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Rio Grande do Sul Por Veja correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens gaúchos. Por Paula Sperb, de Porto Alegre

Escritora Clara Averbuck relata estupro por motorista da Uber

Empresa informou que o motorista responsável foi banido e que repudia qualquer tipo de violência contra mulheres

Por Paula Sperb - Atualizado em 28 ago 2017, 16h24 - Publicado em 28 ago 2017, 15h18

“Virei estatística de novo”, escreveu a escritora gaúcha Clara Averbuck, de 38 anos, relatando ter sido estuprada por um motorista da Uber, em São Paulo. “O nojento do motorista do Uber [sic] aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando ‘a bêbada’”, contou sobre o episódio no seu perfil do Facebook. No Brasil, a cada hora ocorrem cinco estupros segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Procurada por VEJA, a empresa afirmou que baniu o motorista responsável. “A Uber repudia qualquer tipo de violência contra mulheres. O motorista parceiro foi banido e estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher”, afirmou a empresa em nota. A escritora escreveu em seu Twitter que a Uber já entrou em contato com ela.

A empresa de transporte contabiliza 15 milhões de usuários mensalmente ativos no Brasil. O serviço está disponível em 70 cidades, incluindo todas as capitais. São Paulo é a cidade que mais faz viagens através da Uber no mundo.

“Estou com o olho roxo e a culpa de ter bebido e me colocado em posição vulnerável não me larga. A culpa não é minha. Eu sei. A dor, a raiva e a impotência também não me largam. Estou falando tudo isso para que todas as que me leem saibam que pode acontecer com qualquer uma, a qualquer momento, e que o desamparo e o desespero são inevitáveis. O mundo é um lugar horrível para ser mulher”, escreveu Clara.

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A escritora escreveu que ainda está avaliando se registrará o caso na polícia. “Estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa delegacia da mulher ser questionada, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é que tem que provar. Não quero impunidade de criminoso sexual, mas também não quero me submeter à violência de Estado. Justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera”, argumentou.

“Fui violada de novo, violada porque sou mulher, violada porque estava vulnerável e mesmo que não estivesse poderia ter acontecido também”, desabafou a escritora ao relembrar um estupro sofrido na adolescência.

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