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Viva o Rio! Ou: Beltrame estava constrangido porque sabe que teve de trocar a UPP pela UPP do B!

Vamos lá. É evidente que eu me integro ao esforço patriótico contra a barbárie nas ruas e nas favelas do Rio. Sempre que os bandidos estiverem de um lado, eu estarei DE outro, mas não necessariamente DO lado de uma política oficial errada. Em 2006, em São Paulo, também foi assim. O PCC deu ordem […]

Vamos lá. É evidente que eu me integro ao esforço patriótico contra a barbárie nas ruas e nas favelas do Rio. Sempre que os bandidos estiverem de um lado, eu estarei DE outro, mas não necessariamente DO lado de uma política oficial errada. Em 2006, em São Paulo, também foi assim. O PCC deu ordem para barbarizar, a polícia foi para as ruas, botou ordem na bagunça. O que acho positivo desta vez, na comparação com o que se deu em São Paulo, é que não há, pelo menos até onde alcanço, jornalistas tentando ouvir advogado de bandido como se fosse o “outro lado”. Naquele caso, a desordem era, claramente, uma tentativa de influir nas eleições. Desta feita, reinou a paz pré-eleitoral — tanto é assim que as UPPs foram um cabo eleitoral e tanto —, e a confusão, estranhamente, se deu depois. Se eu fosse jornalista investigativo, veria um monte de chifre na cabeça desse cavalo. Isso parece jabuti na mão do Chico Buarque: há algo de estranho aí. Fica até parecendo que há reação a algum acordo não-cumprido.

Vi ontem no Jornal Nacional uma entrevista de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio. Ele sabe que teve de mudar a sua política, tanto que se nota certo constrangimento, ainda que isso não seja, de modo nenhum, explorado pela imprensa. O clima patriótico não deixa. QUAL ERA UMA DAS RESERVAS DESTE ESCRIBA CONTRA A TAL POLÍCIA PACIFICADORA? O governo se orgulhava, para júbilo dos “pacifistas”, de ocupar morros sem dar um tiro e sem prender ninguém. Aliás, o aviso era feito com antecedência. Quem achasse por bem deveria cair fora. E uma parte caía. O essencial ficava para negociar. Vocês leram em algum lugar que o tráfico está extinto nos morros “pacificados”?

Qual era a minha outra reserva com a política anterior? Se ninguém é preso, a bandidagem vai se alojar em outro lugar — convertida à “religião” da cidadania é que não foi. E foi o que vimos ontem nas imagens aéreas transmitidas pelo Jornal Nacional: um verdadeiro exército armado migrando da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão. Um dia, eu sei, a polícia chegará lá. Mas fica a pergunta: chegará como tem feito neta semana, PRENDENDO BANDIDOS (bem poucos ainda) ou chegará como vinha fazendo, ESPALHANDO OS BANDIDOS?

O jornalismo pode ignorar a MUDANÇA DA POLÍTICA, mas Beltrame, ele próprio, não ignora. Na declaração de ontem, afirmou que “prender bandido é importante, que apreender droga é importante, mas o mais importante é recuperar o território”. A frase está errada: a recuperação do território é o objetivo. E deve ser alcançado prendendo os bandidos e apreendendo as drogas. Não há uma hierarquia nessas ações. Ocorre que ele tenta, no discurso ao menos, conciliar a política de agora com a política de antes, passando a impressão de que se trata de um conjunto de ações, de continuidade.

E não é verdade. Os fatos me dão razão. O governo do Rio acreditou certamente que poderia haver milagre; que bandido com menos emprego no mundo crime — os pés de chinelo do tráfico das áreas “pacificadas” estão desempregados — talvez procurasse trabalho honesto. A escalada dos crimes comuns na cidade já sugeria que a coisa não era bem assim. E não era mesmo!

O lugar de toda aquela gente que vimos fugindo é a cadeia. Se não deu para prender hoje, que se tente amanhã, depois, quando for possível. O QUE CABRAL E BELTRAME NÃO PODEM MAIS É “PACIFICAR” ÁREAS TOMADAS PELO NARCOTRÁFICO SEM PRENDER NINGUÉM. ESSA POLÍTICA FOI PARA A CUCUIA. ATÉ PORQUE, SE DESSE CERTO PARA O RIO, SERIA UMA TRAGÉDIA PARA OS ESTADOS VIZINHOS: O RIO SE TORNARIA EXPORTADOR DO CRIME.

Beltrame estava ontem um tanto constrangido porque sabe que teve de trocar a UPP pela UPP, a Unidade de Polícia Pacificadora pela Unidade de Polícia Prendedora — que batizei aqui de “UPP do B”. Sempre destacando que prendeu muito pouco até agora. E bandido solto, como sempre adverti aqui, é um  problemão!

