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Por que argentinos e chilenos se odeiam?

Chamar alguém de "chileno" na Argentina pode querer dizer "traidor"

Na Argentina, a expressão “chileno” muitas vezes é usada como sinônimo de traidor. Em geral, a provocação se refere à ajuda que o ditador Augusto Pinochet deu à Inglaterra durante a Guerra das Malvinas, em 1982.

No conflito, os militares do Chile instalaram um radar de longo alcance perto da base aérea argentina de Comodoro Rivadavia e com isso avisavam os ingleses sempre que jatos partiam na direção da ilha. A força britânica só foi pega de surpresa quando o radar parou de funcionar para uma manutenção, em 8 de junho de 1982. Neste dia, dois navios, o Sir Galahad e o Sir Tristam foram afundados.

Os chilenos, por sua vez, reclamam que, quando estavam preocupados com a Bolívia e o Peru na Guerra do Pacífico (1879-1883), a Argentina aproveitou que tinha um exército eficiente e delimitou as fronteiras com o Chile, que até então estavam assentadas em uma vaga noção de “fronteira natural”. Para os chilenos, os argentinos “tomaram a Patagônia” deles. Mapas do país, em geral, desenham a fronteira com linhas pontilhadas.

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No livro La Argentina en la escuela (Siglo Ventiuno), coordenado pelo historiador argentino Luis Alberto Romero, um grupo de pesquisadores analisou os livros dados pelos professores para tentar encontrar a raiz desses preconceitos do lado argentino. Mas eles não encontraram nada que induzisse este tipo de sentimento contra os vizinhos. “Constatamos que nos livros argentinos não existe preocupação específica e negativa pelo Chile, que neste plano nunca deixa de ser um país amigo”, diz o texto.

O que eles descobriram, sim, foi que grupos sociais que viviam na zona de fronteira tinham uma posição pouco amistosa com os chilenos, ainda que isso não chegasse a construir um estereótipo negativo. Entre as reclamações, um tanto absurdas, estava a de que Chile avançava o território argentino com ondas de rádio.

“Isso de considerar outros países como inimigos é parte do nacionalismo, que aflora com mais força de vez em quando. Em geral, os argentinos tendem a escolher o Chile, a Inglaterra ou o Brasil como seus rivais”, diz Romero, da Universidade de Buenos Aires.

Sempre que um governante usa o sentimento nacionalista para ganhar popularidade e poder, as rixas contra os vizinhos voltam a aparecer.

 

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