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PP

10/03/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: O novo presidente da Comissão de Direitos Humanos é um sujeito horroroso, que já fez declarações racistas e está sendo processado no Supremo. Mas não custa lembrar: ele foi eleito pelo voto direto e secreto, de eleitores como todos nós

Marco Feliciano (PSC) não foi eleito por seu currículo, mas por seus colegas (Foto: O Globo)

Marco Feliciano (PSC) já fez declarações racistas e está sendo processado por estelionato. Não foi eleito por seu currículo, mas por seus colegas (Foto: O Globo)

Por Carlos Brickmann

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Vamos deixar de hipocrisia: claro que o deputado federal Marco Feliciano é um sujeito horroroso, que já deu declarações racistas e é processado no Supremo por estelionato. Mas não chegou sozinho à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Teve ajuda de governistas e oposicionistas.

A bancada do PSC é composta por 15 parlamentares e, portanto, não teria direito a vaga nenhuma na Comissão. Mas, numa Câmara como a nossa, cinco partidos se juntaram para quebrar o galho da legenda nanica de Feliciano.

Funcionou assim: o PT da presidente Dilma, que sempre ocupou a presidência da Comissão, resolveu trocar este cargo por outro; o PMDB do vice-presidente Michel Temer cedeu ao PSC duas vagas de titular e duas de suplente; o PSDB, que comanda a oposição (sim, formalmente existe um grupo que se intitula “oposição”) cedeu duas vagas de titular; o PP de Paulo Maluf (que apoia a presidente Dilma) cedeu uma de titular; e o PTB, o mais coerente dos partidos, já que apoia quem quer que esteja no governo, cedeu uma de suplente.

Com isso o PSC teve a possibilidade de eleger o inacreditável Marco Feliciano presidente da Comissão.

Processo por estelionato, processo por homofobia, ambos no Supremo, enviados pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Um vídeo notável, em que, como pastor, reclama do fiel que lhe deu o cartão de crédito sem a senha.

E ele ganhou o cargo assim mesmo. Mas lembremos: ele foi eleito pelo voto direto e secreto, por eleitores como nós.

Bons companheiros

Outras comissões estão presididas, hoje, por lobos em pele de cordeiro

Outras comissões estão presididas, hoje, por lobos em pele de cordeiro

Pensando bem, é injusto falar mal de Marco Feliciano apenas porque disse que os descendentes de africanos são amaldiçoados, porque disse que quem dá poucos donativos à sua igreja terá pouca retribuição do Senhor, pelas acusações (que o Supremo examina) de homofobia e estelionato.

Num local onde a folha corrida substitui o currículo, que se poderia esperar?

Vejamos outras Comissões da Câmara Federal. Para Constituição e Justiça, foram escolhidos dois condenados no caso do Mensalão, João Paulo Cunha e José Genoíno, ambos do PT.

Um dos suplentes é José Guimarães, também do PT – aquele cujo assessor foi preso no aeroporto transportando cem mil dólares na cueca. Finanças e Tributação: presidente, João Magalhães, PMDB, da Operação João de Barro. Veja no Google “João Magalhães”, “Operação João de Barro”, com 27 mil citações.

O presidente da Comissão de Meio-Ambiente é o senador Blairo Maggi, do PR. Grande agricultor, seus interesses podem conflitar com a defesa do meio-ambiente.

Mas quem está preocupado em pelo menos guardar as aparências?

20/01/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Maluf, procurado em 186 países onde será preso se desembarcar, recebe homenagens da elite política. É o fim da picada

O vice Michel Temer, pouco depois de saudar Maluf, que é cumprimentado pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ) na convenção estadual do PP

Post publicado originalmente a 30 de maio de 2011

Amigos, a coisa não aconteceu agora, foi no domingo anterior ao passado, mas nunca é tarde para exprimir uma indignação.

No caso, minha indignação com a cabulosa presença de parte da elite política brasileira na posse do deputado Paulo Maluf como presidente do PP de São Paulo.

Estavam lá, lépidos e pimpões, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o deputado mais votado do Estado nas eleições passadas, Gabriel Chalita (por enquanto no PSB, mas rumando para o PMDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD), cria política do ex-presidenciável José Serra, e um dos mais duros e implacáveis críticos de Maluf no passado, o ex-deputado tucano e hoje secretário de Energia paulista, José Aníbal – entre outros.

