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‘Verdadeiro desastre’: queimadas na Amazônia ganham repercussão mundial

Acusações de Jair Bolsonaro contra ONGs também foram destaque em jornais e televisões estrangeiras

As notícias sobre queimadas e desmatamento na Amazônia ganharam enorme proporção internacional nos últimos dias, repercutindo em jornais e telejornais em todo o mundo. “Um verdadeiro desastre”, classificou o francês Le Monde.

“A Amazônia brasileira arde em um ritmo recorde”, diz o El País. “O fogo avança inclusive em áreas de proteção ambiental: somente essa semana foram registrados 68 incêndios em territórios indígenas e zonas de conservação, a maioria na Amazônia”, continua a reportagem do jornal espanhol.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados 74.155 incêndios na Amazônia desde janeiro, um aumento de 85% em relação ao mesmo período de 2018.

O americano The New York Times, assim como diversos outros veículos da imprensa internacional, chamaram a atenção para as declarações dadas pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira 21 sobre as queimadas.

“O presidente de extrema direita acusou organizações não-governamentais de colocar fogo na floresta depois que o governo retirou seu financiamento, apesar de não apresentar nenhuma evidência”, diz a reportagem.

“O desmatamento da Amazônia aumentou rapidamente desde que Bolsonaro, eleito em outubro, tomou posse e seu governo cortou os esforços para enfrentar atividades ilegais na floresta tropical”.

Segundo a revista alemã Der Spiegel, Bolsonaro desviou ao ser questionado sobre provas para suas acusações contra ambientalistas e ONGs. “Ele não tinha nada por escrito, era apenas um sentimento criado por ele”, diz a reportagem.

O americano The Washington Post lembrou que a Amazônia serve como “os pulmões do planeta, absorvendo dióxido de carbono, armazenando-o no solo e produzindo oxigênio”, e ressaltou que, sem a floresta, a mudança climática ocorreria a níveis acelerados.

O jornal ainda relatou o episódio registrado na tarde de segunda-feira 19 em São Paulo, quando o “dia virou noite” após a chegada de uma frente fria e também de partículas oriundas da fumaça produzida pelos incêndios florestais.

Pressão econômica

Já o Financial Times, importante jornal econômico dos Estados Unidos, publicou um artigo de opinião do economista e professor da Universidade de Oslo, Bård Harstad, sobre como a pressão internacional de outras nações e investidores pode ajudar a brecar o desmatamento e as queimadas no Brasil.

Segundo a reportagem, o mercado agropecuário brasileiro vem se beneficiando das constantes sinalizações dadas pelo governo Jair Bolsonaro sobre suas intenções de explorar a floresta economicamente.

“Essa é a lógica por trás da relutância do Brasil em continuar os acordos de pagamento por conservação com a Alemanha e a Noruega. Se esses acordos falharem, outros doadores em potencial serão desencorajados a investir em conservação”, diz o texto.

O artigo cobra então que investidores e, principalmente, blocos e nações que negociam acordos comerciais com o Brasil, exijam que o país conserve suas florestas. O economista usa como principal exemplo o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.

“Parceiros comerciais devem estabelecer garantias de que o acordo com o Mercosul, incluindo o Brasil, não será ratificado ao menos que políticas de conservação sejam reintroduzidas, leis sejam cumpridas e direitos indígenas respeitados, com monitoramento confiável e transparente”, diz.

Ministro vaiado

Uma reportagem publicada no site da emissora britânica BBC relata ainda o episódio registrado ontem na Semana Latino-Americana e Caribenha sobre Mudança do Clima, organizada pelas Nações Unidas em Salvador, Bahia, quando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi vaiado pela plateia.

“Alguns dos presentes na reunião gritaram ‘a região amazônica está queimando’, quando o Salles subiu no palco”, relatou a BBC. “Assim que seu nome foi anunciado, a maioria dos presentes na sessão de abertura do plenário vaiou e gritou, apenas algumas pessoas aplaudiram”.

Imagens antigas

Uma reportagem do jornal francês Le Monde analisou ainda as principais postagens sobre as queimadas e desmatamento na Amazônia feitas por celebridades e internautas nas redes sociais. Ontem, a hashtag #PrayForAmazonas ficou em primeiro lugar nos tópicos mais comentados no Twitter.

“Alguns posts, muitas vezes republicados de boa-fé, tornam-se virais. Mas eles não mostram exatamente a realidade. De fato, várias imagens impressionantes são anteriores aos incêndios que ocorrem atualmente na América do Sul”, afirma o Le Monde.

Segundo a reportagem, uma das fotos mais populares nas redes sociais, que mostra uma enorme cortina de fumaça saindo da floresta, é usada em artigos e matéria desde agosto de 2013.

A imagem foi compartilhada por muitas celebridades, entre elas o ator Leonardo DiCaprio e a modelo Gisele Bündchen.

O Le Monde ainda aponta outras fotos antigas usadas por internautas, algumas tiradas em 2010 e até 1989.

Comentários

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  1. Srto Elias Silva I

    Lamentável…pq até o agronegócio morrerá sem a floresta….

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  2. João Maurílio Peraça Toralles

    Muitos países vizinhos ao Brasil tiverem aumentos de queimadas em relação à média dos últimos cinco anos. Alguma coisa estranha pode estar acontecendo na região ou pode até estar havendo alguma inconsistência nos dados do satélite ou ainda se trata de um período climático com características bem distintas da dos períodos anteriores.
    Brasil teve aumento de 29%, Bolívia, 60%, Peru, 44% e Venezuela 39%.
    Diga-se de passagem que Venezuela e Bolívia são governos apoiados de forma incondicional pela esquerda brasileira.

    Fonte: INPE, dados até 21/08/2019.

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