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02/05/2012

às 18:30 \ Tema Livre

Vídeo e fotos: é uma moto? É um triciclo? É um carro esquisito? É tudo isso junto — e muito mais. Conheça o incrível Carver

carver

Carver: parece mas não é (Foto: Marco de Bari)

(Publicado em Quatro Rodas.com, por Paulo Campo Grande)

CARVER ONE

Nós garantimos que você ainda não experimentou nada parecido sobre duas ou quatro rodas

O que é, o que é? Tem volante, mas não é carro; deita nas curvas, mas não é moto. Tem cockpit, mas não é um caça… É o Carver One. Definido como triciclo, ele é bem diferente de tudo o que você já viu antes.

Fabricado na Holanda, a unidade mostrada aqui é a primeira a chegar ao Brasil. Para pilotá-lo é necessário carteira de habilitação para automóveis, mas experiência na lida com motos é requisito desejável no currículo.

Apesar de me sentir preparado para a vaga, quando vi o asfalto próximo da porta, na primeira curva que fiz ao volante do Carver, não acreditei no que estava acontecendo. Senti-me num carrinho de montanha russa.

Estabilidade de um carro com a emoção de uma moto. Bem-vindo ao Carver

Estabilidade de um carro com a emoção de uma moto. Bem-vindo ao Carver (Foto: Marco de Bari)

O Carver inclina de acordo com a velocidade e a posição do volante. Em baixa velocidade, as curvas podem ser feitas só com o esterço da direção, enquanto a cabine permanece na vertical. Mas, à medida que a velocidade aumenta, a carroceria inclina para ajudar o motorista a contornar a curva.

Para isso, o Carver conta com um sistema mecânico e hidráulico, chamado DVC (Dynamic Vehicle Control), que se encarrega de inclinar a carroceria em até 45 graus, para a direita ou a esquerda, a partir do eixo vertical.

No alto do painel, o indicador de inclinação avisa quando o Carver tomba demais

No alto do painel, o indicador de inclinação avisa quando o Carver tomba demais (Foto: Marco de Bari)

No alto do quadro de instrumentos há duas fileiras de leds que dão uma ideia de quanto a carroceria está inclinando. Eles são na maioria verdes, mas os quatro da ponta de cada lado são vermelhos, para indicar que a inclinação está próxima do limite e a velocidade, acima do recomendado para aquela manobra.

VEJA O VÍDEO DO INCRÍVEL CARVER E DEPOIS CONTINUE LENDO:

Isso acontece quando a cabine atinge 30 graus de inclinação. Além dos leds, o sistema aciona um sinal sonoro. Mas isso é apenas uma advertência. Nessa situação, o Carver ainda consegue contornar as curvas sem dificuldade, se as condições de aderência forem boas.

Inclinação do carver

Da roda dianteira até o eixo traseiro, tudo se move. Apenas o motor fica estável em seu compartimento (Foto: Marco de Bari)

Para os dias de chuva, a fábrica recomenda andar mais devagar e limitar os movimentos da carroceria. Ao lado direito do volante, existe uma tecla que permite selecionar o modo de uso do sistema, para maior ou menor liberdade de movimentos. No modo mais livre, o DVC é bastante sensível, a ponto de um simples movimento do volante, daqueles quando o motorista retira uma das mãos da direção para mudar a marcha, ser traduzido como uma oscilação da cabine.

Após me familiarizar com o Carver, vi ao menos duas vezes os leds vermelhos acenderem e ouvi o alerta, sem que me sentisse em apuros. Mas percebi que, nessas situações-limite, o Carver tende a sair de frente como um carrinho de rolimã de três rodas (quem já pilotou um desses sabe o que estou dizendo).