Ordem de captura internacional desde 2007

Amigos, não é possível! Até há pouco, Maluf era tido, visto e apontado como a encarnação do mal, como tudo o que de pior há na política. Agora, é paparicado, em nome de apoios políticos e eleitorais.

É o fim da picada: desde março do ano passado, o ex-prefeito é procurado em todo o planeta pela Interpol, a polícia internacional, e será preso se desembarcar em nada menos do que 181 países do mundo.

Sua ordem de captura foi expedida em 2007 pela Justiça de Nova York sob a acusação de conspiração, fraude e roubalheira de dinheiro público por, como prefeito (1993-197), ter entre outras coisas supostamente desviado recursos das obras da Avenida Jornalista Roberto Marinho (ex-Água Espraiada) para contas em entidades financeiras de Nova York, de onde a dinheirama teria se espalhado para a Suíça, o Reino Unido e o paraíso fiscal britânico da Ilha de Jersey, no Canal da Mancha.

A denúncia na Justiça americana é de responsabilidade do promotor de Nova York Robert Morgenthau, que trabalhou em investigação conjunta com integrantes do Ministério Público paulista desde 2001.

Onde está o pudor em confraternizar com alguém procurado pela Interpol?

Do ponto de vista jurídico estrito, Maluf não foi condenado. Mesmo assim, em minha modesta opinião, esses políticos, especialmente o governador Alckmin, deveria ter algum pudor em confraternizar com alguém que hoje só pode sair do Brasil para visitar a Coreia do Norte, os Estados Federados da Micronésia, as Ilhas Salomão, Kiribati, Palau, Tuvalu e Vanuatu – os únicos países do planeta que não são filiados à Interpol e nos quais, portanto, não vale a ordem internacional de capura de Maluf. (Ele não pode ser preso no Brasil porque o pedido é da Justiça dos Estados Unidos e o país, segundo a Constituição, não concede a extradição de seus nacionais).

O ex-prefeito, que tinha uma suíte permanente no luxuosíssimo Hotel Plaza Athenée de Paris e esteve preso durante 40 dias em 2005 numa carceragem da Polícia Federal, hoje não pode nem atravessar a fronteira em Foz do Iguaçu para dar um pulinho no Paraguai.

E, no entanto, foi enaltecido como homem público e saudado como “grande colaborador” do governo Dilma pelo vice Michel Temer, e saudado pelo governador Alckmin, que disse de sua “alegria” por ter, desde há algumas semanas, o apoio do PP na Assembleia Legislativa – negociado por ele próprio, contra indicações de Maluf para seu governo.

O que diria Mário Covas?

O mentor político de Alckmin, o falecido governador tucano Mário Covas – talvez o mais duro e implacável adversário de Maluf ao longo de sua vida pública – deve estar se revirando no túmulo com a atitude do afilhado.

Tudo de olho nas eleições municipais do ano que vem e nas presidenciais de 2014. O que não se faz, no Brasil, em nome de vencer.

Deliciado, Maluf tinha um sorriso malicioso nos lábios quando, sobre eventuais alianças, disse:

– Nós, que somos do bem, faremos coligação com quem for também do bem.

Vejam a ficha do homem “do bem” no “procura-se” da Interpol:

31/12/2012

às 14:00 \ Política & Cia

Com a história da assessora boazuda, senador ajuda a desmoralizar ainda mais o Congresso

Denise Leitão Rocha, ex-assessora do senador Ciro Nogueira (PP-PI): demitida, e, naturalmente, rumo a capas de revistas masculinas

Publicado originalmente em 19 de julho de 2012.

Bonita de ver, não?

Este post poderia conter dez, vinte ou trinta fotos de Denise Leitão Rocha, a aspirante a capa de revista, advogada e ex-assessora do senador Ciro Nogueira (PP-PI), demitida do gabinete do ilustre parlamentar depois que um vídeo da jovem de 27 anos fazendo sexo caiu na internet.

De fato, Denise, com atributos próprios e uma mãozinha de recursos desenvolvidos pela Medicina, é uma beleza para os olhos masculinos, e já há na Web incontáveis fotos suas, mais ou menos vestida, ou quase sem roupa.