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  1. Comentado por:

    Gilson Gaúcho

    Achei o máximo quando o GloboNews entrevistou duas senhoras especialistas em segurança: uma antropóloga e uma
    socióloga. Para elas, a situação estava sob total controle do governo e os traficantes estavam descoordenados. Aliás, a Globonews adora entrevistar ONG´s e teóricos que não sabem empunhar uma agulha de tricot, quanto mais enfrentar a bandidagem. Se as forças policiais recuarem antes de prender e MATAR, se preciso for, aqueles bando armado até os dentes, será o colapso da civilização carioca. Aguardemos…

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  2. Comentado por:

    Turma do Bem

    Tem um senhor, que não vale a pena citar o nome, na imprensa televisiva, que expele atrocidades verborragicos como o seu lider que há muito o endeusa e também os seguidores deste. Ontem ficou um carneirinho ao relatar os fatos da violência no Rio desculpando o CAbral dos atos tido agora pela imprensa como herói. Como esse povinho petralha segue o comportamento direitinho no agir, no falar, no pensar, suas bravatas desse endemoniado governante mor. Culpam a entada de armas facilitadas. Por quem? Concordo, mas também concordo na incompetencia dos governantes, incluindo todos. MS faz fronteira com Bolívia e Paraguai a meca do contrabando,só que temos uma polícia operante e competente e bandido não tem vez, temos também um governo que não dá moleza e nosso maior policial corajoso competente do país que é o dr. Odilon jurado de morte pelos bandidos mas que não verga frente aos malfeitores e traficantes. O Estado tem know-how suficiente para exportar em termos de segurança contra narcotraficantes e bandidos.

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  3. Comentado por:

    Lidia

    Favelas só com UPP é o mesmo que policia sem revolver, não adianta nada.Ontém vi aquele bando de bandidos correndo pra outro morro e cadê a policia?????Dava pra ter prendido uns 200 pelo menos.Não tinha um único policial ou patrulha atrás deles e ô que tinha estrada e tudo, campo aberto e cadê o cerco policial armado até os dentes?????O problema de tudo isso é a base. Não dá para achar que as favelas não tem jeito.Elas precisam ser urbanizadas, vitalizadas com tudo o que uma cidade qquer tem, posto de saúde,padarias, comércio, mercados, hospital,bancos.O principal é o investimento e empenho politico para isso. Dinheiro é o grande problema de tudo de errado que está acontecendo no Brasil. O desgoverno não investe no ser humano e agora fica tendo que correr atrás do prejuizo.Essas favelas do RJ já deveriam ter sido tratadas com o respeito que elas merecem.São 90% de trabalhadores que vivem em lugares insalubres, apertados e mal construitidos.O poder público deixou a coisa chegar nesta dimensão por incompetência gerencial e de planejamento.Não adianta governar sem olhar pra baixo.As pessoas deste país são as que sustentam esse governo corrupto e com intenções duvidosas e o RJ tem que acordar e cobrar daquele que eles mesmos elegeram pra continuar com isso.O Cabral se dizia contra o Lula e derepente mudou de lado.Mas a vida por si só é muito justa,AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA, e não há nada pior que não se ter caráter e ser honesto, pois a vida cobra mais cedo ou tarde.

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  4. Comentado por:

    Quaker

    Aposto que Sérgio Cabral Traiu Beltrame.
    Não será estranho se Beltrame pedir demissão.

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  5. Comentado por:

    cícero

    Reinaldo, tu és maluco! Achas que realmente é possível enganar tanta gente por tanto tempo (4+4), pára com isso doido. Com uma agravante, estás criticando atitudes de pessoas do sudeste não são do maravilhoso nordeste brasileiro não, viu?

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  6. Comentado por:

    Gilberto

    Se até a inútil da Rede Globo filmou os traficantes fugindo como é que a polícia não estava lá dando a famosa ordem “Soltem as armas e todos no chão!”? Quem não obedecesse deveria ser metralhado, simplesmente. Está tudo muito, muito mal explicado.

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  7. Comentado por:

    Gilberto

    Reinaldo Azevedo, sugiro que acesses o blog LE PARQUET de um promotor público onde há uma mistura de pessoal com serviço público. Na seção do blog deste promotor “Quem Somos” há inclusive a foto e qualificação de uma estagiária (aliás, muito gostosa) e também a propaganda de uma livraria. Seria ético por parte de um promotor de justiça esta mistura do particular/inciativa privada(a livraria) com a função pública? Aguardo sua opinião, pois é em casos deste tipo que as instituições públicas começam a perder a dignidade.

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  8. Comentado por:

    MIGUEL MOURAO

    criticas saõ fácil de fazer mas soluções e difícil de encontrar prender e as lei soltar o trabalho do secretario e bem feito ate hoje naõ vi no brasil ação como adele porque nao convida ele para ministro da justiça que o pais vai melhora a exportação de bandido cada cidade e estado tem que reprimir com inteligência

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  9. Comentado por:

    João Barreto Caruaru

    Boa noite
    Pergunto ao nobre Secretário se é de seu conhecimento que havia no momento da prisão do nem o vlaor de R$ 1.000.000,00, hum milhão de reais, e no caso positivo, é possivel um bandido que pretende se entregar expontaneamente, levar consigo tal importancia. Pra que??/

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  10. Comentado por:

    Jeno

    Quem poderia prever que passados mais de dois anos os bandidos se impusessem, matando os militares que os expulsaram mas não os prenderam nem os mataram para atender critérios políticos partidários. Mortes de policiais que certamente não ocorreriam se houvesse certeza de que quem ganhasse a eleição de 2014 nada mudaria nas UPP.

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