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José Alencar

18/09/2014

às 19:59 \ Política & Cia

Campanha hipócrita e mentirosa do PT ataca Marina e Aécio por terem “ricos” ao lado deles. Como se pessoas bem sucedidas não pudessem querer o bem do país. Agora, se os ricos forem ligados ao PT, magicamente se tornam “bons”

(Foto: Divulgação/Campanha)

A educadora Neca Setúbal, uma das coordenadoras da campanha, e o empresário Guilherme Leal, apoiador de Marina: sob a patrulha do lulopetismo  (Foto: Divulgação)

Tal como faziam os militares durante a ditadura, o PT pretende ter o monopólio do patriotismo e de desejar o bem do país. Rico está proibido de querer ajudar o Brasil — exceto, é claro, se o rico simpatizar com o PT

Haja hipocrisia e mentira!

A campanha à reeleição da presidente Dilma (PT) e ela própria estão disparando grosso fogo de artilharia sobre a adversária Marina Silva (PSB) por sua suposta associação com “banqueiros”, chegando à barbaridade — inteiramente mentirosa — de um de seus programas do horário eleitoral afirmar, pela boca de atores, que um Banco Central independente seria entregar os destinos do país aos bancos, o que incluiria até a política externa!!!!

Pois bem, nada como números para restabelecer certas verdades. Está tudo lá, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

A campanha da “candidata dos banqueiros” recebeu de bancos e instituições financeiras, até o final de agosto, 4,5 milhões de reais em doações.

E quanto teria embolsado a campanha da brava e independente presidente que não se rendem aos famintos “donos do capital”? Bem, segundo o TSE, esses monstros tenebrosos doaram a Dima 9,5 milhões de reais — MAIS DO QUE O DOBRO DO QUE MARINA RECEBEU!!!

E passemos, agora, ao capítulo Neca Setúbal, assessora de Marina e, supostamente, “dona” do Banco Itaú.

Os jornalistas David Friedlander e Érica Fraga, da Folha de S. Paulo, prestaram um grande serviço à verdade e a um mínimo de lisura na campanha presidencial ao esclarecer, em detalhada reportagem na semana passada, quem é, o que faz e o que representa a educadora Maria Alice Setubal, a “Neca” Setubal, colaboradora da candidata do PSB à Presidência da República, objeto de cerrada, demagógica e mentirosa campanha do PT contra a ex-senadora.

A proximidade de Marina com Neca Setúbal, que é, sim, proprietária de ações do Banco Itaú, mas, como se verá, não mais do que isso, está levando os marqueteiros de Dilma a uma cerrada bateria de mentiras contra a ex-senadora, cuja proposta de tornar independente por lei o Banco Central — para que trabalhe tecnicamente, sem influência da politicagem — é atribuída a sua suposta ligação “com banqueiros”, como se a educadora fosse um deles. Neca, junto com o ex-deputado petista Maurício Rands, de Pernambuco, coordena o programa de governo do PSB.

(Ilustração: debatesculturais.com.br)

Hipocrisia: Dilma recebeu mais que o dobro que Marina Silva em doações, mas ataca a candidata do PSB como estando “nas mãos dos banqueiros” (Ilustração: debatesculturais.com.br)

Começa a reportagem dos dois jornalistas por contrariar uma bobagem que a própria Folha insistia em publicar e repetir — Neca seria “a herdeira do Banco Itaú”. Não, essa senhora de 63 anos, como um dos sete filhos do banqueiro Olavo Setubal, não apenas não é banqueira como sequer é “a herdeira” do Itaú: possui, sim, um percentual das ações controladoras do banco mas, diferentemente do que o próprio jornal informava, este percentual não é de 1,5%, mas de 0,5%.

A verdade dos fatos: os herdeiros do Itaú são muitos e, como demonstram Friedlander e Fraga, nem sequer a família Setubal tem o maior naco da holding Itaúsa, um dos grupos que controlam o Itaú-Unibanco, pois os descendentes do banqueiro Eudoro Vilela possuem 16,6% das ações, contra 11,3% dos descendentes de Olavo Setubal. Sem contar que não estão consideradas na reportagem as ações pertencentes aos quatro irmãos Moreira Salles, que eram os controladores do Unibanco até a fusão entre os dois colossos, ocorrida em 2008. Os Moreira Salles são, hoje, grandes acionistas do banco resultante.