Como tantas vezes aconteceu ao longo dos anos, em tantas outras ocasiões graves vividas pelo Congresso Nacional, é mais uma garota que deu um jeito de aparecer para fotógrafos e cinegrafistas da CPI do Cachoeira, na qualidade de assessora do senador, de modo a tornar-se — isso é inevitável — “o Furacão da CPI”.

Poderia também virar “musa”, como é o triste costume de tratarmos com leviandade coisas sérias “neste país”.

O senador, naturalmente, pode contratar quem quiser para seu gabinete, dentro de determinadas normas, as que regem o recrutamento de pessoas para cargos de confiança sem concurso — às quais sempre me opus como jornalista. Mas é o que dizem as regras internas do Senado.

Denise, da mesma forma, pode tatuar seu corpo, como o fez, deixar-se foografar e levar a vida particular que quiser, direito inalienável de qualquer cidadão.

O senador Ciro Nogueira, porém, é tudo menos bobo — e está cansado de saber o que acontece quando assessoras bem-dotadas como Denise se expõem no Congresso em momentos em que as atenções do país se voltam para atividades como a da CPI do Cachoeira.

O resultado é que o episódio, seja pelo alto grau de moralismo hipócrita em que ainda vivemos, seja por exageros de veículos da própria mídia, que entronizaram a advogada como “Furacão”, não ajuda em nada a imagem do Congresso, já tão desgastada.

Ah, o senador Ciro Nogueira é aquele mesmo que, quando deputado, era amigão e discípulo de Severino Cavalcanti, o deputado de tristíssima memória que renunciou ao mandato e à presidência da Câmara para não ser cassado por corrupção.

15/10/2012

às 16:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: Entre cenas do exílio e capítulos decisivos na história do país, amigo e ex-companheiro de Dirceu o vê culpado, mas como “bode expiatório” de uma “dregradação maior”

"O terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente" (Foto: veja.abril.com.br)

Publicado domingo, 14 de outubro, no Estadão

Por Flávio Tavares*

* Flávio Tavares, jornalista e escritor, foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos em 1969

Tempos atrás, na prisão da ditadura, o carcereiro o chamava de “Cabeleira” e, hoje, outra vez ele está de cabelos longos, como se voltasse ao passado.

Conheço José Dirceu há 43 anos e, nele, admiro e valorizo a coragem pessoal. A amizade começou naquele 6 de setembro de 1969 em que, sob a mira de metralhadoras, nos algemaram na Base Aérea do Galeão.

Saíamos da prisão (ele em São Paulo, eu no Rio) e nos levaram à pista para uma foto que percorreu o mundo: os presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos junto ao avião, rumo ao exílio no México. Era proibido falar, mas nos segundos em que mandaram que eu me agachasse, sussurrei: “Vamos mostrar as algemas!”  ’

O "Cabeleira", saindo detido do Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968 (Foto: AE)

E ali está ele na foto, altivo, mãos ao peito, com as algemas que a maioria escondia, mostrando que preso político não é um criminoso envergonhado do que fez, mas um dissidente que desafia quem oprime. Foi a primeira e única vez na vida que Zé Dirceu me obedeceu…

A intimidade do exílio nos aproximou. Um canal de TV convidou-me a dublar telenovelas mexicanas em português e levei junto Zé Dirceu. Eu dublava e coordenava o grupo e o designei “primeiro ator”. Dias depois, porém, ele e os demais viajaram para Cuba. Só eu permaneci no México e, assim, nem sequer nossas vozes retornaram ao Brasil, para onde não podíamos voltar.

Voltou clandestino, em 1972, e mudou de identidade

Ele, porém, desafiou a proibição. A morte era a pena imposta ao retorno dos desterrados, mas Zé voltou, clandestino, em 1972, na euforia e terror do general Medici. Treinado em guerrilha, queria aliar-se aos que combatiam a ditadura, mas na chegada a São Paulo viu que a repressão dizimava seu grupo e ele seria a próxima vítima.

Homiziou-se no oeste do Paraná e mudou de nome. Passou a ser Carlos Henrique, pacato comerciante de secos e molhados num recôndito município. Lá, casou-se e foi pai sem revelar quem era nem sequer à mulher e ao filho. A verdade significaria a morte e ele passou a ser outro.

