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Eduardo Paes: Pedro Paulo no Rio, em 2016; Serra no Planalto, em 2018

Apesar de críticas, prefeito do Rio afirma que não desistirá de tentar eleger como substituto seu secretário, que admitiu agressões à ex-mulher. E arremata: "O único político da elite carioca que tem sensibilidade sou eu"

Por Por Thiago Prado, do Rio de Janeiro 30 dez 2015, 14h22

Eduardo Paes começará o último ano da administração convicto de que vai emplacar o secretário Pedro Paulo Carvalho como seu sucessor na prefeitura do Rio de Janeiro. Apesar de Carvalho ter admitido as agressões, provocando uma avalanche de críticas, Paes considera que a população vai compará-lo aos adversários e acabará escolhendo o secretário. “Sei que ele não é um espancador de mulheres. Pedro Paulo não é violento, nem desequilibrado”, defende. Abaixo os principais trechos da conversa com VEJA:

Por que o senhor insiste no nome de Pedro Paulo para prefeito do Rio? Quero colocar alguém aqui que tenha a capacidade de conduzir isso, de acordar cedo, dormir tarde, de construir política pública de maneira decente. Há críticas que só eu posso fazer. Nasci no Jardim Botânico, estudei no Santo Agostinho, me formei na PUC, fiz intercâmbio, estudei na Europa. Eu acho a elite do Rio de Janeiro extremamente demofóbica. O único político da elite carioca que tem sensibilidade sou eu. Quero alguém que tenha a mesma sensibilidade política e que não seja um filho da elite desta cidade. Esse é o meu objetivo, não estou a fim de eleger alguém simplesmente por eleger. Não quero mostrar que “sou poderoso e elegi o prefeito do Rio”. Para eleger um prefeito do Rio que eu não tenha confiança, prefiro não eleger.

Mas só esse nome é palatável? Não, meu primeiro nome seria o governador Sérgio Cabral. Antes de lançar a candidatura do Pedro Paulo, quando terminou a eleição de 2014, fui falar com ele. Mas Cabral não quer ser candidato. E ele reitera isso, com a relação que temos, ele não precisaria mentir para mim. O nome que eu tenho hoje é o Pedro Paulo. Então assim, não tenho alternativa, não tenho, não tenho.

Mas a insistência nesse nome não coloca em risco o seu projeto para a cidade? Prefiro não ser conivente com o risco, quero ser adversário do risco. A população vai ter que escolher: ela quer o bispo (Marcelo) Crivella, representante do bispo (Edir) Macedo aqui, ou quer um gestor feito o Pedro Paulo? Ou quer um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, esse papo meio Beto Guedes do (Marcelo) Freixo… Ele é um bom cara até, mas tem visão atrasada. Então quero lutar para colocar o Pedro Paulo aqui (aponta para a cadeira de prefeito). Soma-se a isso o fato de eu ter a convicção de que esse perfil que se pintou dele não é real. Ele não é um cara violento e desequilibrado. Sei que ele não é um espancador de mulheres. Vamos enfrentar o debate político. Daqui a pouco vão querer exigir que o candidato tenha que sair do ventre da mãe.

Mesmo com pesquisas em mãos perto da eleição, correndo o risco de perder, você não cogita pensar em um plano B? Não. Estou sendo honesto. Essa seria a hora mais confortável para dizer que tenho um plano B, até para pararem de encher o saco do cara. Eu não penso em plano B, tampouco Cabral e (Jorge) Picciani, que são as cabeças que tomam as decisões no partido. Temos convicção de que estamos apresentando o melhor quadro para a cidade. Essa história de achar que eu estou segurando a candidatura do Pedro insanamente não é verdade. O Cabral foi muito mais enfático do que eu.

Mas e se Pedro Paulo perder? Se perder, perdeu. O povo que decide, democracia é assim. Eleição nunca se disputa com certeza absoluta.

O senhor falou dos adversários Freixo e Crivella. Não acha que Aécio Neves também construirá uma candidatura forte no Rio? Vai construir a partir de Ipanema, achando que a realidade do Rio é a Vieira Souto. São forças políticas que não conhecem a realidade da cidade. Gosto muito do Aécio, mas ele foi bobo comigo. Não liguei em 2008 e 2012, quando ele apoiou o (Fernando) Gabeira e o Otávio Leite contra mim.

A Rede também? Respeito a todos, mas não me assusta também.

E em 2018, já definiu o que pretende fazer? Está muito longe ainda. Jose Serra é hoje o maior quadro brasileiro. Sou doido para que ele venha candidato a presidente em 2018 pelo PMDB e eu como governador.

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