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Polícia indicia pai, madrasta e amiga por morte do menino Bernardo

Um mês após achar corpo de garoto no RS, Polícia Civil apresenta à Justiça relatório final de investigação com três incriminados por homicídio

(Atualizado às 21h36)

Um mês depois de encontrar o corpo do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, no interior do Rio Grande do Sul, a Polícia Civil indiciou três pessoas nesta terça-feira por homicídio qualificado: o pai, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e a assistente social Edelvânia Wirganovicz, amiga do casal. Preso no sábado, o irmão de Edelvânia, Evandro Wirganovicz, segue sendo investigado.

Os três suspeitos estão presos temporariamente e devem ter a prisão renovada pela Justiça ainda nesta terça-feira. O relatório final da investigação conduzida pela delegada Caroline Bamberg Machado foi encaminhado ao Ministério Público. O documento com onze volumes e mais de 2.000 páginas servirá de base para os promotores decidirem se denunciam ou não os três suspeitos à 1ª Vara Judicial de Três Passos (RS). Caso a acusação seja aceita pela Justiça, eles devem ir a júri popular.

Indiciados pela morte do menino Bernardo Boldrini

LEANDRO BOLDRINI, pai

Indiciado por crime de homicídio qualificado e de ocultação de cadáver, como mentor

GRACIELE UGULINI, madrasta

Indiciada como mentora e executora do crime de homicídio qualificado, mais ocultação de cadáver

EDELVÂNIA WIRGANOVICZ, amiga da madrasta

Indiciada como executora do homicídio qualificado e da ocultação de cadáver

A madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, foi acusada de ter planejado o crime e executado o enteado ao dar medicamentos sedativos em sequência. Ela admitiu em depoimento ter medicado o garoto, mas afirmou que a morte “foi acidental”. Segundo a polícia, Graciele teve auxílio de pelo menos uma cúmplice para executar Bernardo e ocultar o corpo: a assistente social Edelvânia, que confessou participação. O pai de Bernardo é acusado de ter acobertado o crime por meio de telefonemas simulados e ao dar queixa do sumiço do filho à polícia. Boldrini diz ser inocente, mas foi indiciado pelo homicídio como um dos mentores da ocultação do cadáver.

O advogado Demetryus Grapiglia, que defende Edelvânia no caso, afirmou que previa o indiciamento por homicídio, assim como é previsível que o Ministério Público apresente esta denúncia contra sua cliente. “Se os jurados vão comprar a história, é outra coisa”, observou. Ele sustenta que Edelvânia é apenas culpada por ocultação de cadáver.

A polícia não indiciou o último suspeito preso, Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, que permanece em prisão temporária. Ele teria aberto a cova onde o corpo foi enterrado. Evandro nega, mas ainda será investigado.

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O caso – O cadáver do menino Bernardo Boldrini foi encontrado no dia 14 de abril, enterrado em uma cova improvisada na beira de um rio em Frederico Westphalen, cidade vizinha a Três Passos (RS) – onde a família morava. Ele já estava morto há dez dias, segundo atestou a certidão de óbito. A Polícia Civil começou a procurar por Bernardo no dia 6 de abril, um domingo, após o pai dar queixa sobre o suposto desaparecimento do filho. Segundo a versão de Leandro Boldrini, o filho teria ido passar o fim de semana na casa de um amigo e não retornou. Policiais passaram a fazer buscas por Bernardo e a investigar os últimos passos do menino e de familiares, inclusive o pai e a madrasta.

Os investigadores só encontraram o corpo do menino, porém, depois de interrogarem a assistente social Edelvânia, amiga da madrasta. Edelvânia confessou ter participado do crime e indicou a localização do corpo. A assistente social relatou à Polícia Civil que a madrasta queria fazer o menino dormir e, por isso, tentou dopar Bernardo em Três Passos, antes de levá-lo de carro a Frederico Westphalen. Graciele enganou o menino, dizendo que o levaria para comprar uma TV. Na estrada entre as cidades, a madrasta foi multada – momento em que um policial avistou o garoto acordado. Edelvânia também disse que Graciele repetiu a dose ao chegar ao município vizinho e depois aplicou uma injeção letal em Bernardo. Graciele confessou aos investigadores que deu medicamentos três vezes seguidas ao garoto de 11 anos, mas alegou que ele que morreu “acidentalmente”. Um laudo da perícia feito em tecidos retirados do cadáver apontou a presença do sedativo midazolam no organismo do menino.