Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Dilma não vai receber Nobel da Paz iraniana

Por Roberto Simon, no Estadão: A presidente Dilma Rousseff decidiu não se encontrar com a advogada iraniana e Nobel da Paz Shirin Ebadi, que chega ao Brasil na terça-feira. Principal voz da oposição a Teerã no exílio, Shirin será recepcionada no Palácio do Planalto apenas pelo assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. “Se Dilma […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 11h45 - Publicado em 5 jun 2011, 07h09

Por Roberto Simon, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff decidiu não se encontrar com a advogada iraniana e Nobel da Paz Shirin Ebadi, que chega ao Brasil na terça-feira. Principal voz da oposição a Teerã no exílio, Shirin será recepcionada no Palácio do Planalto apenas pelo assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

“Se Dilma defende os direitos humanos e as mulheres, ela me receberá”, insistiu a iraniana em entrevista ao Estado (mais informações na pág. 15). O governo brasileiro, porém, acredita que receber a ativista enviaria “a mensagem errada”.

A decisão do Planalto vai na contramão da mudança na diplomacia para os direitos humanos que Dilma vinha conduzindo até agora. Antes de tomar posse, a presidente criticou publicamente a abstenção do Itamaraty em uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU condenando o apedrejamento de mulheres no Irã. Dilma chamou de “ato bárbaro” a lapidação, posição reiterada em entrevista ao jornal Washington Post.

Em março, Dilma rompeu com o padrão de voto do governo Lula nas Nações Unidas e apoiou a criação de um relator especial para o Irã – sob críticas do ex-chanceler Celso Amorim. Uma semana depois, Shirin foi convidada a um jantar na embaixada do Brasil em Genebra.

“Dilma recebeu a (cantora) Shakira, mas se recusa a se encontrar com uma mulher Nobel da Paz?”, questiona Flávio Rassekh, representante da advogada no Brasil. “Ainda não desistimos e vamos continuar tentando organizar esse encontro.”

Oficialmente, o Planalto justifica que, pelo protocolo, a presidente recebe apenas chefes de Estado e de governo. “Dependendo da agenda”, ministros de países estrangeiros e outras personalidades – como, por exemplo, os integrantes do U2 – conseguiram uma audiência com Dilma.

Nos bastidores, porém, o governo diz que receber Shirin seria colocar o Brasil dentro de uma “disputa interna delicada”. “Desde janeiro, já vieram ao Brasil tanto dissidentes quanto delegações oficiais do Irã. A presidente não recebeu nenhum deles”, afirma uma fonte do Planalto. Aqui

Continua após a publicidade
Publicidade