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PP

20/02/2015

às 0:00 \ Disseram

Só sobram dois

“O Alberto Youssef já disse que no meu partido só sobrariam dois. Eu não sei quem são os dois, mas, se eu recebi algum dinheiro, o partido não levou meu voto para o Executivo.”

Jair Bolsonaro, deputado federal, ao defender a expulsão do PP de todos os citados na Operação Lava-Jato; ele diz não saber se recebeu dinheiro do esquema

14/02/2015

às 19:00 \ Política & Cia

Ocupação do Estado foi a base do petrolão

(Charge: Giancarlo)

Petrolão: esquema de roubalheira se aproveitou da possibilidade de fazer contratos sem licitação (Charge: Giancarlo)

A explosão do número de contratos fechados sem licitação confirma a intenção criminosa do esquema, e, mesmo assim, órgãos de fiscalização nada fizeram

Editorial publicado no jornal O Globo

Entre os aspectos que se pode considerar irrefutáveis no petrolão está o da relação incestuosa entre diretores da estatal apadrinhados por políticos e partidos — PT, PP, PMDB — e um grupo de grandes empreiteiras.

Foi dessa grande conspiração contra o Erário — deve-se sempre lembrar que a Petrobras é controlada pela União — que se montou a eficiente máquina de arrecadação de propinas, financiada pelo superfaturamento de contratos assinados pelas empresas com a estatal.

O esquema se aproveitou de uma correta mudança feita durante a gestão de FH, após a quebra do monopólio da companhia, para torná-la mais ágil a fim de competir em igualdade de condições com os concorrentes privados. O governo isentou a estatal de seguir a lei de licitações aplicada ao setor público, e disso se valeu o esquema para destinar bilhões a um fechado grupo de empreiteiras, preferência retribuída na forma de propinas, em percentuais diversos — a alguns diretores, partidos e políticos, cujos nomes ainda serão revelados.

Reportagem publicada no Globo de domingo comprova a manobra: se em 2004, segundo ano do primeiro governo Lula, apenas 8% dos R$ 15,3 bilhões empenhados pela estatal foram provenientes de cartas-convite a empreiteiras, para fechar contratos sem licitação, este índice no ano seguinte chegou a 60%. Em 2009, atingiu o auge: 76,24%.

Quando os diretores de Serviços e Abastecimento, Renato Duque, apadrinhado pelo PT/José Dirceu, e Paulo Roberto Costa, indicado pelo PP, foram demitidos por Graça Foster, em 2012, o peso dos contratos originados de cartas-convite no total foi de 47,51%, tendo subido para 59,56% em 2014.

Não é simples coincidência a chegada do grupo lulopetista à estatal e o grande aumento das contratações de empreiteiras sem licitações. A liberdade de contratar fornecedores sem a burocracia da lei de licitações, como qualquer empresa privada, foi usada para “malfeitos”.

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09/02/2015

às 17:40 \ Política & Cia

Oposição espera conseguir assinaturas para CPI mista (senadores+deputados) para investigar o petrolão

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) fala a jornalistas: oposição conseguirá montar CPI para investigar o petrolão (Foto: Edison Rodrigues/Agência Senado)

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) fala a jornalistas: oposição conseguirá montar CPI para investigar o petrolão (Foto: Edison Rodrigues/Agência Senado)

Da Agência Senado

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), afirmou que já tem 19 das 27 assinaturas de senadores necessárias para instalar uma comissão parlamentar mista de inquérito sobre a Petrobras. Ele disse que espera obter 32 assinaturas, que serão colhidas nesta semana.

— Nós já temos as assinaturas. Falta apenas a coleta material, formal para que se possa ter o número necessário — afirmou o senador.

Cássio acredita que quatro assinaturas poderão vir de parlamentares da base do governo com os quais ele tem conversado. Seis seriam da bancada do PSB e as outras dos senadores Álvaro Dias (PSDB-PR), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Para  José Agripino (DEM-RN), a CPI trará resultados e terá um desfecho diferente da outra, que funcionou no Congresso durante o ano passado, porque vai ser feita com base em um relatório de delação premiada, de fatos denunciados e de provas oferecidas.

— O desfecho será diferente. A CPMI vai investigar fatos denunciados com provas e chegar às conclusões que cabe ao Congresso chegar para aplicar punições políticas da nossa responsabilidade — afirmou o senador.

