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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Dilma me envia um e-mail rasgando elogios ao blog e a vocês, comentaristas! Calamos os petralhas, hein!? O que eles dirão agora?

Dilma Rousseff me manda um e-mail afirmando que faço a coisa certa. Obrigado, presidente — que esse papo de “presidenta” como exigência é  coisa da Marta analfabente! Segundo Dilma, estou entre aqueles, não muitos, que cumprem o que ela considera o correto nessa profissão. Diz a chefe da nação na mensagem pessoal: “Reinaldo. Livre, plural […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h45 - Publicado em 23 fev 2011, 07h45

Dilma Rousseff me manda um e-mail afirmando que faço a coisa certa. Obrigado, presidente — que esse papo de “presidenta” como exigência é  coisa da Marta analfabente! Segundo Dilma, estou entre aqueles, não muitos, que cumprem o que ela considera o correto nessa profissão. Diz a chefe da nação na mensagem pessoal:

“Reinaldo.
Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais (…) Com uma democracia tão nova, devemos preferir o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”.

A presidente foi supergenerosa com o meu trabalho: “A internet modificou para sempre a relação dos leitores com os jornais.” Antenada com o que acontece, ela também falou de vocês, leitores, dizendo entender que o desafio deste blog é “oferecer um produto que não perca profundidade”, sabendo “como tornar as críticas dos leitores um ativo (…)”.

Sobre este blog, disse a soberana: “A nossa democracia se fortalece por meio de práticas diárias, como os diferentes processos eleitorais, as discussões que a sociedade trava e que leva até as suas representações políticas e, sobretudo, pela atividade da liberdade de opinião e de expressão” Para afastar qualquer sombra de ambigüidade, ela especificou muito bem que se trata de uma liberdade, que,obviamente, se alicerça, também, na liberdade de crítica, no direito de se expressar e se manifestar de acordo com suas convicções.” Obviamente!!!

A presidente estava mesmo num dia iluminado. Ao analisar as escolhas feitas por este blog, afirmou sem palavras ambíguas:
“Nós, quando saímos da ditadura, em 1988, consagramos a liberdade de imprensa e rompemos com aquele passado que vedava manifestações e que tornou a censura o pilar de uma atividade que afetou profundamente a imprensa brasileira. A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem.”

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Respondendo à canalha que vive pedindo “põe ele de castigo, Tia!”, ela afirmou: “E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas.”

Dilma, definitivamente, no e-mail que me mandou, liberou o badaró da liberdade de expressão: “Reitero sempre que, no Brasil de hoje, nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir um milhão de vezes os sons das vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras.”

Caminhando para o encerramento
Bem, é claro que se trata de uma ironia. É preciso avisar antes que os petralhas gritem: “Ele está mentindo!!!” Como costumo dizer, numa ironia um tanto herbívora, Swift seria condenado ainda hoje por incitar o canibalismo contra crianças… Dilma, obviamente, não me mandou e-mail nenhum! Essas coisas todas, ela as afirmou anteontem à noite sobre a Folha de S. Paulo, na solenidade dos 90 anos do jornal.

Faço essa graça porque julgo praticar aqui também aquilo tudo que Dilma diz esperar da imprensa. Se 10% do que dizem sobre a soberana for verdade, ela certamente fica com Santo Agostinho, preferindo quem a critica porque a corrige àqueles que a elogiam porque apegados ao vício da genuflexão.

Dilma pode contar comigo: eu não permitirei jamais que ela vislumbre de novo a fuça do autoritarismo de direita ou de esquerda. Estarei aqui para lembrar que são preferíveis as “vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras.”

Isso é a minha cara! É a cara de vocês!!!

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