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Projeto do Ministério do Esporte turbina caixa do PCdoB

Em site oficial, Segundo Tempo é descrito como um programa de "inclusão social" e "desenvolvimento integral do homem"

Por Da Redação - 20 fev 2011, 12h02

As crianças ficam expostas ao mato alto e a detritos nos terrenos onde deveriam existir quadras esportivas

Principal programa do Ministério do Esporte, comandado por Orlando Silva, o Segundo Tempo, além de gerar dividendos eleitorais, transformou-se num instrumento financeiro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), legenda à qual é filiado o ministro.

Uma reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo deste domingo descreve a situação de núcleos do Segundo Tempo no Distrito Federal, em Goiás, Piauí, São Paulo e Santa Catarina. A amostra, na capital e região do entorno, no Nordeste mais pobre ou no Sul e no Sudeste com melhores indicadores socioeconômicos, flagrou o mesmo quadro: entidades de fachada recebendo o dinheiro do projeto, núcleos esportivos fantasmas, abandonados ou em condições precárias.

As crianças ficam expostas ao mato alto e a detritos nos terrenos onde deveriam existir quadras esportivas. Alguns espaços são precariamente improvisados, faltam uniformes e calçados, os salários estão atrasados e a merenda é desviada ou entregue com prazo de validade vencido.

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No site do ministério, o Segundo Tempo é descrito como um programa de “inclusão social” e “desenvolvimento integral do homem”. Tem como prioridade atuar em áreas “de risco e vulnerabilidade social”, criando núcleos esportivos para oferecer a crianças e jovens carentes a prática esportiva após o turno escolar e também nas férias.

Conferidas de perto, pode-se constatar que as diretrizes do projeto, que falam em “democratização da gestão”, foram substituídas pelo aparelhamento partidário. A reportagem também mostra como o ministro Orlando Silva, sem licitação, entregou o programa ao PCdoB.

O Segundo Tempo está, majoritariamente, nas mãos de entidades dirigidas pelo partido e virou arma política e eleitoral. Só em 2010, ano eleitoral, os contratos com essas entidades somaram R$ 30 milhões.

Em nota, o Ministério do Esporte afirmou que “cabe às entidades parceiras promoverem a estruturação do projeto”. Questionado sobre as situações constatadas pela reportagem e pelo controle partidário do programa, o ministério defendeu o critério de escolha das entidades sob o argumento que é feita uma seleção técnica dos parceiros.

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O ministério do Esporte é feudo do PCdoB desde março de 2006, quando Orlando Silva substituiu o petista Agnelo Queiroz. Com a vitória de Dilma Rousseff, o partido avisou que, para integrar a base de sustentação do governo, não abriria mão do ministério, cobiçado pelo PMDB. Chegou-se a cogitar a nomeação da deputada federal Luciana Santos, também do PCdoB, o que não aconteceu.

(Com Agência Estado)

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