(Foto: Ali Burafi/AFP)

Armínio Fraga é culpado de dois crimes graves, na visão do PT: além de ser rico, é filho de uma cidadã americana (Foto: Ali Burafi/AFP)

E mais: Neca é socióloga de formação, lecionou no colégio católico Santa Cruz, um dos mais renomados de São Paulo, e na Universidade Mackenzie, foi proprietária de uma escola de educação infantil e trabalha há anos com educação, cultura e projetos sociais. Não vive de dividendos provenientes de suas ações.

Só pisou na sede do banco uma única vez este ano, e foi para participar de uma reunião da Fundação Itaú, que cuida de projetos sociais e culturais do banco. Divorciada e vivendo um segundo relacionamento, ela tem três filhos, e nenhum deles integra os quadros do Itaú-Unibanco: dois trabalham na área financeira, mas em bancos concorrentes, e a filha é psicanalista.

Esclarecida quem é e o que faz Neca Setúbal — vale a pena ler a íntegra da matéria neste link, infelizmente não disponível para quem não assine a Folha ou o UOL –, vamos a algo fundamental deste texto: a postura hipócrita, safada e desonesta do PT, implícita na guerra contra Neca Setúbal e contra o grande empresário Guilherme Leal, um dos controladores da empresa de cosméticos Natura, também colaborador de Marina e seu ex-candidato a vice pelo Partido Verde em 2010. E, claro, a Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na gestão FHC, ministro da Fazenda em caso de Aécio Neves chegar ao Planalto e um riquíssimo proprietário de empresa de gestão de recursos financeiros.

(Fotos: Clayton de Souza/AE :: Reuters :: Marisa Cauduro/Folhapress)

Marta Suplicy, Lawrence Pih e Guilherme Leal: os dois primeiros podem ser ricos e ajudar o PT, mas para o lulopetismo o último não pode, não, estar ao lado de Marina Silva (Fotos: Clayton de Souza/AE :: Reuters :: Marisa Cauduro/Folhapress)

Armínio ainda é réu do crime hediondo, para o lulopetismo, de ser filho de uma cidadã dos Estados Unidos.

A postura do PT é a seguinte: se alguém é rico, não pode de forma alguma querer o bem do Brasil, ter bons propósitos, desejar a melhoria das condições do povo brasileiro. Apesar de o próprio Lula adorar o convívio com os bem nascidos ou os que a vida beneficiou com fortunas, rico é anátema absoluto para o PT: são os petistas, junto com os pobres e os oprimidos, que detêm, com exclusividade, o monopólio de bem-querer ao país e mais, o monopólio do próprio patriotismo.

Fazem tal qual os militares golpistas de 1964, que se apoderaram do Hino Nacional, da bandeira verde-amarela e se auto-consideravam os donos dos sentimentos patrióticos mais nobres. Um ou outro segmento social, eventualmente, poderia compartilhar desses valores, mas seus “donos” verdadeiros, segundo eles próprios, eram os militares.

José Alencar: empresário e bilionário, o falecido vice-presidente de Lula era, sim, para o PT, um rico "bom" (Foto: veja.abril.com.br)

José Alencar: empresário e bilionário, o falecido vice-presidente de Lula era, sim, para o PT, um rico “bom” (Foto: veja.abril.com.br)

O PT e os lulopetistas, da boca para fora, detestam os ricos — mas, NOTE-SE BEM, desde que os ricos não estejam ao lado deles! Sim, porque se um bem nascido tem o nome de solteira de Marta Teresa Smith de Vasconcellos, por exemplo (mais conhecida hoje como Marta Suplicy, senadora pelo PT de São Paulo e ministra da Cultura), com pai industrial rico, mãe pertencente à rica família Fracalanza, de tradicional indústria de prataria (seu avô materno era o dono da Metalúrgica Fracalanza), aí tudo bem.

