10/03/2013
às 19:00 \ Política & CiaCarlos Brickmann: O novo presidente da Comissão de Direitos Humanos é um sujeito horroroso, que já fez declarações racistas e está sendo processado no Supremo. Mas não custa lembrar: ele foi eleito pelo voto direto e secreto, de eleitores como todos nós

Marco Feliciano (PSC) já fez declarações racistas e está sendo processado por estelionato. Não foi eleito por seu currículo, mas por seus colegas (Foto: O Globo)
Por Carlos Brickmann
ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
Vamos deixar de hipocrisia: claro que o deputado federal Marco Feliciano é um sujeito horroroso, que já deu declarações racistas e é processado no Supremo por estelionato. Mas não chegou sozinho à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
Teve ajuda de governistas e oposicionistas.
A bancada do PSC é composta por 15 parlamentares e, portanto, não teria direito a vaga nenhuma na Comissão. Mas, numa Câmara como a nossa, cinco partidos se juntaram para quebrar o galho da legenda nanica de Feliciano.
Funcionou assim: o PT da presidente Dilma, que sempre ocupou a presidência da Comissão, resolveu trocar este cargo por outro; o PMDB do vice-presidente Michel Temer cedeu ao PSC duas vagas de titular e duas de suplente; o PSDB, que comanda a oposição (sim, formalmente existe um grupo que se intitula “oposição”) cedeu duas vagas de titular; o PP de Paulo Maluf (que apoia a presidente Dilma) cedeu uma de titular; e o PTB, o mais coerente dos partidos, já que apoia quem quer que esteja no governo, cedeu uma de suplente.
Com isso o PSC teve a possibilidade de eleger o inacreditável Marco Feliciano presidente da Comissão.
Processo por estelionato, processo por homofobia, ambos no Supremo, enviados pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Um vídeo notável, em que, como pastor, reclama do fiel que lhe deu o cartão de crédito sem a senha.
E ele ganhou o cargo assim mesmo. Mas lembremos: ele foi eleito pelo voto direto e secreto, por eleitores como nós.
Bons companheiros
Pensando bem, é injusto falar mal de Marco Feliciano apenas porque disse que os descendentes de africanos são amaldiçoados, porque disse que quem dá poucos donativos à sua igreja terá pouca retribuição do Senhor, pelas acusações (que o Supremo examina) de homofobia e estelionato.
Num local onde a folha corrida substitui o currículo, que se poderia esperar?
Vejamos outras Comissões da Câmara Federal. Para Constituição e Justiça, foram escolhidos dois condenados no caso do Mensalão, João Paulo Cunha e José Genoíno, ambos do PT.
Um dos suplentes é José Guimarães, também do PT – aquele cujo assessor foi preso no aeroporto transportando cem mil dólares na cueca. Finanças e Tributação: presidente, João Magalhães, PMDB, da Operação João de Barro. Veja no Google “João Magalhães”, “Operação João de Barro”, com 27 mil citações.
O presidente da Comissão de Meio-Ambiente é o senador Blairo Maggi, do PR. Grande agricultor, seus interesses podem conflitar com a defesa do meio-ambiente.
Mas quem está preocupado em pelo menos guardar as aparências?
Tags: Blairo Maggi, Comissão de Constituição e Justiça, Comissão de Direitos Humanos, Comissão de Finanças e Tributação, Comissão de Meio Ambiente, Dilma Rousseff, estelionato, homofobia, João Magalhães, João Paulo Cunha, José Genoino, José Guimarães, Marco Feliciano, mensalão, Michel Temer, Operação João de Barro, oposição, Paulo Maluf, PMDB, PP, PSC, PSDB, PT, PTB, racismo, Roberto Gurgel, Supremo Tribunal Federal











































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