Dúvidas

Já Benedito de Lira (PP-AL) ressaltou que vai manter o  posicionamento de não assinar e nem participar como membro de nenhuma CPI por acreditar que elas não trazem resultados.

— Quando são feitas em véspera de eleição, é para servir de palanque eleitoral. Fora do processo eleitoral, não há interesse de apurar a verdade — observou o senador, completando que o PP não tem posição fechada a respeito e que “cada um decide a seu modo”.

João Capiberibe (AP), contrariando a expectativa de Cunha Lima, disse que o PSB não assinará o pedido de criação de CPI por enquanto.

— Deliberamos que iríamos aguardar denúncia ou abertura de inquérito do Ministério Público envolvendo parlamentares. Preferimos aguardar a ação do MP, que nós consideramos que está fazendo um excelente trabalho — justificou o senador.

Reguffe (DF) afirmou que já assinou o pedido de instalação da CPI e defendeu maior independência de seu partido, o PDT. Ressaltou ainda considerar imprescindível investigar tudo sobre o caso e punir os culpados.

— O meu partido não deveria ter cargo no governo. Penso que o partido daria uma melhor contribuição para o país tendo uma postura de independência, sem precisar bajular “a” ou “b” — acrescentou.

01/12/2014

às 18:45 \ Política & Cia

Quase todo o PP está ligado ao petrolão, indica Youssef

Crime perfeito: em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, o doleiro Alberto Youssef relatou que as “doações legais” das empreiteiras foram a fórmula criada para esconder a propina (Foto: BG PRESS/VEJA)

Crime perfeito: em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, o doleiro Alberto Youssef relatou que as “doações legais” das empreiteiras foram a fórmula criada para esconder a propina (Foto: BG PRESS/VEJA)

Em depoimento, doleiro afirmou que “só sobram dois”, em referência à participação de integrantes da legenda no esquema de corrupção na Petrobras

De VEJA.com

O doleiro Alberto Youssef afirmou a investigadores da Operação Lava Jato que “só sobram dois no PP”, em referência ao envolvimento de políticos do partido no esquema de corrupção na Petrobras.

Youssef voltou a citar integrantes da sigla em delação premiada aos procuradores da força-tarefa que apura crimes relacionados a negócios da estatal. O doleiro é o principal acusado de lavar dinheiro desviado de contratos superfaturados da Petrobras para a legenda.

Em VEJA desta semana: A água está chegando ao pescoço

O PP tem papel de protagonista no escândalo, segundo a investigação. A força-tarefa da Lava Jato acredita que os desvios na petrolífera ocorrem há pelos menos quinze anos. Mas foi o ex-deputado José Janene (PP-PR), réu no processo do mensalão morto em 2010, quem organizou a corrupção na estatal, fazendo com que as cúpulas das siglas envolvidas fossem beneficiadas diretamente.

Nas palavras de um investigador, “Janene transformou a corrupção no varejo em esquema de organização partidária”. O modelo que ele teria criado consistia em concentrar a negociação e o pagamento de propinas num diretor, e não mais em vários agentes públicos dentro da estatal.

Em depoimentos no processo que tramita na Justiça Federal no Paraná, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro afirmaram que ao menos 1% do valor dos contratos da Diretoria de Abastecimento era repassado para o PP. A ideia teria sido copiada por PT e PMDB, os dois principais partidos da coalizão governista.

Caberá ao Supremo Tribunal Federal autorizar a investigação sobre o suposto envolvimento de autoridades com direito a foro privilegiado, como ministros de Estado e congressistas, no esquema da Petrobrás. O ministro do Supremo Teori Zavascki é o relator do processo. Os nomes dos políticos estão sendo citados em delações premiadas, cujo conteúdo integral está sob sigilo.

Com o fim da contribuição de Youssef, que prestou seu último depoimento na semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende começar a pedir as primeiras aberturas de inquérito ao STF. Para Janot, já há elementos para que a participação de políticos seja apurada.

Início – De acordo com a investigação, o esquema organizado por Janene começou em 2004 – ocasião em que o PP emplacou Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da estatal – e funcionou ao menos até março deste ano, quando a Operação Lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal. Percorreu, portanto, dois governos e três legislaturas.

Nesse período, o partido se tornou a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados, com quarenta representantes, e contou com cinco senadores. Atualmente, em bloco com o Pros, é a terceira maior força do Congresso Nacional.

Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, nos últimos dias, os investigadores da Lava Jato identificaram um homem apontado como o segundo operador do PP – além do doleiro Alberto Youssef – no esquema: Henry Hoyer de Carvalho, que já foi assessor do ex-senador e ex-líder do PMDB no Senado Ney Suassuna.

No governo Dilma Rousseff, o PP controla o Ministério das Cidades, uma das pastas de maior orçamento na Esplanada, responsável por obras de saneamento e pelo Programa Minha Casa Minha Vida. O irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, Adarico Negromonte, é um dos investigados na Lava Jato, acusado de transportar dinheiro da propina para Youssef.

Na sexta-feira, após ter a prisão temporária revogada pela Justiça, Adarico deixou a carceragem da Polícia Federal em Curitiba para responder ao processo em liberdade.

“O Congresso todo conhecia o Paulo Roberto (Costa). As evidências estão surgindo e ninguém mais pode duvidar disso”, disse à reportagem Mário Negromonte, que foi líder do partido na fase pós-Janene. Neste ano, ele se desfiliou do PP para assumir cargo de conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia.

O deputado federal reeleito Esperidião Amim (PP-SC) também avalia que o partido será atingido, mas os alvos, para ele, devem ser dirigentes antigos e não atuais da sigla.

‘Nada oficial’ – O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), não quis comentar a declaração de Youssef sobre o envolvimento do partido no esquema. Nogueira disse que, até o momento, “não há nada de oficial” que envolva parlamentares da legenda e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos.

(Com Estadão Conteúdo)

24/09/2014

às 19:20 \ Política & Cia

Em debate no RS, Ana Amélia aponta aumento brutal de gastos com diárias de funcionários pelo governo petista

Tarso (PT), segundo Ana Amélia (PP), mais do que dobrou as despesas de  (Fotos: Caco Argemi/Palácio Piratini::Camanha Ana Amélia)

Tarso (PT), segundo Ana Amélia (PP), mais do que dobrou as despesas de (Fotos: Caco Argemi/Palácio Piratini::Camanha Ana Amélia)

Durante debate dos candidatos a governador do Rio Grande do Sul que terminou na madrugada de hoje na TV Pampa, a senadora Ana Amélia (PP), que lidera as pesquisas de intenção de voto, divulgou dados mostrando que os gastos com diárias de funcionários autorizados pelo governador Tarso Genro (PT), que busca a reeleição, mesmo com as restrições orçamentárias do Estado, terão pulado de 61 milhões de reais em 2010 para 155 milhões de reais até o final deste ano.

24/09/2014

às 14:00 \ Política & Cia

VÍDEO/RIO GRANDE DO SUL: O jingle da candidata favorita ao governo do Estado, Ana Amélia (PP), em ritmo gauchesco

20/09/2014

às 18:30 \ Política & Cia

BOA NOTÍCIA PARA OS DEMOCRATAS: Governador Tarso Genro (PT), amigão do terrorista Battisti e candidato de Lula e Dilma no RS, está levando uma surra da senadora Ana Amélia (PP)

Ana Amélia (PP), crítica do lulopetismo e aliada de Ajécio Neves, e o governador Tarso Genro (PT) que, como ministro da Justiça, tudo fez para que o Brasil abrigasse o terrorista italiano Battisti (Fotos: Agência Senado::Governo do Ro Grande do Sul)

Ana Amélia (PP), crítica do lulopetismo e aliada de Ajécio Neves, e o governador Tarso Genro (PT) que, como ministro da Justiça, tudo fez para que o Brasil abrigasse o terrorista italiano Battisti (Fotos: Agência Senado::Governo do Ro Grande do Sul)

Alguns leitores desavisados que não sabem até hoje que esta é uma coluna de OPINIÃO, como tem sido desde seu início, há quatro anos, cobram “imparcialidade” ao titular. A imparcialidade e a objetividade jornalística foi algo que procurei com denodo e afinco durante décadas de carreira — como repórter, redator, editor-assistente, editor, redator-chefe e diretor de Redação.

A partir do momento em que assumi esta coluna, porém — uma coluna de OPINIÃO, de comentários sobre acontecimentos, e não de noticiário isento –, passei a expressar o que pensava sobre homens públicos, partidos políticos, instituições e governos.

