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O circo armado por Lula tem um culpado no picadeiro

O ex-presidente que, ao contrário de Vargas, saiu da história para cair na vida, não tem álibis nem atenuantes para os muitos crimes que cometeu

É compreensível que Lula e sua trupe de bacharéis tenham feito o diabo para adiar até o fim dos tempos o primeiro encontro com Sérgio Moro. E foi tão previsível quanto a mudança das estações do ano a tentativa do bando, tão logo se consumou o fiasco da tentativa de fuga, de transformar Curitiba em picadeiro, tribunal em palanque e depoimento de réu culpado em discurseira de perseguido político de botequim.

O ex-presidente que, ao contrário de Getúlio Vargas, saiu da história para cair na vida, não tem álibis nem atenuantes para os muitos crimes que cometeu. Sobretudo por isso, o que está em curso nesta quarta-feira não pode ser reduzido a um duelo entre um defensor da Justiça e um fora da lei. O que se vê é o confronto entre dois brasis. De um lado, está escancarado o Brasil do passado, uma velharia agonizante que até agora só condenava os lulas à perpétua impunidade. Do outro lado se vislumbra o Brasil do futuro, que está nascendo graças à Lava Jato. Neste país em trabalhos de parto, todos são iguais perante a lei.

O circo armado por Lula para escapar de punições judiciais merecidíssimas transformou em certeza a suspeita que vinha crescendo entre jornalistas do mundo inteiro: o ex-presidente que se fantasia de pai dos pobres é o chefe do maior esquema corrupto da história. O depoimento de hoje vai aguçar, entre os que conhecem as duas ofensivas contra a impunidade institucionalizada, a sensação de que a Lava Jato tem tudo para ir muito além das fronteiras expandidas pela Operação Mãos Limpas.

A imprensa italiana, por exemplo, tem tratado como reprise de quinta categoria as reações desesperadas, patéticas ou apenas ridículas dos políticos envolvidos até o pescoço nas bandalheiras. É coisa de cobra mal matada. É medo de cadeia, hoje epidêmico entre a turma do foro privilegiado.

O que nenhum jornalista de qualquer país entende é a proteção oferecida por ministros do Supremo Tribunal Federal a bandidos de carteirinha. Por que, em vez de estender-lhes a mão, o STF não ajuda a manter algemados os pulsos dos ladrões irrecuperáveis? Essa é a pergunta que mais tenho ouvido na Itália. Essa é certamente a pergunta que se fazem neste momento milhões de brasileiros decentes.

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  1. Que futuro tem um PAÍS no qual as ‘coisas’ são resolvidas na base do ‘jeitinho’ até quando estamos diante da MAIOR CORTE FEDERAL??..
    Não é de Hoje que se manobra o Regimento do S.T.F. para que as decisões saíam como querem uns e não os outros..
    É como normalmente acontece na CÂMARA dos DEPUTADOS e no SENADO FEDERAL…
    Na atividade política, até nos acostumamos com soluções inovadoras e contornos Regimentais, mas, quando alcançam o Ápice do Poder (S.T.F.), que deveria primar pelo EQUILÍBRIO e JUSTIÇA de suas Decisões, devemos nos preocupar com a ESTABILIDADE DO PAÍS..

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  2. Inides Bonelar da Fonseca

    Eu sou um dos que pergunto. A Justiça para ser justa precisa executar o trabalho dela que nem um lapidador. Sem falhas. Emoção ou omissão não vale. Terminei de ver na internet que a mulher do Cabrão do Rio usou conta bloqueada. Não estava bloqueada? O JD é outro caso que não engulo. Por que dar moleza a quem ajudou a afundar o Brasil? Sem chance! E agora o outro vai para Curitiba e ainda tenta fazer COMÍCIO usando audiência. Será que em outro país seria assim?

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