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Polícia encontra máquina de cartão e notebook em presídio no Paraguai

País vizinho vive crise no sistema penitenciário devido a expansão do PCC nas cadeias locais

A polícia paraguaia fez na madrugada da última quarta-feira 28 uma megaoperação de vistoria nos seis principais presídios do país após receber informações de que estava em execução um suposto plano de rebeliões em série. Na ação, foram apreendidas centenas de objetos, entre armas, celulares, drogas e bebidas alcoólicas. Mas o que mais chamou a atenção das autoridades foi uma máquina de cartão de débito e crédito e três notebooks.

Segundo os investigadores, a “maquininha” era usada para transações de cartões roubados, que também foram encontrados nas celas. O objeto foi encontrado no presídio de Tacumbú e pertencia ao colombiano Walter León Duque, condenado por tráfico de drogas, conforme as investigações.

O Paraguai vive hoje uma crise no sistema penitenciário, com superlotação, falta de efetivo e corrupção de agentes penitenciários. O problema foi agravado nos últimos anos devido à deflagração de uma guerra entre facções criminosas pelo controle das cadeias – na disputa pelo poder, há organizações conhecidas dos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho.

Em junho, dez detentos foram mortos no presídio de San Pedro do Ycuamandiyú no maior massacre já registrado em penitenciárias paraguaias. Como se tornou comum no sistema penitenciário brasileiro, as execuções foram feitas com requintes de crueldade – cinco presos foram decapitados e três tiveram os corpos queimados. O Ministério Público paraguaio responsabilizou 28 presos vinculados ao PCC pela matança.

O ministro da Justiça, Julio Javier Rio celebrou a operação de ontem, frisando que não houve nenhum incidente. Em uma vistoria anterior feita em Tacumbú, presos que possuíam chaves e cadeados de um pavilhão chegaram a impedir a entrada da polícia ameaçando fazer motim.

Segundo o ministro, os objetos ilegais entraram no presídio pela mão das visitas dos detentos e de agentes penitenciários corruptos. “Infelizmente, alguns dos servidores permitem a entrada desse tipo de objeto, mas estamos trabalhando para combater isso”, disse ele. A ação contou com 1.000 policiais e 200 agentes penitenciários.