestidade. O selo será a garantia de que os produtos foram inspecionados e que respeitam todas as regras ambientais e de saúde pública”, destacou.

Os laudos do Instituto de Criminalística de Pernambuco nas amostras de tecido recolhidas nos galpões e lojas da indústria Na Intimidade e contêineres apreendidos no Porto de Suape devem ficar prontos até o final desta semana. Apesar disso, o superintendente da Polícia Federal em PE, Marlon Jefferson de Almeida, confirmou extraoficialmente que o material analisado “tem características de materiais usados”.

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A PF assumiu hoje a totalidade do caso, incorporando o inquérito da Polícia Civil. Ainda segundo a PF, novas amostras do material apreendido serão encaminhadas ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, para exames complementares. O repatriamento da carga, determinado no início da semana pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), só poderá ser efetuado após a conclusão do inquérito.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco ajuizou ontem na Justiça do Trabalho em Caruaru uma ação cautelar solicitando o bloqueio dos bens do empresário Altair de Moura, proprietário da Na Intimidade. A intenção do MPT é garantir o pagamento dos direitos trabalhistas dos 34 funcionários da companhia. No total, a procuradora pede que a empresa seja condenada a pagar R$ 2,107 milhões, sendo R$ 126 mil como indenização aos trabalhadores e aproximadamente R$ 2 milhões para reparar o dano moral coletivo.

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