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Janot pede ao STF arquivamento de inquérito contra Pedro Paulo

Candidato do PMDB à à prefeitura do Rio é alvo de inquérito por ter agredido a ex-mulher em 2010. Só resta ao STF acatar o pedido do MPF

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito que investiga o candidato à prefeitura do Rio de Janeiro Pedro Paulo Carvalho (PMDB), pupilo do prefeito carioca, Eduardo Paes (PMDB), por ter agredido a ex-mulher, Alexandra Marcondes. Na manifestação enviada ao relator do inquérito no STF, ministro Luiz Fux, Janot se baseia nas novas versões para o caso dadas pela babá da filha do ex-casal, pelo perito que examinou a ex-mulher de Carvalho na primeira vez em que teria sido agredida, em fevereiro de 2010, e pela própria Alexandra.

A reviravolta no caso revelado pelo site de VEJA em outubro de 2015 começou quando a ex-mulher de Pedro Paulo gravou um vídeo dizendo que foi ela quem o agrediu após descobrir uma traição. “Ouvida no intuito de justificar as sucessivas alterações na sua versão sobre os fatos, a Sra. Alexandra Marcondes foi peremptória ao negar ter sido agredida por seu então marido. Na ocasião, atribuiu as próprias lesões a movimentos de defesa de Pedro Paulo”, diz o documento remetido pelo Procurador-Geral ao Supremo, a respeito do depoimento prestado por Alexandra no inquérito.

Quanto à oitiva em juízo da babá Ana Paula Bernardes, testemunha de defesa de Alexandra em 2010, Rodrigo Janot escreveu que “especialmente na parte em que diz ter presenciado Pedro Paulo agredir a esposa com socos e chutes, alegou ter feito aquelas declarações a pedido de Alexandra”.

Já o legista Francisco Mourão, que disse ao site de VEJA não se lembrar do laudo em que detalhou o estado de Alexandra após as agressões, afirmou em depoimento no inquérito que errou ao usar o termo “avulsão” para descrever uma lesão no dente de número 22 dela. “Eu infelizmente coloquei o termo errado. Eu fui fazer exame nessa pessoa às duas horas da manhã depois de um exaustivo trabalho lá no IML”, justificou Mourão. Sua nova versão vai de encontro a o que um parecerista contratado pela defesa de Pedro Paulo concluiu sobre o laudo que leva sua assinatura.

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Para Janot, tomados os depoimentos de Alexandra, Ana Paula e Francisco Mourão, “ganhou peso a tese defensiva no sentido de que as lesões verificadas em exame de corpo de delito a que foi submetida a suposta vítima seriam decorrentes de atitude defensiva do investigado”. Ainda sobre os supostos movimentos de defesa de Pedro Paulo que teriam ferido Alexandra, o Procurador-Geral da República reforça que “é preciso que a conduta do autor seja praticada com vontade consciente de atentar contra a higidez física da vítima”.

Como o chefe do Ministério Público Federal, titular da ação que investiga o candidato peemedebista, pediu o arquivamento do inquérito, só resta ao STF aceitá-lo.

Não foi a primeira vez – De acordo com os primeiros testemunhos da babá e de Alexandra Marcondes, Pedro Paulo a teria agredido a socos e pontapés após ser informado por Alexandra de que ela pediria o divórcio após uma traição dele. A ocorrência policial foi registrada em 2010 e se refere a uma briga no final da tarde do dia 6 de fevereiro daquele ano, quando Pedro Paulo ocupava o posto de secretário da Casa Civil de Paes.

“É importante dizer que foi um episódio único na minha vida. Jamais tive qualquer atitude dessa com minha mulher, meus filhos. Não tenho uma atitude de violência antes e depois desse episódio”, disse o candidato do PMDB à prefeitura do Rio ao admitir ter agredido a ex-mulher.

O momento de “descontrole”, no entanto, não foi o único, nem o primeiro, como revelou o site de VEJA em novembro do ano passado. O boletim de ocorrência número 6304/2008, registrado na 43ª DP (Cidade Ademar), na Zona Sul de São Paulo, indica que, por volta de 1h30 do dia 26 de dezembro de 2008, Pedro Paulo já havia agredido Alexandra.