Rico presta se é um Matarazzo Suplicy, como o ex-marido de Marta, o senador Eduardo Matarazzo Suplicy, rico pelo dois troncos familiares — o da mãe, Matarazzo, e o do pai, dono do que foi uma das grandes corretoras de valores do Brasil.

Rico, para o PT, é bom só se for como o multimilionário empresário Lawrence Pih, dono entre outras coisas do Moinho Pacífico, um dos maiores do setor trigo no Brasil, um dos primeiros empresários a financiar e a aderir ao PT, no qual exerceu cargos até finalmente desiludir-se com os despautérios do governo Dilma. Para não falar de José Alencar, o empresário bilionário do ramo têxtil que juntou-se a Lula como candidato a vice em 2002, foi reeleito em 2006 e faleceu em 2011.

Como era um “rico do PT”, a José Alencar também era concedida pelo lulopetismo, portanto, a honra de poder ser patriota, desejar o bem para o país e querer melhorar a vida dos mais pobres. Rico que apoia candidato de outra orientação ideológica, definitivamente, não está autorizado a isso.

05/09/2014

às 3:17 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Em Minas, candidato tucano encurta a distância que o separava do PT e o PSDB mira no alto percentual de indecisos

O ex-ministro Fernando PImentel (PT)     (Fotos: Divulgação das campanhas)

Fernando PImentel (PT) cresceu, mas viu encurtar a distância que o separava de Pimenta da Veiga (PSDB). Tarcísio Delgado (PSB) está fora do páreo (Fotos: Divulgação das campanhas)

O ex-ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel, do PT, continua liderando a disputa eleitoral pelo governo de Minas Gerais com 32%, segundo aponta pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, mas diminuiu de 13 para 8 pontos a distância que o separava do candidato do PSDB, o ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro Pimenta da Veiga.

Pimentel subiu 3 pontos percentuais em relação a levantamento de agosto e agora tem 32% das intenções de voto, e Pimenta pulou 8 pontos, indo de 16% para 24%. O ex-deputado e ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado, do PSB, tem apenas 3% das intenções de voto.

Minas Gerais, com o enorme contingente de 15,2 milhões de eleitores (10,6% do total brasileiro), é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, com 32 milhões (22,4%).

O levantamento do Datafolha foi realizado antes da incursão do presidenciável tucano e duas vezes governador Aécio Neves a seu Estado natal, iniciada na quinta-feira, com o objetivo de alavancar a candidatura de Pimenta. O esforço de Aécio se contra num fator que poderá virar a eleição — o percentual, considerado alto, de eleitores que ainda não têm candidato, que é de 26%. Outros 11% pretendem votar nulo ou em branco.

O que anima o PSDB mineiro e pode indicar patamar atingível por Pimenta da Veiga é o excelente desempenho na eleição para o Senado do ex-governador Antonio Anastasia, que disparou à frente com 44% das intenções de voto contra somente 12% do segundo colocado, o empresário Josué Alencar (PMDB), filho do falecido vice-presidente José Alencar.

Os tucanos de Minas costumam lembrar que o próprio Anastasia, candidato de Aécio à sua sucessão, em 2010, começou a campanha com esquálidos 3% das intenções de voto mas terminou vencendo Hélio Costa (PMDB) ainda no primeiro turno.

02/11/2013

às 18:00 \ Política & Cia

Eleições 2014: em pelo menos dez Estados, PT e PMDB, aliados no governo federal, estão se estranhando

"Os peemedebistas, ao fazer as contas, percebem claramente que tiveram muito mais força e influência com Lula quando o vice era José Alencar, do que agora que tem o vice Michel Temer instalado no Palácio do Jaburu" (Foto: Dida Sampaio / AE)

“Os peemedebistas, ao fazer as contas, percebem claramente que tiveram muito mais força e influência com Lula quando o vice era José Alencar, do que agora com o vice Michel Temer instalado no Palácio do Jaburu” (Foto: Dida Sampaio / AE)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

O ETERNO DILEMA DO PMDB – 1

Desde o fracasso do governo José Sarney, um peemedebista de eterna alma na Arena (partido de sustentação da ditadura militar), e do insucesso das candidaturas presidenciais de Ulysses Guimarães e Orestes Quércia, o PMDB abdicou de disputar a Presidência da República com candidato próprio.

