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PF acha documento em que produtora de ‘Dark Horse’ relata sofrer pressões para delatar

'Se eu não fizesse delação premiada, assumindo que alguma irregularidade teria ocorrido no filme, eu poderia ser alvo de operações policiais', diz Karina Gama

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 set 2026, 12h38 | Atualizado em 10 set 2026, 14h37
PF acha documento em que produtora de ‘Dark Horse’ relata sofrer pressões para delatar Priorizar nos meus resultados Google

Ao cumprir mandados de busca, nesta quinta-feira, contra Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, os investigadores da Polícia Federal apreenderam um documento de quatro páginas em que empresária responsável pelo filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, relata pressões que recebeu para delatar Flávio Bolsonaro.

O documento não apresenta provas, mas é uma declaração juramentada em que a empresária cita abordagens do empresário Fernando Sarney, de um pastor evangélico e de um jornalista que teriam tentando convencê-la a fechar um acordo de delação premiada para não ser prejudicada nas investigações sobre possíveis desvios de verbas do filme.

Segundo Karina, o empresário do Maranhão e filho do ex-presidente José Sarney se apresentou como alguém que “possui grande proximidade com o ministro Flávio Dino” e que poderia oferecer apoio jurídico, caso a produtora decidisse delatar. ”

“No dia 20 de maio de 2026, fui procurada pelo Dr. Fernando Sarney. Não o atendi naquela oportunidade, tendo o contato efetivamente ocorrido apenas no dia 22 de maio de 2026, às 9h07. Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma ‘delação premiada'”, diz o documento.

“Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida. Minha posição sempre foi a de esclarecer os fatos mediante a apresentação dos documentos pertinentes e o regular exercício do direito de defesa”, segue Karina.

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Ainda no documento, a empresária afirma que a referência à proximidade de Fernando Sarney com Dino “partiu exclusivamente do próprio Dr. Fernando Sarney”. “Não presenciei qualquer conversa entre ambos e não possuo elementos próprios que me permitam afirmar que o Ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento nesse contato.”, segue Karina.

Ao Radar, Fernando Sarney negou o episódio, disse que sequer conhece a empresária e afirmou que o relato “não faz sentido nenhum”.

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Outro personagem que abordou Karina, segundo o documento, foi um pastor conhecido da empresária que “afirmou possuir proximidade com pessoas integrantes do Governo Federal e com ministros do Supremo Tribunal Federal”.

Relatou-me que teria conversado com pessoas ligadas a essas autoridades e que lhe teriam solicitado que entrasse em contato comigo para transmitir a possibilidade de realização de uma ‘delação premiada’, apresentada, segundo suas palavras, como uma forma de me retirar do risco de uma possível ‘complicação’. Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma ‘delação premiada’, nada ocorreria comigo e eu não seria alvo de nenhuma operação policial”, segue Karina.

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A conversa com o religioso se deu no dia 27 de agosto de 2026, às 11h22. “Recebi ligação telefônica de um pastor e amigo de longa data, que demonstrou preocupação com minha situação”, registra a empresária.

O terceiro contato em que a produtora alega ter sido abordada com conselhos sobre uma possível delação se deu numa conversa com um jornalista que “já havia anteriormente formulado questionamentos relacionados à possibilidade de eu realizar uma delação premiada, no sentido de me incentivar a realizar tal procedimento”.

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“Nesse novo contato, afirmou que eu estaria ‘servindo de bucha de canhão para o candidato’, em aparente referência ao contexto político relacionado aos fatos atualmente investigados, dando a entender que, se eu não fizesse nenhuma colaboração premiada, eu poderia ser alvo de medidas judiciais”, relata Karina.

A empresária justifica no documento encontrado pela PF que a “proximidade temporal e a convergência temática entre esses contatos causaram-me preocupação e fundado receio quanto à possibilidade de que minha situação jurídica venha a sofrer interferências ou pressões externas de natureza política, especialmente diante da referência feita à celebração de colaboração premiada como meio para evitar uma possível ‘complicação'”.

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“Segundo o contexto que me foi apresentado por tais interlocutores, se eu não fizesse uma delação premiada, assumindo que alguma irregularidade teria ocorrido na produção do filme, o que seria equivalente a dizer mentiras, eu poderia ser alvo de operações policiais contra a minha pessoa. Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito. E estou registrando aqui aquilo que efetivamente me foi comunicado por terceiros, justamente para preservar contemporaneamente os fatos e permitir sua posterior verificação pelas autoridades competentes, caso necessário”, diz Karina.

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