Já não era quem era. Sacrificava a identidade para não ser sacrificado. No exílio, dizia-se que morrera como outros do “grupo Primavera”, nome do lugar de treinamento em Cuba. Com a anistia do final de 1979, voltou a ser o Zé.

Lula presidia, Zé governava. O governo obteve maioria no Congresso, e, hoje, se sabe a que preço e como

Laborioso e hábil, presidiu o PT e o tirou do atoleiro de seita fechada ou partido sindical. Mas, ao se abrir à sociedade, o PT assimilou os velhos vícios políticos, como vírus pelas veias.

Quando Lula presidente, eram de Zé Dirceu os planos e atos de governo. Lula presidia, Zé governava. Irmãos siameses, um era a extensão do outro. A simpatia ficava com Lula, as antipatias com Zé. Pródigo em metáforas esportivas, o presidente o chamava de “capitão do time”.

Mas Zé era dos poucos que não jogava bola com Lula em fins de semana na Granja do Torto. Trabalhava noutras jogadas com outras bolas. Assim, o governo obteve maioria no Congresso e, hoje, se sabe a que preço e como – subornando o PMDB, o PTB, o PP de Maluf e o PL, que hoje é PR.

“Não sabia de nada, fui traído”: Lula preferia passar por tolo do que por chefe do governo

Em 2005, no topo do escândalo, sabe-se que Lula pensou em renunciar para “não ser um novo Collor”. Outra vez a coragem de Zé Dirceu brotou como água no deserto e ele é que renunciou. Com o gesto, assumiu as responsabilidades e blindou Lula em pleno tiroteio. “Eu não sabia de nada, fui traído”, dizia Lula, admitindo o suborno quando ainda se desconheciam os detalhes.

Preferia passar por tolo do que por chefe do governo.

A montanha de páginas dos autos do processo mostram o mensalão "como um elaborado esquema de corrupção e suborno montado a partir 'da alta cúpula do governo'" (Foto: Nelson Jr. / Supremo Tribunal Federal)

Agora, as 40 mil folhas do processo no Supremo Tribunal mostram o “mensalão” como um elaborado esquema de corrupção e suborno montado a partir “da alta cúpula do governo”.

O mais alto da “alta cúpula” não é réu

Mas, o mais alto da “alta cúpula” não é réu. A não ser que o presidente fosse alienado absoluto ou pateta total, como explicar que um simples diretor de marketing do Banco do Brasil desviasse R$ 28 milhões do fundo Visanet sem autorização superior? A diretoria do banco nada percebeu? E a inspeção do Banco Central?

Não há suborno sem subornáveis e a degradação dos partidos gerou tudo. A “partidocracia” se sobrepôs à democracia. Roberto Jefferson fez a denúncia por sentir-se “lesado” ao receber só uma das cinco parcelas de R$ 4 milhões prometidas ao PTB… Com partidos transformados em balcões de negócios, o astucioso “mensalão” quebrou a oposição criando uma “base alugada” como base aliada.

A degradação chegou ao próprio PT. Numa das vezes em que estive com Zé Dirceu, após a cassação, ele me mostrou como a Polícia Federal invadira seu escritório em busca de documentos. Tarso Genro era ministro da Justiça e na disputa interna todos queriam comprometer Dirceu para tornar-se “o favorito do rei”.

Nos delitos de alto nível, os indícios constroem a prova

E as provas da fraude? Na engrenagem clandestina, oculta-se tudo. Ou alguém pensa que os corrompidos assinam recibo? Ou que João Paulo Cunha e os demais de São Paulo emitiram “nota paulista” pelo que abocanharam?

Nos delitos de alto nível, os indícios constroem a prova. Os Bancos do Brasil, Rural e BMG geraram as milionárias movimentações do esquema e daí surge tudo. Não foi sequer como no tempo de Fernando Henrique, quando a tão comentada compra de votos que permitiu a reeleição de presidente, governador e prefeito, surgiu numa manobra rápida, até hoje sem autor plenamente identificado.

Na tragédia, o terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente.

