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Por que os franceses comem queijo na sobremesa?

Na Idade Média, os alimentos eram colocados todos ao mesmo tempo na mesa dos franceses e saboreados sem ordem alguma

Por Duda Teixeira Atualizado em 30 jul 2020, 21h55 - Publicado em 6 set 2016, 11h22

Na Idade Média, os alimentos eram colocados todos ao mesmo tempo na mesa dos franceses e saboreados sem ordem alguma, do jeito que cada um quisesse, salgados ou doces.

Acredita-se que os doces e os queijos só foram parar no final da comilança por iniciativa da rainha Catarina de Médici, no século XVI. Foi ela, nascida na cidade italiana de Florença, que ensinou os franceses a comerem com garfo e faca.

“O hábito de comer queijo no final da refeição, depois dos pratos salgados, consolidou-se no século XIX e tornou-se algo generalizado a partir da Belle Époque (1871-1914)”, diz o jornalista especializado em história da gastronomia Dias Lopes, que também tem um blog na VEJA. “Deve ter sido por intuição dietética. O queijo neutraliza a adstringência de certos alimentos, reorganiza o pH da saliva e prepara o paladar para o açúcar dos doces que virão.”

O surpreendente é que muitos franceses se contentam com o queijo e dispensam o doce. Nada de petit gateau. Ou, então, eles harmonizam os queijos com vários outros alimentos.  “Pode-se comer roquefort com pera e cereja, queijo de cabra com mel e marmelada com vários tipos de queijo”, diz a brasileira Karen Goldman, que dá aulas de gastronomia em Paris e mantém o blog Eucomosim.

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Os franceses não são os únicos a ir de queijo na sobremesa. “Os ingleses costumam comer depois do doce, geralmente com vinhos licorosos e fortificados. Os portugueses, junto com bolos, como o pão de ló. Os belgas continuam comem queijos se não ficaram saciados com a refeição. No Brasil, temos o Romeu e Julieta”, diz Nicolas Ferreira Rodrigues, docente de gastronomia do Senac Aclimação, em São Paulo.

Apesar de estarem acostumados com a dobradinha queijo e goiabada do Romeu e Julieta, os brasileiros em geral estranham o queijo como ponto alto na sobremesa.

Outra desavença com os franceses é que brasileiros têm mania de organizar festas de “queijos e vinhos”. Mas nem os enólogos, nem os entendidos de queijo, defendem a combinação com os tintos. “Os taninos estragam o queijo. O melhor é acompanhar com vinho branco, como o champanhe”, diz Karen, que organiza degustações de queijos e vinhos na França para brasileiros.

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