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População brasileira cresce menos nos anos 2000

Aumento foi de 15,6% entre 1991 e 2000 e de 12,3% desde então

Por Christine White 29 nov 2010, 19h24

A diminuição do ritmo de crescimento da população brasileira e a importância que as cidades de porte médio passaram a ter na última década foram os destaques nos primeiros resultados do Censo 2010, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta segunda-feira.

A população saltou de 146,8 milhões em 1991 para 169,8 milhões em 2000 e chegou a 190,7 milhões em 2010. Isso significa que o Brasil experimentou um crescimento demográfico de 15,6% na década de 90 e de 12,3% nos anos 00.

Dentro de duas gerações, a população deve parar de crescer, observa Eduardo Pereira Nunes, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele chama a atenção para a redução da taxa de fecundidade. O número médio de filhos da mulher brasileira já é inferior a dois. Com isso, a taxa de crescimento anual da população caiu.

“A taxa de crescimento, que entre 1991 e 2000 era 1,64%, na última década caiu para até 1,02%, dependendo da região”, diz Nunes.

Outro fenômeno de importância no levantamento feito em quatro meses, por 191 mil recenseadores, é o perfil de crescimento das cidades (clique para ver o mapa com todos os municípios). “As cidades que mais crescem em população, importância social e econômica são as cidades de porte médio”, comenta Nunes. Municípios de até 100 mil cresceram em média apenas 3,7%. Cidades acima de 2 milhões de habitantes cresceram 9,8%. Já as cidades com população entre 100 mil e 2 milhões tiveram uma alta de 25%.

O presidente do IBGE espera que o crescimento da população continue se acelerando nas cidades com até 500 mil habitantes e diminua nas grandes metrópoles. Outro movimento esperado é a continuidade da expansão populacional no Centro-Oeste, atraída pelo crescimento do agronegócio e pelas oportunidades criadas pela desconcentração da indústria.

Censo e tráfico – As comunidades dominadas pelo tráfico não foram a principal dificuldade que o IBGE encontrou para chegar aos entrevistados. Segundo o presidente do Instituto, durante o processo de recrutamento, o recenseador foi estimulado a escolher regiões de sua vizinhança, o que fez com que muitos deles permanecessem em locais onde um recenseador desconhecido não teria entrado com facilidade.

A maior dificuldade, de acordo com Nunes, foi encontrar os moradores em casa. Como a configuração da família mudou, dos três moradores que hoje formam a média de habitantes por domicílio, a mulher e o marido trabalham fora e o filho estuda.

Nesses casos, a metodologia adotada foi a mesma dos institutos de países da comunidade europeia. Atribui-se ao domicílio fechado o número de moradores de outra residência que, inicialmente tinha sido considerada fechada e, depois, foi recenseada.

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