07/10/2012

às 11:40 \ Política & Cia

Planalto de olho em prefeitos da “base aliada” que apoiam candidatos da oposição, como ACM Neto em Salvador

ACM Neto, do DEM (no meio da foto), é um dos candidatos da oposição apoiados por prefeitos de partidos aliados do Planalto (Foto: oglobo.globo.com)

 

O jornalista Ilimar Franco, de O Globo, citado no blog do jornalista Ricardo Noblat, informa que dois prefeitos de capitais de partidos aliados ao governo estão sendo acompanhados com lupa pelo Palácio do Planalto: Amazonino Mendes (PDT), de Manaus, pelo apoio ao candidato do PSDB, o ex-senador e ex-líder do partido no Senado, Arthur Virgílio; e, João Henrique (PP), de Salvador, pelo apoio ao deputado ACM Neto (DEM), herdeiro do clã do falecido senador Antonio Carlos Magalhães.

27/09/2012

às 19:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: ministro Luiz Fux cria a figura da “lavagem deslavada” de dinheiro

Ministro Luiz Fux profere seu voto durante julgamento da Ação Penal 470 (Foto: Felipe Sampaio / STF)

Ministro Luiz Fux profere seu voto durante julgamento da Ação Penal 470, segue Barbosa e condena Pepistas (Foto: Felipe Sampaio / STF)

Durante o julgamento do processo criminal do mensalão, hoje, pelo Supremo tribunal Federal, o ministro Luiz Fux, visivelmente perplexo diante do descaramento manifestado por integrantes do PP e associados nas diversas ocasiões em que apanharam dinheiro do mensalão — ora pedindo para outras pessoas assinarem o recibo de controle interno do esquema antes de receber o dinheiro, ora indo buscar dinheiro vivo em agências bancárias, em caixas ou maletas, sem a intermediação de qualquer instrumento como cheque, DOC, TED ou ordem de pagamento — que, referindo-se ao crime de lavagem de dinheiro, disse e repetiu:

– Tratam-se de casos de lavagem deslavada!

14/09/2012

às 18:15 \ Política & Cia

Eleição em São Paulo: acirramento da briga entre Serra (PSDB) e Haddad (PT) parece dar como certo que o “Menino Malufinho” Russomano já está no 2º turno

Celso Russomano, José Serra e Fernando Haddad, na disputa pela prefeitura de São Paulo

Celso Russomano, José Serra e Fernando Haddad, na disputa pela prefeitura de São Paulo

O aumento de 31% para 35% nas intenções de voto do neo-tele-evangélico Celso Russomano (PRB) para as eleições à Prefeitura de São Paulo no próxiimo dia 7 e o virtual empate técnico entre os candidatos José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) apontados na pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo foi antecedida, não por acaso, no acirramento das críticas de Serra a Haddad e vice-versa na campanha pela TV, rádio e pelas ruas.

Os números, o fato de Serra e Haddad reduzirem o fogo para cima de Russomano – muito corretamente apelidado de “Menino Malufinho” graças ao patrono de quem se afastou por oportunismo — e o mero senso comum indicam que os rivais tucano e petista dão como certo que não é mais possível tirar o ex-deputado do PP do segundo turno.

05/07/2012

às 18:57 \ Política & Cia

Ricardo Noblat: “A primeira vítima da baixaria na eleição deste ano”

A deputada Rebecca Garcia, ex-candidata a prefeita de Manaus: primeira vítima de sujeiras na campanha eleitoral 2012 (Foto: Blog de Ricardo Noblat)

Ainda não foi dada a largada para a eleição municipal deste ano, mas a baixaria, disparada em silêncio, já fez sua primeira vítima – a deputada federal Rebecca Garcia (PP-AM), candidata favorita a prefeita de Manaus até o último sábado, dia 30.

O que aconteceu entre a tarde do dia 27 de junho e as primeiras horas da madrugada do dia 30 quando Rebecca reuniu a família em sua casa e, sem disfarçar o nervosismo e soluçando em alguns momentos, anunciou que desistia de concorrer à Prefeitura?

Na tarde da quarta-feira dia 27, Eduardo Braga (PMDB), ex-governador do Amazonas e líder do governo no Senado, ocupou a tribuna daquela Casa para informar a seus pares que continuaria no cargo que Dilma lhe deu e que apoiaria Rebecca para prefeita.

