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A presidente em seu labirinto

Luiz Antônio Pagot é uma bomba com alto poder destrutivo, comprovou o  artigo do jornalista Ricardo Noblat publicado na seção Feira Livre. O detonador não foi acionado durante o depoimento no Senado nesta terça-feira. Mas o petardo não foi desativado, avisam os recados em código embutidos no falatório de cinco horas. Demitido há 10 dias […]

Luiz Antônio Pagot é uma bomba com alto poder destrutivo, comprovou o  artigo do jornalista Ricardo Noblat publicado na seção Feira Livre. O detonador não foi acionado durante o depoimento no Senado nesta terça-feira. Mas o petardo não foi desativado, avisam os recados em código embutidos no falatório de cinco horas. Demitido há 10 dias pelo então ministro Alfredo Nascimento, por ordem da presidente Dilma Rousseff, Pagot ignorou o comunicado verbal e avisou que estava saindo de férias. Aos senadores, lembrou mais de uma vez que continua na direção geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Pretende voltar ao trabalho dia 21.

“Se nada for provado contra ele durante as férias, acho que a presidente  deveria mantê-lo no cargo”, emendou o senador Blairo Maggi, do PR mato-grossense, que apadrinhou a nomeação de Pagot para o comando do DNIT. A pedido do Planalto, Blairo reuniu-se no fim de semana com o afilhado para negociar o tom e o conteúdo do depoimento. Pela brandura da performance, alguma compensação de bom tamanho foi prometida ao colecionador de licitações bandidas.

Dilma começou a retirar-se do Ministério dos Transportes ao aceitar que o PR continuasse controlando a usina de licitações espertas, contratos superfaturados e propinas milionárias. Se revogar uma decisão irrevogável e reinstalar no cargo o chantagista (ou fizer-lhe qualquer tipo de afago), terá renunciado no sétimo mês do mandato ao exercício efetivo da chefia de governo. Se resistir aos vigaristas arrogantes e formalizar a demissão do pecador, estará exposta a uma sequência de detonações sem prazo para começar, mas semelhantes às que escancararam o mensalão do governo Lula.

O pântano que começa no Ministério dos Transportes vai muito além do clube dos cafajestes disfarçado de Partido da República e se aproxima perigosamente dos porões onde agiram os coletores de contribuições financeiras para a campanha presidencial de 2010. Além dos quadrilheiros do PR, ali chafurdam figurões alugados, chefões do PT que caíram na vida, cardeais devassos do Congresso e prontuários promovidos a ministros de Estado.

O diretor-geral do DNIT conhece todas as tribos que prosperam no pântano. Sabe quem são e o que fizeram caciques e índios. A reedição mal paginada de Roberto Jefferson talvez seja menos letal que a matriz. Mas Dilma é bem mais frágil que Lula. Tudo somado, Pagot tem bala na agulha para, caso a cólera supere o instinto de sobrevivência, desencadear o que pode transformar-se no mensalão do governo Dilma.

Capitular ou desistir? Ambas de altíssimo risco, as opções oferecidas a Dilma confirmam que a sucessora foi confrontada muito mais cedo do que se imaginava com o monstro nascido e criado na Era Lula. Primeiro como ministra cinco estrelas, depois como parteira do Brasil Maravilha concebido pelo padrinho, a afilhada predileta passou oito anos ajudando a consolidar o mais abjeto componente da verdadeira herança maldita: a institucionalização da impunidade dos bandidos de estimação.

Muitas vezes como cúmplice, outras tantas como protagonista, Dilma acumulou registros na folha corrida que não lhe permitem hastear a bandeira da moralidade sem ficar ruborizada. Contrariados, os parceiros de alianças forjadas no esgoto da política brasileira saberão ressuscitar histórias muito mal contadas e delinquências amplamente comprovadas. Na primeira categoria figuram dossiês criminosos ou conversas com Lina Vieira. A segunda é dominada pelas patifarias cometidas por Erenice Guerra e seus filhotes.

Ninguém promove uma Erenice a melhor amiga sem se expor a ferimentos morais que não cicatrizam. Ninguém escapa de companhia tão repulsiva sem pecados a esconder e sem cadáveres trancados no armário. Até o desbaratamento da quadrilha doméstica, antes que aparecessem as muitas provas contundentes da ladroagem, Dilma posou de vítima da boa fé. A farsa foi demolida pela foto em que, no dia da posse, a presidente confraterniza com a quadrilheira condecorada com um convite especial.

Hoje refém de aliados fora-da-lei, Dilma é também prisioneira da própria biografia. O Brasil é governado por uma presidente em seu labirinto.

Comentários
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  1. Comentado por:

    eufrazio

    O motivo pelo qual ando de cabeça erguida nos labirintos de um ponto qualquer deste imenso país é que os muitos que aplaudiram o presidente incompetente pós FHC andam tão cabisbaixo que muitos já perderam a direção, ou seja, não sabem por onde andam dada a escuridão que eles produziram ao apagar a chama da esperança acesa com o PLANO REAL, A LEI DE RESPONDABILIDADE FISCAL, entre tantas outras ações nobres que os de má fé, por não entenderem o significado de altruismo, tentam obscurecer. A LUZ está, ainda no fim do túnel. ESPERANÇA!!!!!

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  2. Comentado por:

    Roberto

    Presidente fraca, sem projeto de Nação. Está a serviço do grande chefe e de seus cupinchas e quadrilheiros. Estamos cansados de vocês PTralhas. Fora pulhas.

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  3. Comentado por:

    Leda Guimaraes

    Alguém precisa denunciar isso:
    Em 2012 a Valec Engenharia Construções e Ferrovias S/A, empresa pública, vinculada ao Ministério dos Transportes, realizou concurso público para preenchimento de vagas em diversos cargos. Em dezembro do mesmo ano começaram as convocações dos aprovados, sendo a última divulgada no mes 04.2013.
    Para a surpresa dos demais aprovados que aguardam convocação, a VALEC divulgou edital de licitação, para contratar empresas gerenciadoras de mão de obra, em busca de profissionais para ocupar os mesmos cargos oferecidos no concurso em questão.
    Porque contratar outros profissionais, e com salários bem maiores que os funcionários da casa recebem, se existem diversas pessoas aprovadas em concurso aguardando convocação? Isso é uma total falta de respeito as pessoas que estudaram e se empenharam por uma colocação.
    http://www.valec.gov.br/Licitacoes/concorrencia00313.php.

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  4. Comentado por:

    FRANK

    Não podemos mais acreditar em políticos, chefes de Estado e autoridades administrativas do Brasil.
    Que vergonha…!

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  5. Comentado por:

    Luis

    Dilma, se despede do governo.
    Logo vamos ler frase acima sem a vírgula e com “!”.
    Parabéns, Augusto Nunes. Você representa os indignados.

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