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Em apenas nove meses, fogo no Pantanal bate recorde anual, que era de 2005

Segundo o Inpe, foram registrados até agora 18.259 focos de queimada; com temperaturas próximas a 40 graus, chamas continuam se espalhando na região

Por Eduardo Gonçalves - 1 out 2020, 15h53

Aquela que deveria ser a maior planície úmida do mundo, o Pantanal, continua ardendo em chamas e colecionando tristes marcos históricos. Em nove meses, o bioma bateu o recorde anual de focos de queimada: 18.259. O número é o maior já registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde 1998, quando o órgão começou a computar os dados. A situação mais catatósfrica até então havia sido registrada em 2005, com 12.536 focos de incêndio para 12 meses.

E o fogo não dá sinais de recuo. Com temperaturas que beiram os 40 graus, ventos fortes e chuvas escassas, os estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul continuam sofrendo com o avanço do fogo. Nesta quarta-feira, 30, os satélites utilizados pelo Inpe identificaram 682 focos ativos de queimada.

“O aumento é de quase 200%, levando em conta que em 2019 já teve aumento de mais de 320% em relação a 2018”, disse o coordenador-substituto do Programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira. “Em 2020 o número de focos já ultrapassou qualquer outro ano que tínhamos registrado na série histórica”.

Levando em conta a área destruída, 23% do bioma já foi consumido pelo fogo, segundo cálculos aproximados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Isso equivale a 34.610 quilômetros quadrados, uma área de quase 22 vezes a cidade de São Paulo.

Para a fauna da região pantaneira, os danos são irreversíveis, além de também matar rebanhos das fazendas locais. As chamas consumiram boa parte da Fazenda São Francisco de Perigara, um dos maiores abrigos de araras-azuis, e o Parque Estadual Encontro das Águas, que tem a maior concentração de onças-pintadas do globo.

Nesta semana, os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aguardam a chegada de 80 bombeiros do Distrito Federal e Santa Catarina e de 41 brigadistas do Ibama. Se a temperatura elevada e a umidade baixa se mantiverem, o contingente não será suficiente para controlar as chamas. Segundo o coordenador do Inpe, existem hoje centenas de brigadistas “tentando o possível”, mas que o necessário era ter “dezenas de milhares de pessoas para conseguir enfrentar uma situação tão extensa, com distância de centenas de quilômetros entre os vários locais onde o satélite indica as queimadas”.

À medida que o fogo se espalha, os prejuízos só aumentam: o governo do Mato Grosso do Sul calculou que mais de 180 metros de pontes de madeira já viraram cinzas. O secretario do Meio Ambiente do estado, Jaime Verruck, que já chegou a dar declarações de que a situação estava mais controlada, afirmou que no último fim de semana chegou-se a uma condição “extremamente dramática”.

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