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Bolsonaro chama Macron de “sensacionalista” e “colonialista”

Presidente acirra choque com Paris sobre questão ambiental depois de o líder francês dizer que a Amazônia será tratada pelo G7

Por Denise Chrispim Marin 22 ago 2019, 20h52 | Atualizado em 3 jul 2026, 14h35
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Como esperado, o presidente Jair Bolsonaro não se calou diante da decisão de seu colega francês, Emmanuel Macron, de levar a questão dos incêndios na Amazônia à reunião de cúpula do G7, que se dará neste fim de semana em Biarritz. Pelo Twitter, o brasileiro queixou-se da falta de convite aos países da bacia amazônica,  afirmou que a iniciativa “evoca a mentalidade colonialista descabida no século XXI” e chamou Macron de “sensacionalista”.

Lamento que o presidente Macron busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazônia (apelando até para fotos falsas) não contribui em nada para a solução do problema”, escreveu Bolsonaro em um tuíte.

O governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7, sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”, completou em outro post.

Os textos claramente evidenciam autoria alheia a Bolsonaro. Não têm seu estilo nem seu vocabulário. Tampouco terá saído do Itamaraty, onde tradicionalmente uma resposta ao presidente da França seria tratada com o cuidado de não empurrar o atual atrito a uma crise diplomática. Mas os posts estão publicados no perfil do presidente no Twitter.

O conteúdo reforça o choque entre Bolsonaro e Macron em torno das questões de meio ambiente e de mudança do clima – atrito que pode contaminar as áreas de negócios e investimentos facilmente. Ataques mútuos surgiram na reunião de cúpula do G20, em junho passado no Japão. Macron ameaçara não assinar o tratado de livre comércio Mercosul-União Europeia — ainda em finalização na ocasião — se o Brasil abandonasse o Acordo de Paris. 

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Ambos se encontraram e conversaram informalmente no mesmo dia, momento em que o brasileiro ironicamente convidou o francês a visitar a Amazônia para checar o desmatamento. Mas tarde, o acordo comercial foi concluído e trouxe a cláusula de compromisso com o Acordo de Paris. 

No mês passado, o presidente brasileiro cancelou na última hora uma audiência com o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Jean-Yves Le Drian, e foi cortar cabelo. Não contente, postou no Facebook as imagens para reforçar seu descaso a Le Dryan. Mais tarde, Bolsonaro queixou-se do fato de Le Dryan ter visitado no Brasil organizações não governamentais ambientalistas.

Nos seus textos, Bolsonaro desconheceu o fato de que a europeia França é também um país amazônico, uma vez que um de seus territórios ultramarinhos é a Guiana Francesa, na fronteira norte do Brasil. Como tal, também sujeita a incêndios florestais vindos ou não do Brasil.

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Pouco antes, Bolsonaro compartilhara em seu perfil uma série de posts em inglês de seu assessor para Assuntos Internacionais, Filipe Martins. O conselheiro aconselha aos preocupados com a Amazônia a “pararem de espalhar mentiras”. “Deus não gosta de mentiras”, adverte o seguidor do guru da extrema direita, Olavo de Carvalho.

Martins apresenta dados concretos de que o desmatamento caiu entre 2004 e 2019 e de que o país é responsável por uma ínfima parcela das emissões de gases do efeito estufa. Mas omite as declarações anteriores do presidente Bolsonaro sobre a preservação e a exploração econômica da Amazônia, o respeito a terras indígenas e a própria veracidade do aquecimento global – os fatores que, na verdade, geraram as preocupações de governantes e ambientalistas sobre o futuro da Amazônia.

O assessor, ao contrário, chega a mencionar no seu oitavo post sobre o assunto que a agenda do governo do presidente Bolsonaro “está comprometida com o combate ao desmatamento ilegal e em avançar mais em ações concretas de proteção ao meio ambiente”.

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Por que Bolsonaro gosta tanto de brigar? Ouça a análise do jornalista Thomas Traumann

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