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Enquanto Dilma se recupera, o PSDB repete os velhos erros de sempre e continua imbatível na arte de vencer o… PSDB!

Segundo pesquisa do Ibope, encomendada pelo Estadão, publicada neste sábado, Dilma recuperou parte da popularidade perdida, embora esteja ainda muito distante do seu melhor momento, quando superava os 60% de bom é ótimo. Agora, 38% assim veem o seu governo, contra 31% na pesquisa anterior, de 12 de junho. Os que consideram sua gestão ruim […]

Segundo pesquisa do Ibope, encomendada pelo Estadão, publicada neste sábado, Dilma recuperou parte da popularidade perdida, embora esteja ainda muito distante do seu melhor momento, quando superava os 60% de bom é ótimo. Agora, 38% assim veem o seu governo, contra 31% na pesquisa anterior, de 12 de junho. Os que consideram sua gestão ruim ou péssima caíram de 31% para 24%. Antes e agora, 37% dizem que o governo é regular. O Datafolha já havia registrado o que parece ser um processo de recuperação de prestígio da presidente. Pois é… Por que caiu e por que recomeçou a subir? Pelos mesmos, digamos, não motivos. Sim, eu acho o governo muito ruim e faz tempo. Mas a maioria dos brasileiros dizia o contrário até pouco antes dos protestos de junho. Sem que tivesse piorado muito o que ruim já era (mas poucos viam), a popularidade da petista despencou (e dos políticos em geral; só Marina Silva ascendeu). Sem que tenha melhorado um milímetro o que continuou ruim, a popularidade começou a subir. Eu escrevi aqui umas 300 vezes que esse negócio de esferas de sensações serve para terapia de grupo, para queimar ervas aromáticas e, sei lá, debater assuntos metafísicos. Em política, a soma costuma resultar em zero, quando não é negativa. Quando Dilma desceu ladeira abaixo, afirmei, sob o protesto de muitos leitores, em debate na VEJA.com, que ela seguia sendo a franca favorita para 2014.

Como é sabido — será que o Ibope também fez pesquisa eleitoral? —, Dilma recuperou parte dos eleitores, segundo o Datafolha. A oposição, segundo aquele instituto, não apenas deixou de ganhar prestígio junto ao eleitorado como o perdeu. Naquela pesquisa, Aécio Neves teve uma queda nas intenções de voto. Em vez de subir, caiu. Explica-se por causas que não dependem da vontade do PSDB e por outras que dependem. A variável independente, como se sabe, está, sim, ligada às manifestações de rua: tratou-se de uma ação contra a política tradicional — logo, contra os tucanos também.

Mas é claro que há erros brutais de condução. Aécio ter-se tornado o presidente do partido foi um deles. Tudo para quê? Para tentar eliminar José Serra da corrida logo à partida. Ocorre que era para eliminar, mas, ao mesmo tempo, para conservá-lo na legenda, entendem? Há muito se tenta a quadratura do círculo. Ninguém até hoje foi bem-sucedido. Há dias, Aécio disse que nada tinha contra prévias. O paulista, então, disse que aceitava, indagando as condições em que seriam realizadas. Em vez de essas condições serem expostas, o que se vê é uma espécie de rolo compressor — o mesmo que procurou excluí-lo — para que, então, não se façam as prévias.

Que tipo de notícia?

E aí se deu o fenômeno muito frequente, mas, mesmo assim, curioso. O mineiro, que andava sumido do noticiário, reapareceu, a exemplo do que se verifica neste exato momento. O jornalismo online relata que, em Barretos, interior de São Paulo, seu nome foi “lançado” à Presidência. Nem poderia ser diferente. Num discurso, o senador disse algo como: “Iniciamos o caminho da vitória para a Presidência…”. Mas, é claro, ninguém quer que Serra saia do partido. Então tá.

Vejam bem. Não faltaram, nesses dias, motivos para que o presidente do PSDB aparecesse e procurasse polarizar o noticiário. O PSDB está sendo vítima de uma conspirata asquerosa que passa pelo Cade. O caso Siemens é uma das mais bem urdidas tramoias dos últimos tempos. Não! Não estou negando que larápios possam ter roubado dinheiro. O que não entendi até agora é por que o tal acordo de leniência com a Siemens, que tem contratos bilionários com o governo federal, especialmente na área de energia, só abrange obras de São Paulo. Documentos supostamente sigilosos em poder do Cade são cuidadosamente vazados para comprometer tucanos.

Cadê Aécio? Bem, seus estrategistas, não sem certa razão, devem ter recomendado: “Fique longe disso”. Ele ficou. Mas, então, quem falou? Cadê a voz institucional do partido? Cadê, mutatis mutandis, o Rui Falcão deles? Não há. A defesa ficou inteiramente por conta do PSDB de São Paulo. Até uma iniciativa correta e sensata de Alckmin, ditada pelo destemor de quem sabe que, pessoalmente, nada deve, foi achincalhada pelo petismo e pela imprensa petistófila: a decisão de recorrer à Justiça para recuperar, então, parte do dinheiro que executivos da Siemens, segundo entendi, admitem ter sido roubado do estado em razão da formação do cartel. E não se ouviu a voz institucional do partido.

No caso dos médicos cubanos, a mesma coisa. O que se vê, não há como dourar a pílula, é trabalho escravo. A saúde brasileira está em situação miserável, e o ministério vai repassar à ditadura cubana coisa de R$ 480 milhões por ano — só uma ínfima parte será convertida em salário. Sim, o senador disse uma coisinha aqui, outra ali, mas nada de uma reação substantiva, à altura do seu posto no partido e da gravidade do assunto. Por que não? Pelo mesmo motivo. Vai que a população acabe gostando desse negócio, e ele terá de enfrentar, depois, a candidata-presidente Dilma a acusá-lo de ter sido contra e coisa e tal. Os números dos descalabros da saúde e os aspectos jurídicos e políticos absurdos do programa estão sendo expostos é por parte da imprensa — a outra parte já aderiu e já começou a babar.

Entendo. Os tucanos, como sempre, esperam para ver para onde vai o trem. A depender do caso, tentam sentar na janelinha ou fazer de conta que nada está acontecendo. Não existe alternativa de oposição se não há valores de oposição.

Agora que Serra demonstrou interesse em disputar, sim, e que indagou quais são as condições das prévias, o noticiário é entupido de offs assegurando que não haverá prévia coisa nenhuma, que está tudo decidido, que isso e que aquilo. Tucanos, em suma, só conseguem ser notícia quando estão batendo boca entre si, ainda que por intermédio de terceiros. Eles deveriam ter claro que nós todos já sabemos de sobejo uma coisa: eles são excelentes na guerra interna — e o jornalismo se diverte com as redes de intrigas. Eles só não sabem vencer petistas nas disputas federais — não sem a “novidade” do Plano Real ao menos, que foi o grande estrategista tucano em 1994 e 1998.

Sem polarizar com o governo em nada e sem estabelecer um eixo claro de ação, os tucanos vão levando a vida. O governo, depois de um período de zonzeira, está se reencontrando no que concerne ao marketing. A gestão continua ruim pra chuchu. O país vai amargando resultados que o inviabilizam no médio prazo, tudo o mais constante. Até as eleições, no entanto, nada que possa prejudicar Dilma em excesso.

Mas, é claro, alguns lerão este texto e dirão: “Ah, é que o Reinaldo vota no Serra e então escreve essas coisas…”. Digamos que vote — e, se ele for candidato, votarei, sim —, fica a pergunta: isso muda a realidade tucana em quê? Não existe política que consista numa fuga permanente das questões políticas. O resultado se colhe nas urnas.

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