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Conheça os convidados da Flip 2019

Evento literário acontece de 10 a 14 de julho e homenageia Euclides da Cunha

A 17ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) acontece entre os dias 10 e 14 de julho de 2019 na cidade fluminense e tem como homenageado Euclides da Cunha, autor de Os Sertões. O evento vem divulgando, aos poucos, a lista de convidados. Confira abaixo os nomes já confirmados:

 

Sheila Heti

Apontada como um dos principais nomes da literatura contemporânea de língua inglesa, a canadense é autora de oito livros de ficção e não ficção, traduzidos para 21 idiomas. Seu primeiro título publicado no Brasil é Maternidade (Companhia das Letras), uma mistura entre ficção e autorreflexão na qual a narradora começa a se questionar sobre a experiência da maternidade e seu papel social após perceber que todas as suas amigas pretendem ser mães. Em entrevista ao site Los Angeles Review of Books, Heti afirma que fica enojada ao ver “como o dilema foi simplificado e apresentado como uma ‘escolha de vida’ frívola e fútil” e ainda acrescenta que, se homens pudessem parir, “ter ou não filhos teria sido a questão central da filosofia desde o início dos tempos”.

Kristen Roupenian

 (Elisa Roupenian Toha/.)

A americana é a autora do conto Cat Person, que, publicado em dezembro de 2017 na revista The New Yorker, viralizou em sua versão on-line, tornando-se uma das histórias mais lidas da publicação naquele ano. O conto retrata uma jovem que conhece um rapaz no cinema onde ela trabalha e, depois de flertarem, pessoalmente e por mensagens de celular, resolvem marcar um encontro – que não sai como o esperado. Elogiada pela crítica especializada e dissecada longamente por sites variados e nas redes sociais pelos leitores, a história colocou em discussão temas como relacionamentos modernos e machismo e rendeu à escritora um contrato milionário para seu primeiro livro, Cat Person e Outros Contos, lançado no Brasil em janeiro pela Companhia das Letras.

Walnice Nogueira Galvão

 (Bel Pedrosa/.)

Professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), Walnice Nogueira Galvão é a responsável pela edição crítica de Os Sertões, de Euclides da Cunha, o homenageado da Flip 2019. A pesquisa para a versão – publicada em 1985 e considerada definitiva – envolveu a leitura dos livros, jornais, manuscritos e panfletos que fizeram parte da formação do próprio Euclides da Cunha. Em 2010, recebeu o prêmio Senador José Ermínio de Moraes, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Euclidiana – Ensaios sobre Euclides da Cunha, publicado pela Companhia das Letras. Em sua obra, doze dos quarenta livros publicados são dedicados ao autor e à Guerra de Canudos.

Kalaf Epalanga

 (David Pattinson/.)

O angolano é conhecido como “poeta-cantor” pela imprensa portuguesa – isso porque, além de escritor, dedica seu tempo à música com sua banda de kuduro Buraka Som Sistema. As sonoridades do ritmo africano são o fio condutor de seu terceiro e único livro publicado no Brasil, Também os Brancos Sabem Dançar, lançado em maio de 2018 pela Todavia. Classificado como autoficção, o enredo tem como personagem principal o próprio autor, que, durante uma viagem para participar de um festival de música, é detido na Noruega por não ter um passaporte válido e acaba sendo acusado de imigração ilegal. Para se explicar às autoridades, o músico começa a refletir sobre o cenário musical em Lisboa, incluindo temas como a intersecção entre cultura africana e europeia, a imigração, a marginalização da periferia e o racismo. “O kuduro mostrou-me o mundo, com ele e por ele visitei lugares que nunca imaginaria”, escreve no primeiro capítulo da obra. 

Grada Kilomba

 (Facebook/Reprodução)

Escritora, teórica, psicóloga e artista, a portuguesa Grada Kilomba lançará seu livro Memórias da Plantação: Episódios do Racismo Cotidiano durante a 17ª edição da Flip pela editora Cobogó. A obra, publicada originalmente em 2008 e resultado de seu doutorado em filosofia na Freie Universitat em Berlim, analisa a herança colonial e patriarcal em busca de uma definição para o racismo contemporâneo. A autora, que possui origens em Angola e São Tomé e Príncipe e é militante do feminismo negro, explica também os passos que levam à consciência do racismo – recusa, culpa, vergonha, reconhecimento e reparação. Grada utiliza diversas plataformas em suas obras, como performances, leituras, colagens, filmes e instalações e terá sua primeira exposição individual em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo a partir de 6 de julho.