E, sim, tenho claramente um lado: sou CONTRA o lulopetismo, sua conduta imoral, sua incompetência administrativa e sua tendência à hegemonia e ao totalitarismo.

O fato de ser um jornalista de OPINIÃO, porém, não me afasta um milímetro da ética, que faz, para começo de conversa, com que eu JAMAIS utilize para argumentar em meus textos opinativos fatos e dados que não sejam verdadeiros. 

Assim sendo, é com JÚBILO que registro o fato de ir muito mal nas pesquisas de intenção de voto para o governo do Rio Grande do Sul o atual governador e ex-ministro da Justiça Tarso Genro — o mesmo que concedeu “asilo político” a um terrorista condenado na Itália por quatro homicídios, como se a Itália fosse uma republiqueta de bananas que estivesse “perseguindo” politicamente a Cesare Battisti, e não um Estado de Direito onde vigoram plenamente as liberdades civis e os direitos individuais.

Tarso está, por enquanto, tomando uma lavada da senadora Ana Amélia (PP), que, embora integre um partido da base de sustentação ao governo Dilma, faz oposição ao lulopetismo e apoia o tucano Aécio Neves para a Presidência.

Leiam a matéria abaixo de VEJA.com:

Candidata do PP também lidera na simulação de segundo turno no embate contra o atual governador do Estado

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira aponta que a candidata Ana Amélia (PP) segue na liderança da disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, com 37% das intenções de voto, mesmo patamar do levantamento anterior. O atual governador, Tarso Genro (PT), oscilou de 28% para 27%, e José Ivo Sartori (PMDB) oscilou de 11% para 13%.

Vieira da Cunha (PDT) tem 3%, e Roberto Robaina (PSOL), Humberto Carvalho (PCB) e Estivalete (PRTB) não pontuaram. Brancos e nulos somaram 5% e 14% não sabem ou não responderam.

Segundo turno - Na simulação de segundo turno entre Ana Amélia e Tarso Genro, a candidata do PP tem 48% das intenções de voto ante 34% do petista. Brancos e nulos são 7% e 11% não sabem ou não responderam.

O Datafolha também aferiu a taxa de rejeição dos candidatos e mostrou Tarso Genro na frente, com 24% de rejeição, enquanto Ana Amélia tem 13% e Sartori, 6%.

O instituto entrevistou 1.300 eleitores em 50 municípios do Estado entre os dias 17 e 18 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo RS-00018/2014.

(Com Estadão Conteúdo)

15/09/2014

às 17:30 \ Política & Cia

VÍDEO: No horário eleitoral, Romário, candidato ao Senado pelo Rio, diz que quer aperfeiçoar a democracia com auxílio das redes sociais

A coluna tem procurado trazer alguns vídeos de campanha de candidatos em diferentes Estados brasileiros, como fez, mais recentemente, com a senadora Ana Amélia (PP), candidata a governadora do Rio Grande do Sul, e o senador Álvaro Dias (PSDB), candidato à reeleição pelo Paraná.

Hoje, trazemos um vídeo de campanha do ex-craque Romário, deputado federal pelo PSB e candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto para o Senado no Rio de Janeiro. Romário diz, no vídeo, que pretende aperfeiçoar a democracia com a utilização das redes sociais, e mostra como.

14/09/2014

às 13:00 \ Política & Cia

VÍDEO: Assistam a um programa eleitoral da candidata que está derrotando o PT na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul

Trata-se da senadora Ana Amélia (PP), jornalista, que até entrar na política, em 2010, havia atuado durante 33 anos como repórter e comentarista no jornal Zero Hora, na TV RBS, afiliada à Rede Globo, e na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, tanto no Rio Grande do Sul como em Brasília.

Embora filiada ao PP, partido da base de sustentação do governo Dilma, Ana Amélia faz oposição ao lulopetismo e está apoiando o tucano Aécio Neves na disputa pela Presidência.

As pesquisas de intenção de voto colocam-na à frente do governador petista Tarso Genro, que tenta a reeleição.

