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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Reynaldo-BH: ‘Quem são os brasileiros que participam das pesquisas eleitorais?’

REYNALDO ROCHA Não há um único exemplo de acerto anterior dos institutos de pesquisas em campanhas eleitorais. Estranhamente, os números só se aproximam na realidade na pesquisa de boca de urna. Quando não há mais o que esconder. Nem como. É uma cansativa repetição. Seria o brasileiro um povo inconstante? Que mente? Que deixa para revelar o […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 05h11 - Publicado em 14 out 2013, 17h01

REYNALDO ROCHA

Não há um único exemplo de acerto anterior dos institutos de pesquisas em campanhas eleitorais. Estranhamente, os números só se aproximam na realidade na pesquisa de boca de urna. Quando não há mais o que esconder. Nem como. É uma cansativa repetição.

Seria o brasileiro um povo inconstante? Que mente? Que deixa para revelar o voto somente no dia da eleição? Seremos milhões de esquivos eleitores que deixamos para o último momento a divulgação de nossas escolhas?

Ou é mais crível creditar a algumas empresas a sensação de “não adianta”, pois a eleição já está resolvida?

Fora a desonestidade intelectual e a ganância com os lucros advindos de cenários irreais, cometem um crime social e político.

Tentam, com as “pesquisas”, direcionar o voto. Incentivar o voto útil. Acreditam que escolhemos candidatos como quem aposta em corridas de cavalos. Sem observar que, num Jockey Club, apostamos para ganhar dinheiro. Numa eleição, votamos em busca de decência, ética e futuro.

Por que os institutos de adivinhações e vendas de números não se especializam em corridas de cavalos? O desserviço que prestam não é a um partido ou outro. É ao país.

Por que os erros são menores quando se trata de, por exemplo, de um plebiscito sobre armas de fogo? Ou sobre a pena de morte?

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Na Bahia, Jaques Wagner foi eleito governador ainda no primeiro turno, quando as pesquisas sequer o davam como segundo colocado. Já vi prefeito eleito no primeiro turno ir ao segundo e perder, quando seria eleito com mais de 80% dos votos, como Leonardo Quintão em Belo Horizonte. Já vi político tratar da montagem do secretariado poucas horas antes de tentar explicar a derrota.

Quem voaria num avião de qualquer empresa com a mesma credibilidade desses institutos? Alguém se arriscaria?

Ocultam-se por de trás de “fórmulas” que não nos é permitido conhecer. Não são raros os casos de especialistas em estatística que apontam a fragilidade e incorreção da metodologia.

Quem é entrevistado? Qual o índice de rejeição de opiniões? Onde foi feita? Quem respondeu e que confiabilidade se tem nos dados pessoais (instrução, moradia e até idade) dos participantes? Qual a curva de descarte? Qual o ponto de intercessão?

Estatística (e a pesquisa é uma delas) é a ciência que, colocando o cidadão com a cabeça em um forno de 200 graus e os pés em um freezer de ─ 200 graus, terá NA MÉDIA a temperatura ideal! Ou, como disse Roberto Campos, estatística é como biquíni: mostra tudo e esconde o essencial!

É uma ciência que, quando utilizada de modo honesto, controlado, com parâmetros conhecidos, com fórmulas explicitadas, ajuda a TENTAR antecipar fatos ou medir tendências. Se não observar NENHUM destes limites, é charlatanismo!

O assombroso é que a MAIORIA dos analistas (e a totalidade dos jornais) se dá ao trabalho de interpretar números que eles mesmos não sabem como foram coletados ou tabulados.

Como um paciente que toma morfina para dor de cabeça sem conhecer a bula do fármaco nem o porquê da indicação. Ou um engenheiro que analisa a obra de um prédio de 20 andares amparado por uma única coluna central.

Se isto não é desonestidade, meus valores pessoais já não devem valer para muita coisa.

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