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‘O governo tem o direito de propor aumento do IOF, sim’, diz Lula

Petista defendeu decisão do governo de recorrer ao STF para tentar reverter a derrota imposta pelo Congresso

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2025, 08h37 • Atualizado em 2 jul 2025, 08h49
  • Um dia depois de decidir recorrer ao STF para reverter a derrota imposta pelo Parlamento ao governo na questão do IOF, o presidente Lula defendeu a iniciativa, criticada por líderes partidários do governo e da oposição.

    “O presidente da República tem que governar o país. E decreto é uma coisa do presidente da República. Você pode ter um decreto legislativo quando você tem uma coisa que fira muito a Constituição, o que não é o caso. O governo brasileiro tem o direito de propor aumento do IOF, sim”, disse Lula, durante entrevista para a TV Bahia, em Salvador.

    O aumento de carga tributária quebra a promessa feita por Fernando Haddad e pelo próprio Lula no início do governo, quando apresentaram um modelo de controle fiscal ancorado no aumento de arrecadação. Naqueles dias de 2023, a gestão petista garantiu que não iria aumentar impostos para fechar as contas sem ter que cortar gastos.

    Nesta quarta, Lula chamou o aumento de imposto de “ajuste tributário” para que ricos paguem um pouco mais. A estratégia petista é confrontar o Congresso com um discurso de “justiça social”, que estimula a polarização entre pobre e ricos e acusa deputados e senadores de atuarem para preservar desigualdades e favorecer o que Lula chamou, nesta terça, de “indústria do lobby” no Parlamento.

    O dado concreto é que interesses de poucos prevaleceram dentro da Câmara e do Senado, o que eu acho um absurdo”, disse Lula nesta quarta.

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    Com minoria parlamentar, Lula admitiu ter buscado o Judiciário para evitar a desmoralização completa de seus poderes a um ano e meio do fim do mandato. Como o Radar mostrou ontem, o petista foi pressionado por aliados a pedir socorro ao STF para não ter de se ajoelhar ao amplo cordão de centro e de direita formado no Legislativo contra interesses do Planalto.

    “Se eu não entrar com recurso no poder Judiciário, se eu não for à Suprema Corte, eu não governo mais o país. Esse é o problema”, disse Lula.

    Num recado direto ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que criticou a postura do governo de estimular uma “polarização social” e investir no “nós contra eles”, Lula disse nesta terça, depois de criticar o lobby no Parlamento, que “paga um preço” por ser honesto.

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