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Moraes suspende saidinha temporária de hacker Walter Delgatti de presídio

Ministro atende a parecer da PGR, que afirma que não foram cumpridos requisitos legais para o benefício

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 mar 2026, 13h40 • Atualizado em 17 mar 2026, 13h41
  • O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a “saidinha” temporária concedida a Walter Delgatti Neto, conhecido como o hacker de Araraquara.

    A decisão leva em consideração um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Preso na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo, Delgatti usufruiria do benefício pela primeira vez nesta terça-feira, 17.

    Na resolução, da última sexta, 13, Moraes afirma que não foram cumpridos os requisitos legais para a concessão da saída temporária.

    “O pedido formulado pelo apenado Walter Delgatti Neto, de saída temporária, deve ser indeferido, uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais para a sua concessão, conforme o parecer da Procuradoria-Geral da República”, diz o magistrado.

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    Como parte desses requisitos, Moraes cita, ainda, que não foram apresentados documentos que comprovassem a motivação do benefício — entre eles a participação de Delgatti em atividades educacionais, previstas na Lei de Execução Penal.

    “A Procuradoria-Geral da República, em sua manifestação, apontou que, embora o apenado esteja cumprindo pena em regime semiaberto, o estabelecimento prisional apresentou informação genérica. A indicação foi apenas do período em que ocorreria a saída temporária (17 de março de 2026 a 23 de março de 2026), sem especificar e comprovar a finalidade legalmente exigida pelo art. 122 da LEP, qual seja, a frequência em curso supletivo profissionalizante, de ensino médio ou de nível superior”, prosseguiu o ministro.

    No início de março, a Justiça havia autorizado a primeira saída de Delgatti, com o uso de tornozeleira eletrônica. A autorização foi outorgada em documento protocolado pelo chefe da divisão da P2 de Tremembé.

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    Semiaberto

    Em janeiro, Moraes havia concedido a progressão de regime para o semiaberto a Delgatti após o detento ter cumprido a porcentagem mínima da pena.

    O hacker foi condenado a nove anos e, de acordo com a lei, precisava cumprir 25% da pena para obter a progressão do fechado para o semiaberto. “Na presente hipótese, estão presentes todos os requisitos legais exigidos para a progressão do sentenciado ao regime semi-aberto de cumprimento de sua pena privativa de liberdade. O requisito objetivo, consistente no cumprimento de 20% da pena privativa de liberdade imposta – uma vez que o apenado é reincidente e o crime foi cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça – foi cumprido”, diz trecho da decisão de Moraes.

    Invasão

    Natural da cidade paulista de Araraquara, Delgatti foi condenado pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao lado da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

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    O hacker ficou conhecido nacionalmente por divulgar mensagens trocadas entre membros da força-tarefa da Lava Jato, revelando que acusação e juiz conversavam e combinavam os próximos passos que definiriam o destino dos investigados. O episódio, que ficou conhecido como Vaza Jato, foi usado para anular várias condenações por corrupção. Delgatti responde judicialmente pelos vazamentos, mas o caso está em fase de recursos.

    Durante o mandato de Jair Bolsonaro na presidência, o hacker foi procurado pela então deputada Carla Zambelli, que lhe ofereceu uma quantia em dinheiro para que ele invadisse os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ideia da agora ex-deputada era mostrar a suposta vulnerabilidade do sistema eleitoral brasileiro. A tese, infundada, de que as urnas eletrônicas não são confiáveis sempre foi levantada pelo ex-presidente para instigar a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

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