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BC falha ao bloquear conta, mas investigado mostra o dinheiro

Ex-gerente da Petrobras e preso na Operação Abate, Márcio Cordeiro enviou extrato bancário ao juiz Sérgio Moro para provar que tem dinheiro no banco

No dia 28 de julho, o juiz Sérgio Moro, da Lava-Jato, determinou o bloqueio de até 6 milhões de reais nas contas sete pessoas investigadas na Operação Abate, entre elas o ex-gerente da Petrobras Márcio Albuquerque Aché Cordeiro e do ex-líder dos governos petistas de Lula e Dilma na Câmara, Cândido Vaccarezza. Eles foram presos por suspeita de receber propina em contratos da estatal. O juiz determinou que o Banco Central bloqueasse ativos mantidos em “contas e investimentos” dos investigados.

Vinte dias após a determinação do juiz Moro, foi enviado para a Justiça Federal em Curitiba o resultado do bloqueio de bens. O sistema BacenJud, que atende ao poder Judiciário, havia encontrado quatro contas de Márcio, nos bancos Santander, Caixa, Bradesco e Safra. Total do bloqueio em todas as quatro contas, informado pelo BC: 3.330 reais. O BC informou ao juiz que nenhuma instituição bancária deixou de informar sobre o pedido de bloqueio: “Não há não-respostas para este réu/executado”.

Ontem, coube ao próprio Márcio informar à Justiça que ele tem dinheiro no banco, sim. O ex-gerente da Petrobras enviou ao juiz Moro o extrato bancário com um saldo de 262 mil reais, mas que não foi identificado pelo BC durante o rastreamento para bloqueio de contas. Márcio informou ao juiz, por intermédio dos advogados, que ficou “surpreso” com o valor encontrado em suas contas bancárias, pois ele tinha ciência de ter mais de 250 mil aplicados. O dinheiro está numa conta da XP Investimentos.

“Dada a notícia de que apenas R$ 3.300,00 haviam sido bloqueados, o investigado se dirigiu à instituição onde mantinha suas economias, quando soube que sua aplicação permaneceu intacta, conforme extrato em que se segue anexo”. Márcio pede que Sérgio Moro analise a questão do bloqueio de bens novamente, agora considerando a apresentação dos extratos bancários. Na mesma petição, ele pede que o juiz reduza o valor de sua fiança, que é de 371 mil reais, para algo que se encaixe no valor do investimento que possui na XP.

Nas contas do ex-deputado Cândido Vaccarezza, em cinco bancos, o BC encontrou um total de 9.887 reais. Na casa do ex-líder dos governos de Lula e Dilma na Câmara, que fica na Mooca, em São Paulo, a Polícia Federal encontrou 122 mil reais em dinheiro. O Banco Central informou que atua como um “comunicador”, repassando à Justiça as informações enviadas pelos bancos. VEJA não conseguiu contato com a XP.