Fernando Sarney nega que tenha proposto delação à produtora do filme Dark Horse
Empresário disse não conhecer dona de produtora e que relato 'não faz sentido nenhum'
O empresário Fernando Sarney negou ao Radar ter proposto uma delação premiada à empresária Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, como ela relatou em um documento apreendido pela PF.
A produtora foi responsável pelo filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF investiga se o filme recebeu recursos de emendas parlamentares.
Sarney disse que não conhece Karina e nunca teve qualquer tipo de contato com ela.
“Eu não conheço essa pessoa, a Karina. Não conheço, nunca vi, nunca tratei nada”, relatou, reforçando depois: “Não tenho a menor relação, não conheço, nunca vi”.
No documento apreendido, Karina relatou ter sido procurada por Sarney em maio, com a oferta de uma delação. O texto não apresenta provas, mas é uma declaração juramentada da empresária.
Segundo o relato, o empresário do Maranhão e filho do ex-presidente José Sarney se apresentou como alguém que “possui grande proximidade com o ministro Flávio Dino” e que poderia oferecer apoio jurídico, caso a produtora decidisse delatar.
“No dia 20 de maio de 2026, fui procurada pelo Dr. Fernando Sarney. Não o atendi naquela oportunidade, tendo o contato efetivamente ocorrido apenas no dia 22 de maio de 2026, às 9h07. Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma ‘delação premiada'”, diz o documento.
“Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida. Minha posição sempre foi a de esclarecer os fatos mediante a apresentação dos documentos pertinentes e o regular exercício do direito de defesa”, segue Karina.
Sarney, contudo, diz que a suposta proximidade com Dino “não faz sentido nenhum” porque os dois foram adversários no Maranhão.
“Não faz sentido nenhum, pelo contrário. A gente foi adversário aqui no Maranhão a vida inteira”, afirma.
Ainda no documento, a empresária afirma que a referência à suposta proximidade com o ministro “partiu exclusivamente do próprio Dr. Fernando Sarney”. “Não presenciei qualquer conversa entre ambos e não possuo elementos próprios que me permitam afirmar que o ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento nesse contato”, segue Karina.
Em nota, Fernando Sarney reforçou que não conhece Karina e que o relato é “inverossímil”.
“Não conheço a Sra. Karina Gama e jamais mantive contato com ela ou com qualquer outra pessoa sobre suposta delação premiada envolvendo a produção audiovisual ‘Dark Horse’. Também é inverossímil – e completamente absurda – a informação de que eu teria me apresentado como ‘pessoa com grande proximidade do ministro Flávio Dino'”, diz o texto.