Equipado com motor traseiro de 659 cm³, turboalimentado, o Carver tem 68 cv de potência e 10,2 mkgf de torque. Abaixo de 2 000 rpm, é um pouco lento, mas, depois que o turbo entra em ação, ele ganha bastante disposição. Sua agilidade no trânsito é tão surpreendente quanto o comportamento em curvas. Como pesa só 643 kg, a relação peso/potência é de 9,4 kg/cv – a mesma de um carro com pretensões esportivas como o Vectra GT, com motor 2.0 de 140 cv. Segundo a fábrica, o Carver atinge 100 km/h em 8,2 segundos e chega a 185 km/h. O consumo também é bem interessante. Ainda segundo a fábrica, o triciclo faz 14 km/l na cidade e 20 km/l na estrada.

O triciclo é minimalista. Sem assistência nos freios e muito menos ABS. Só a direção é hidráulica – sem deixar de apresentar firmeza e peso. Na cabine, o espaço não é claustrofóbico: a área envidraçada é ampla e motorista e passageiro se acomodam com conforto – embora o passageiro tenha o inconveniente de viajar de pernas abertas, como se estivesse na garupa de uma motoneta, com os pés apoiados nas laterais. A posição de dirigir é divertida. O motorista se senta como em uma minivan, com as pernas dobradas, mas em posição mais alta que o painel. Como o volante não tem a parte superior, dá para se imaginar dentro de um caça pronto para a decolagem. A alavanca do câmbio, manual de cinco marchas, fica bem perto do joelho e a do freio de mão, à frente do banco, na altura da panturrilha.

Espaço contado: maçaneta da porta de um lado e câmbio do outro

Espaço contado: maçaneta da porta de um lado e câmbio do outro (Foto: Marco de Bari)

O Carver tem apenas uma porta, mas os vidros laterais abrem dos dois lados. O cinto do motorista está ancorado na coluna direita, enquanto o do passageiro, atrás, fica na esquerda. Há porta-trecos nas laterais da cabine e no painel dianteiro.

Da lista de equipamentos, constam sistema de ventilação fria e quente, CD player e tomada 12V. O teto de lona pode ser retirado manualmente. A operação é simples: basta soltar duas presilhas dentro da cabine e dois parafusos tipo borboleta pelo lado de fora, na traseira – onde fica o porta-malas com 20 litros de capacidade.

O Carver nasceu para ser um veículo alternativo. Seu idealizador, o holandês Anton van den Brink, queria criar um transporte urbano que fosse seguro, econômico e confortável para até duas pessoas. Como o triciclo se revelou também divertido de dirigir e sua pequena produção não permitiu que seu preço fosse o de veículo alternativo, posicionou-se como modelo exótico, com preço de esportivo.

Na Europa, ele custa 38 000 euros, equivalente a 100 000 reais. O exemplar avaliado foi trazido pela empresária Laura Frison, da Frison Automóveis, que comprou o triciclo para uso próprio. “Este eu não vendo”, diz Laura. “Mas, se alguém quiser, posso trazer outros sob encomenda.” No Brasil, com todas as taxas e custos de transporte e serviços, não sai por menos de 240 000 reais. Trata-se de preço digno de automóveis de luxo, mas nenhum chega perto dele no quesito originalidade.

 

Direção bombada

Toda vez que a direção se movimenta, ela aciona uma central hidráulica, alimentada por uma bomba, que comanda a posição do eixo traseiro (direcional) e dois braços hidráulicos que controlam a inclinação da carroceria. O conjunto conta também com a ajuda de uma central eletrônica que monitora a velocidade do carro, controlando a assistência ao volante e o sistema de alerta por leds e sinais sonoros.

 

Direção hidráulica na roda dianteira

Direção hidráulica na roda dianteira (Foto: Marco de Bari)

Balança, mas não cai 

O Carver One não capota facilmente – o que seria normal em um veículo estreito e alto como ele –, porque ao inclinar a carroceria ele compensa como peso a aceleração lateral que sofre nas curvas.

A cabine deita quase totalmente para facilitar a manutenção

A cabine deita quase totalmente para facilitar a manutenção (Foto: Marco de Bari)

Veredicto

O preço do brinquedo é alto. Mas a diversão é garantida. E, como ele é equipado com um motor pequeno e econômico, você já tem uma desculpa ecológica para justificar a compra.

