O número recorde de estrangeiros em prisões brasileiras; veja ranking de países de origem
País tem mais de 3.000 detentos de outras nacionalidades
Território extenso e fronteiras com dez países fizeram do Brasil um lugar de refúgio para diversos criminosos que atuam em seus seus países de origem — e também aqui — e até grandes mafiosos de origem italiana, chinesa e mexicana. Os números disponibilizados pelo Ministério da Justiça mostram esse cenário. De acordo com dados, as penitenciárias brasileiras somam 2.897 presos de diversas nacionalidades. Outros 327 estão em regime domiciliar (com ou sem monitoramento). No total, 3.224 custodiados de outros países — maior número da série histórica iniciada em 2016 pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
Os dados mais recentes, de 2025, mostram que venezuelanos lideram a lista com 703 caos de presos ou em regime cautelar. Autoridades de Roraima, principal entrada dos vizinhos ao Norte, afirmam que a crise humanitária que afeta o país fez com que milhares de pessoas deixassem a Venezuela, o que inclui bandidos que se aproveitam da fronteira seca, ou seja, sem fiscalização fixa. De acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), entre 2015 e 2024, quase 570 mil venezuelanos entraram no Brasil.
A principal organização criminosa da Venezuela, o Tren de Aragua, já atua no Brasil — em parceria com o Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo. Como VEJA mostrou, a Justiça em Roraima manteve a prisão de uma mulher que usou carteira falsa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para entrar em cadeias e atender criminosos ligados ao Tren de Aragua e também ao Comando Vermelho.
Publicado em VEJA de 30 de janeiro de 2026, edição nº 2980, reportagem de VEJA mostra que país tem quase 300 mil mandados de prisão em aberto. A matéria mostra ainda por que o país sempre foi visto como uma espécie de paraíso para foragidos. Um dos casos mais célebres é o do britânico Ronald Biggs, famoso por assaltar o trem pagador no Reino Unido em 1963, e tratado por aqui como celebridade. Relatórios obtidos por VEJA mostram ainda que autoridades públicas brasileiras prenderam até terroristas em São Paulo nos últimos anos. Em 2019, um criminoso da Turquia e em 2024 um do Egito.
Em casos de crimes cometidos no exterior e fuga para o Brasil, o país pode solicitar a extradição ao governo brasileiro. A Constituição Federal de 1988 estabelece que o Supremo Tribunal Federal (STF) é o órgão responsável por processar e julgar as extradições solicitadas.