- Vamos seguir construindo, junto com o Governador Omar, com o povo e as bênçãos de Deus, o sucessor da nossa administração na Prefeitura de Manaus, para, sob as bênçãos de Deus, eleger a deputada Rebecca Garcia futura prefeita da cidade Manaus.

Na tarde da sexta-feira dia 29, o governador Omar Aziz (PSD), duas vezes vice-governador quando Braga se elegeu e se reelegeu governador em 2002 e 2006, anunciou que o vereador Marcel Alexandre (PMDB), indicado por Braga, seria o vice de Rebeca.

E antecipou: “Amanhã estaremos com vários partidos dando apoio a uma candidatura que nasce do entendimento de que a sensibilidade que a mulher tem pode ajudar a construir uma cidade melhor onde as pessoas possam viver com qualidade de vida”.

Aconteceu o seguinte entre as tardes de quarta e sexta-feira: Braga convocou Rebecca para uma reunião demorada. A versão mais amena do encontro diz que ele alertou Rebeca para baixarias que seriam usadas contra ela durante a campanha.

A versão mais pesada, que Braga teria mostrado a Rebeca fotografias dela na companhia do ex-vereador Ari Moutinho. Ambos são casados com outros parceiros. No ano passado, telefonemas amorosos trocados por eles foram parar na internet.

Para continuar lendo este texto, clique por favor aqui.

20/06/2012

às 16:16 \ Política & Cia

Eleições 2012: o envolvimento de Dilma será muito menor do que os aliados gostariam. Comparado com o de Lula, então…

Apoio discreto nas eleições municipais (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

Apoio discreto nas eleições municipais (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

Reproduzo nota sobre a presidente Dilma e a próxima campanha eleitoral publicada no blog Política & Economia na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros.

Também não muito perto

O envolvimento da presidente Dilma na campanha eleitoral, a favor dos aliados, deverá ser muito menor do que eles gostariam, ainda mais com a popularidade dela andando lá pelos 80%. Há pelo menos duas razões para isso :

1. A presidente quer manter uma “posição mais institucional”; [comentário do blog: postura muito, mas muito diferente do que ocorria com seu sucessor, que não saía de palanque nem fora das campanhas eleitorais -- e durante elas, então...]

2. Há muita confusão entre os aliados em várias cidades importantes e isso pode criar problemas para ela com a base partidária de apoio, quando algum partido se sentir preterido.

A presidente vai ajudar, permitindo imagens nos programas eleitorais, até gravando mensagens.

E dando ajudas indiretas, como fez esta semana ao reservar um lugar para um indicado de Maluf para o Ministério das Cidades em troca do apoio do PP malufista ao petista Fernando Haddad em SP.

Nada do engajamento do antecessor.

No segundo turno esta determinação pode mudar.

20/06/2012

às 14:00 \ Política & Cia

Refrescando a memória: veja a ficha de Maluf na Polícia Internacional e os 186 países do mundo onde o novo amigão de Lula será preso se desembarcar

A foto histórica, o "quem diria?" registrado: sorridente e feliz, Lula cumprimenta alguém que criticou durante mais de 30 anos, Paulo Maluf, sob o olhar do candidato Haddad (Foto: Folhapress)

Amigos, refrescando a memória sobre o novo grande amigo de Lula, o deputado e ex-Belzebu Paulo Maluf (PP-SP), a quem o ex-presidente homageou visitando-o em casa, em São Paulo, acompanhado de todo um séquito de figurões petistas, com a finalidade de agradecer o apoio do malufismo ao candidato do PT a prefeito da capital, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Maluf é procurado em todo o planeta desde março de 2010 pela Interpol, a Polícia Internacional, e será preso se desembarcar em nada menos do que 186 países do mundo. (Veja imagem abaixo).

Sua ordem de captura foi expedida em 2007 pela Justiça de Nova York sob a acusação de conspiração, fraude e roubalheira de dinheiro público por, como prefeito (1993-197), ter entre outras coisas supostamente desviado recursos das obras da Avenida Jornalista Roberto Marinho (ex-Água Espraiada) para contas em entidades financeiras de Nova York, de onde a dinheirama teria se espalhado para a Suíça, o Reino Unido e o paraíso fiscal britânico da Ilha de Jersey, no Canal da Mancha.