Carmen Maria Machado

 (Art Streiber/)

A autora americana de origem cubana e austríaca desembarca na Flip para apresentar seu livro de estreia, O Corpo Dela e Outras Farras (Planeta), que reúne oito contos narrados por mulheres. Transitando entre a fantasia, o terror e a ficção científica, todas as histórias têm em comum a temática feminista. Aclamada por críticos, a obra retrata os conflitos e angústias vividos pelas personagens, vítimas do machismo, e chegou a ser finalista do National Book Award, além de vencer o Lambda Literary Award – maior premiação literária do meio LGBTQ.

Karina Sainz Borgo

Jornalista venezuelana, começou sua carreira no periódico El Nacional, que, em 2018, teve sua edição impressa encerrada por pressão do governo de Nicolás Maduro. A escritora faz sua estreia na ficção com Noites em Caracas, romance que tem como pano de fundo uma Venezuela vítima do autoritarismo e se desenvolve em torno de Adelaida, protagonista que perde a mãe e luta para sobreviver na capital. Para compor a obra, que será lançada em junho no Brasil pela editora Intrínseca, a autora partiu de relatos reais sobre tortura e violações dos direitos humanos – alguns vieram até mesmo de seus amigos e colegas de trabalho, que foram perseguidos e presos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional.

Ismail Xavier

Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Xavier é um dos grandes nomes dos estudos cinematográficos no Brasil. Sua tese de doutorado, Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome, é considerada um clássico da crítica de cinema e discorre sobre os dois primeiros filmes da produção glauberiana: Barravento (1962) e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) estabelecendo contrapontos com O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, e O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte. A obra, que também aborda o cinema novo e sua proposta de produção não industrial, será republicada neste ano pela Editora 34. 

Ayelet Gundar-Goshen

Considerada um expoente da nova literatura israelense, Ayelet é autora do livro Uma Noite, Markovitch, publicado em março de 2018 pela Todavia, marcando sua estreia no Brasil. O livro narra a história de Iaakov Markovitch, que integra um grupo de jovens da Palestina até a Europa ocupada pelas tropas nazistas no começo da II Guerra Mundial para que, por meio de casamentos fictícios, possam resgatar mulheres judias. A obra chegou a faturar o prêmio Sapir – principal prêmio literário de Israel – de melhor estreia. “Como mulher, sinto que não vejo muitos livros em que as mulheres são fortes e têm desejos e necessidades, e também o poder para brigar por seus desejos e necessidades”, contou em entrevista a VEJA.

Marilene Felinto

A escritora brasileira é considerada um dos grandes nomes da prosa de ficção – seu romance de estreia, As Mulheres de Tijucopapo (1982), recebeu o Prêmio Jabuti na categoria autor revelação e já foi traduzido para diversas línguas, como o inglês, o francês, o holandês e o catalão. A obra da autora inclui ainda os romances O Lago Encantado de Grongonzo (1987) e Obsceno Abandono: Amor e Perda (2002), além de ensaios, crônicas e contos para adultos e crianças.

Ayobami Adebayo

A nigeriana, que chegou a ser aluna de nomes como Chimamanda Ngozi Adichie e Margaret Atwood, fez sua estreia na literatura com o romance Fique Comigo, publicado no Brasil pela editora Harper Collins, em 2018. O livro, ambientado na Nigéria dos anos 1980, utiliza o casamento dos personagens Yejide e Akin como ponto de partida para reflexões acerca de temas como patriarcalismo, maternidade e poligamia. A obra foi citada nas listas de melhores livros dos jornais The New York Times e The Guardian.

Miguel Gomes

Reconhecido por seu talento em mesclar realidade e ficção, o cineasta português ganhou fama internacional com o longa Tabu (2012), ganhador do prêmio da crítica no Festival de Berlim. Também participou do Festival de Cannes com As Mil e Uma Noites (2015), seu trabalho mais recente. Atualmente, trabalha na adaptação cinematográfica da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, homenageado da Flip 2019, intitulada Selvajaria.

Jarid Arraes

Filha e neta de cordelistas, a poeta cearense teve contato com a cultura nordestina tradicional desde cedo. Começou a publicar cordéis em 2012, motivada pela tradição familiar e pelo desejo de diversificar os personagens retratados nas histórias. Com mais de sessenta cordéis publicados, suas obras incluem temas como questões de identidade, passando por gênero, raça e sexualidade. A escritora lança, em junho, seu primeiro livro de contos, Redemoinho em Dia Quente (Alfaguara).

Gael Faye

Nascido no Burundi, o autor se mudou para a França aos 13 anos, em 1995, dois anos depois do início da guerra civil no país africano. Seu romance de estreia, Meu Primeiro País (Rádio Londres), narra a história de um garoto que é forçado a deixar seu país por causa do início de uma guerra, misturando a biografia do escritor com a do personagem. A obra teve mais de 800.000 exemplares vendidos em 36 países e, atualmente, está sendo adaptada para o cinema.

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