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Caso Henry: Monique, mãe do menino, testa positivo para Covid-19 na prisão

Informação foi confirmada pela secretaria que administra penitenciárias no Estado do Rio; ela ficará internada para acompanhamento médico

Por Marina Lang, Sofia Cerqueira 20 abr 2021, 09h39

A professora Monique Medeiros, de 33 anos, testou positivo para Covid-19 no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, na noite de segunda-feira, 19. Ela é mãe do pequeno Henry Borel, de 4 anos, morto na madrugada de 8 de março após uma sessão de espancamentos no apartamento onde vivia com ela e com o padrasto, o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. O casal está preso pelo crime e vai responder por homicídio duplamente qualificado e tortura.

A contaminação da mãe de Henry pelo novo coronavírus foi confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), que faz a gestão das unidades prisionais no Estado do Rio. Monique foi encaminhada ao Hospital Penal Hamilton Agostinho, no Complexo de Gericinó, em Bangu (Zona Oeste do Rio), após solicitar atendimento médico. Lá, foi diagnosticada com a doença e internada para acompanhamento clínico.

Procurada por VEJA, a defesa declarou que está a caminho da penitenciária na manhã desta terça-feira, 20, para verificar o estado de saúde da professora.

A mãe de Henry vem recebendo ameaças de outras detentas. Na noite da última quinta-feira, 15, ela solicitou à diretoria do presídio de Niterói a transferência para uma penitenciária federal em decorrência disso. Monique se contaminou durante o isolamento dos outros presos em função dos protocolos sanitários, que neste caso prevê uma quarentena de 14 dias, devido à pandemia.

A professora – acostumada a frequentar restaurantes e hotéis de luxo com o parlamentar e vaidosa ao extremo, a ponto de ir ao salão no dia seguinte do enterro do único filho – hoje ocupa uma cela de 6 metros quadrados que, curiosamente, tem as paredes pintadas de cor de rosa. Lá, conta com um beliche, um chuveiro com água fria, uma pia e um vaso sanitário. Na semana passada, ela precisou ser levada um dia ao hospital em decorrência de uma infecção urinária.

Desde que Monique e Dr. Jairinho foram presos, surgiram denúncias que o casal estaria tendo privilégios. O diretor da Cadeia José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do Rio, foi exonerado na última quarta-feira após terem vazado informações de que os dois gozaram de regalias naquela instituição, conhecida como principal porta de entrada do sistema prisional do Rio. É ali, por exemplo, que os recém-presos são levados para passar por audiência de custódia. Dr. Jairinho, que agora está no Presídio Petrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, teria ficado em uma sala de um diretor durante aquela triagem inicial e Monique, em um outro ambiente. Os dois não foram encaminhados para celas, o que é o procedimento padrão.

De acordo com a Seap, o diretor pediu afastamento do cargo “após discordar das denúncias de supostos privilégios”. A Secretaria de Administração Penitenciária informou que todas as imagens de câmeras de segurança da cadeia pública foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Rio. Em uma delas, Dr. Jairinho aparece recebendo um sanduíche das mãos do próprio diretor da unidade, Ricardo Larrubia da Gama, no meio da tarde do dia 8. Na semana passada, conforme revelou o programa SBT Rio e foi confirmado por VEJA, as fichas prisionais tanto do padrasto quanto da mãe de Henry não apresentavam fotos deles, outro fato que foge às regras de quem ingressa no sistema.

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