A ficha de Maluf na Interpol: ordem de busca e captura

A denúncia na Justiça americana é de responsabilidade do promotor de Nova York Robert Morgenthau, que trabalhou em investigação conjunta com integrantes do Ministério Público paulista desde 2001.

Do ponto de vista jurídico estrito, Maluf não foi condenado — até pela excelente razão de que é foragido, perante a Justiça americana. Mesmo assim, é impressionante o despudor com que seu ex-inimigo histórico Lula e o PT, em troca de 1 minuto e poucos segundos de tempo na TV, confraternizam sem problema algum com alguém que hoje só pode sair do Brasil para visitar a Coreia do Norte, os Estados Federados da Micronésia, as Ilhas Salomão, Kiribati, Palau, Tuvalu e Vanuatu – os únicos países do planeta que não são filiados à Interpol e nos quais, portanto, não vale a ordem internacional de capura de Maluf.

Tinha suíte permanente em hotel caríssimo de Paris. Hoje, não pode nem ir até o Paraguai

(Ele não pode ser preso no Brasil porque o pedido é da Justiça dos Estados Unidos e o país, segundo a Constituição, não concede a extradição de seus nacionais).

O novo aliado do lulalato, que mantinha uma suíte permanente no luxuosíssimo e caríssimo Hotel Plaza Athenée de Paris e esteve preso durante 40 dias em 2005 numa carceragem da Polícia Federal, hoje não pode nem atravessar a fronteira em Foz do Iguaçu para dar um pulinho e fazer compras de bugigangas no Paraguai.

No vastíssimo mapa do mundo, os pontos vermelhos indicam os únicos oito países em que Maluf pode desembarcar sem ir para um camburão

Se visitar qualquer dos países da lista abaixo, será preso

O neoamigo de Lula não pode desembarcar, sob risco de ser conduzido de camburão, nos seguintes 186 países:

Afeganistão, África do Sul, Albânia, Alemanha, Andorra, Angola, Antigua & Barbuda, Antilhas Holandesas, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Armênia, Aruba, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bahamas, Bahrein, Bangladesh, Barbados, Bélgica, Belize, Benin, Butão, Bielorrússia, Bolívia, Bósnia e Herzegóvina, Botswana, Brunei, Bulgária, Burkina-Faso, Burundi, Cabo Verde, Camarões, Camboja, Canadá, Catar, Cazaquistão, Chade, Cingapura, Chile, China, Colômbia, Comores, Congo, Congo, Costa Rica, Coreia do Sul, Costa do Marfim, Croácia, Cuba, Chipre, Dinamarca, Djibouti, Egito, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Equador, Eritreia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Etiópia, Fiji, Finlândia, Filipinas, França, Gabão, Gâmbia, Geórgia, Gana, Grécia, Granada, Guatemala, Guiné, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Guiana, Haiti, Holanda, Honduras, Hungria, Iêmen, Ilhas Marshall, Índia, Indonésia, Irã, Iraque, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Jamaica, Japão, Jordânia, Kuwait, Laos, Lesoto, Letônia, Líbano, Libéria, Líbia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia, Madagascar, Malásia, Malawi, Mali, Maldivas, Malta, Marrocos, Maurício, Mauritânia, México, Mianmar, Moçambique, Moldova, Mônaco, Mongólia, Montenegro, Namíbia, Nauru, Nepal, Nicarágua, Níger, Nigéria, Noruega, Nova Zelândia, Oman, Panamá, Paquistão, Papua Nova Guiné, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Quênia, Quirguistão, Reino Unido, República Centro-Africana, República Checa, República Dominicana, Romênia, Rússia, Ruanda, Sta. Lucia, St. Kitts & Nevis, St. Vincent & Granadinas, Samoa, San Marino, São Tomé & Principe, Senegal, Sérvia, Seychelles, Serra Leoa, Somália, Síria, Sri Lanka, Suazilândia, Sudão, Suécia, Suíça, Suriname, Tailândia, Tajiquistão, Tanzânia, Timor Leste, Togo, Tonga, Trinidad & Tobago, Tunísia, Turquia, Turcomenistão, Uganda, Ucrânia, Uruguai, Uzbequistão, Vaticano,Venezuela, Vietnã, Zâmbia e Zimbábue.

 

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