 

Ficha técnica

Motor: traseiro, transversal, 4 cilindros, 16V, turbo, intercooler
Cilindrada: 659 cm3
Taxa de compressão: 8,2:1
Potência: 68 cv a 6000 rpm
Torque: 10,2 mkgf a 3 200 rpm
Câmbio: manual, 5 marchas, tração traseira
Carroceria: triciclo, cabine de fibra de vidro, 1 porta, 2 lugares
Dimensões: comprimento, 340 cm; largura, 130 cm (na posição vertical), altura, 140 cm; entreeixos, 270 cm
Peso: 643 kg
Peso/potência: 9,4 kg/cv
Peso/torque: 63,1 kg/ mkgf
Porta-malas/caçamba: 20 l
Tanque: 34 l
Suspensão dianteira: braço longitudinal com amortecedor hidráulico
Suspensão traseira: Mc Pherson
Freios: discos sólidos nas 3 rodas, sem assistência
Direção: pinhão e cremalheira, hidráulica
Pneus: 140/70 R17 na frente e 195/45 R15 atrás
Equipamentos: DVC, CD player, rodas de liga, ar quente e frio e bancos de couro
O motor turbo de 659 cm3 e 68 cv dá conta dos seus 643 kg

O motor turbo de 659 cm3 e 68 cv dá conta dos seus 643 kg (Foto: Marco de Bari)

 

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7 Comentários

  1. dede

    -

    14/09/2013 às 18:27

    Expressões grosseiras e palavrões aqui estão fora de lugar, caro Dede.
    Conto com sua cooperação das próximas vezes.

  2. A Santos

    -

    03/05/2012 às 22:47

    Para o Marmo:

    triciclo, 100% eletrico

    http://www.youtube.com/watch?v=Aw2ZoDQC_5U

  3. Marmo

    -

    03/05/2012 às 18:20

    E como vc recebe sugestões ou material de leitores, se é que recebe?

    Em geral, caro Marmo, por meio de comentários feitos por eles. Que, a pedido dos leitores, não publico, a menos que não peçam. Então eu copio a dica para pesquisar e publico só minha resposta ao leitor, agradecendo.

    Se tiver alguma sugestão, é só ir em frente.

    Um abraço

  4. Alvaro

    -

    03/05/2012 às 16:39

    Bem-vindo a 2009? Não só a matéria da 4 Rodas é desse ano como, se não me engano, a empresa até já faliu (novamente, se não me engano, conforme nota na 4 Rodas de abril de 2012).

    O blog costuma publicar, aqui e ali, reportagens de revistas da Editora Abril que julgo interessantes. Você deve ser leitor novo e por isso está estranhando.

  5. Marmo

    -

    03/05/2012 às 11:04

    Incrível mas também eu – como a Kitty aí- não entraria num desses nem que ganhasse um de graça. E com todo esse avanço, continua movido a petróleo?

  6. maria luiza guião bastos

    -

    03/05/2012 às 0:21

    Adorei mas só quero……… enviar……. dividir………… e não consigo!!!!!!!!!!!!!!!!

    Obrigada, adoro entrar aqui mas subsiste este problema, não tenho orkut etc e tal, só quero dividir, acudaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!

    É facílimo, Maria Luiza. Ao clicar no post, vai aparecer lá em cima, na barra superior de seu navegador, o link que conduz a ele. Copie-o e mande por email a quem você quiser.

    Abraços

  7. Kitty

    -

    02/05/2012 às 19:38

    Olá Ricardo, como você pode imaginar que eu não intendo muito de carros, sempre penso que os homens são mais bem preparados para entender este tipo de engenhocas. Mas, apesar da minha assumida ignorância devo reconhecer que o carro-triciclo-etc.,é bem interessante e com tecnologia de ponta. Estou certíssima que terá muitos adeptos, especialmente, entre os jovens. Enquanto a mim,não subiria nele nem que me pagassem..Deus me livre!!! Mas, caro Ricardo, como novidade valeu!!! um abraço e obrigada por manter o nosso blog num constante “up-grade”///Kitty

 

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