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01/09/2014

às 17:05 \ Política & Cia

Aqui, o PT não entra de jeito nenhum: GOIÁS, domínio do PSDB e do DEM

Ronaldo Caiado, deputado pelo DEM: o líder ruralista é o favorito para capturar a vaga do Senado no Estado (Foto: Beto Oliveira/Agência Câmara)

Ronaldo Caiado, deputado pelo DEM: o líder ruralista é o favorito para capturar a vaga do Senado por Goiás — onde o PT não tem vez (Foto: Beto Oliveira/Agência Câmara)

O Estado é o único a ter seus três senadores e o governador de partidos de oposição ao governo lulopetista. Nestas eleições, isso não deve mudar

Por Gabriel Castro, de Brasília, para VEJA.com

Nos últimos catorze anos, as eleições têm mostrado um contínuo crescimento nacional do PT, que passou de uma agremiação de força média, sem capilaridade, para um dos partidos mais poderosos do Brasil, com presença nas capitais e nos grotões. Há um lugar, entretanto, que parece ter ficado imune a essa onda: Goiás.

O Estado é a única das 27 unidades da federação onde o governador e todos os três senadores fazem oposição ao PT. O governador é Marconi Perillo (PSDB). Dois senadores são tucanos; o outro é do DEM. O cenário não deve mudar: nas eleições deste ano, Perillo caminha para a reeleição, enquanto Ronaldo Caiado (DEM) é o favorito para vencer a disputa por uma cadeira no Senado.

Na Câmara dos Deputados, apenas um dos 17 parlamentares é petista. O candidato do PT ao governo do Estado, Antonio Gomide, aparece em quarto lugar nas pesquisas, com 5% das intenções de voto. Marina Sant’anna, a petista que disputa o Senado, tem números um pouco melhores, mas a vantagem de Caiado é confortável.

O que explicaria a falta de sucesso do PT no Estado? O professor de Ciência Política Itami Campos, da Universidade Federal de Goiás, diz que o perfil socioeconômico da população explica os insucessos petistas. “O agronegócio é muito forte, e o que predomina entre os eleitores é uma mentalidade mais tradicional”, diz ele.

Hoje, 70% da população do Estado é urbana, mas as pequenas cidades são ampla maioria. Cerca de 80% dos municípios goianos têm menos de 20.000 habitantes.

Outra razão: tradicionalmente, a política goiana tem uma participação intensa de grandes fazendeiros e empresários, o que minou desde o início a possibilidade de ascensão do PT, historicamente ligado ao sindicalismo e ao funcionalismo público.

Em Goiás, o PT ainda possui o perfil eleitoral que tinha antes da chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência: o típico eleitor petista é de classe média, concentrado nas grandes cidades. Não por acaso, o partido governa os dois principais municípios do Estado: Goiânia e Anápolis. O presidente do PT goiano, Ceser Donisete, usa esses dados para afirmar que o petismo tem sua força em Goiás.

Ainda assim, o saldo das eleições municipais não é bom: o partido tem menos prefeituras do que siglas médias, como DEM, PP e PSD. E comanda apenas um terço do número de cidades administradas por PMDB e PSDB.

Donisete diz que o cenário não é permanente. “É conjuntura, mesmo. Depende do nome que é apresentado. Agora quem lidera as pesquisas para governador é o Marconi Perillo, mas dentro da aliança dele tem pelo menos cinco partidos que apoiam Dilma”, afirma. Esse dado, entretanto, só reforça as diferenças entre o cenário local e o federal.

O predomínio de políticos de centro ou de direita também causou em Goiás uma polarização curiosa: PSDB e DEM estão em lados opostos. O partido de Ronaldo Caiado, aliado ao PMDB, enfrenta os tucanos nas urnas.

Caiado diz que o perfil do eleitor goiano é naturalmente avesso às ideias petistas: “Aqui existe uma tendência mais liberal, de que o Estado deve ter funções específicas, sem muita interferência na iniciativa privada. A maioria do Estado acredita capacidade do cidadão”, afirma.

Ele havia firmado uma parceria com o então candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, até que, por exigência de Marina Silva, o acordo foi desfeito. O democrata aliou-se, então, ao PMDB do ex-governador Iris Rezende mas, em nível nacional, estará ao lado de Aécio Neves (PSDB) se ele for eleito presidente.

O PMDB local, que já foi anti-PT, chegou a se aliar aos petistas e agora se separou novamente. Rezende, o candidato da sigla ao governo, luta para reverter a vantagem de Perillo, mas a tendência é que o tucano conquiste o quarto mandato.

(CLIQUEM AQUI PARA LER ENTREVISTA DO DEPUTADO RONALDO CAIADO)

 

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