A estratégia peemedebista passou a ser a de desenvolver bem nos espaços intermediários do poder na República – municípios, Estados, assembleias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado – e acumular forças para ser um parceiro imprescindível de quem estiver ocupando o Palácio do Planalto.

Assim, desde a saída de Sarney da presidência, apenas esporadicamente, e assim mesmo a muito contragosto, o PMDB militou na oposição em Brasília. E sempre atendeu prontamente ao chamado presidencial para se tornar um aliado, pouco importando quem e com quais razões.

Portanto, para o partido o que importa, de fato, não é a eleição presidencial. Ele sabe que, fortalecido no conjunto, será chamado às bodas do poder. Óbvio que há sempre um peemedebismo de grife, vaidoso, que se apega a algumas circunstâncias de mais brilho que de poder de fato. São os que querem, por exemplo, alianças para garantir ao partido a Vice-Presidência da República numa chapa provavelmente vencedora.

Não é o que pensa a maioria. A experiência atual desgastou o partido nesta linha: o fato de ter o vice Michel Temer na chapa de Dilma diminuiu a cota de poder no partido nos ministérios e órgãos públicos.

O eterno dilema do PMDB – 2

Os peemedebistas, ao fazer as contas, percebem claramente que tiveram muito mais força e influência com Lula quando o vice era José Alencar, ex-peemedebista alojado em outro partido, do que agora com o vice instalado no Palácio do Jaburu.

É este o grande drama que assola o PMDB que não faz parte da cúpula partidária: garantir a aliança nacional em detrimento dos interesses locais, que dão musculatura ao partido ou exigir do parceiro PT apoio nos Estados em nome da aliança nacional?

Os cálculos variam, mas em pelo menos dez Estados, PT e PMDB estão ameaçando se estranhar. O PMDB considera que tem candidatos mais competitivos (com o “direito sagrado” de competir) e exige que o PT o apoie. Mas, o PT nem sempre está disposto a este “sacrifício”. Sequer aceita que Dilma voe, na campanha, para outro palanque que não o do petismo.

Um caso clássico é o do Rio de Janeiro, já tão decantado: Sérgio Cabral e o peemedebismo querem o apoio à candidatura do vice-governador Pezão, mas o PT (assim assegura seu presidente, Ruy Falcão), não abre mão da candidatura do senador Lindbergh Farias.

Com mais ou menos ênfase, o problema aparece no Rio Grande do Sul, Ceará, Espírito Santo, na Bahia, no Amazonas, no Pará e em Mato Grosso do Sul, pode pipocar em Minas e está aquecido até no Maranhão, com choques com a família Sarney, donatária do Estado.

27/01/2012

às 12:02 \ Tema Livre

Raul Cutait, o médico que operou Lula, Covas e Gianecchini: “Quem deve decidir é o paciente”

Raul-Cutait

Raul Cutait: "Respeitar a vontade do paciente é algo relativamente novo na história da medicina" (Foto: Alexandre Schneider)

 

Publico hoje a entrevista de VEJA nas “Páginas Amarelas” desta semana — com o grande cirurgião paulista Raul Cutait –, realizada pela jornalista Adriana Dias Lopes, cujo título original vai abaixo.

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Raul Cutait: Quem decide é o paciente

 

O cirurgião que operou José Alencar e o ator Gianecchini diz que as decisões na medicina devem obedecer a um novo componente ético — a vontade do doente

 

Em 38 anos de profissão, o cirurgião Raul Cutait, de 61, fez cerca de 8 000 cirurgias, escreveu nove livros e publicou uma centena de artigos científicos em revistas nacionais e internacionais. Ainda assim, ele considera que continuar aprendendo e praticando a arte de ouvir os pacientes é essencial para aprimorar mais ainda suas habilidades na cirurgia digestiva, sobretudo aquelas destinadas à extração de tumores cancerígenos.

O ex-governador Mario Covas, a governadora Roseana Sarney, o ex-vice-presidente José Alencar e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram alguns de seus pacientes famosos. Cutait divide suas doze horas diárias de trabalho entre as salas de cirurgia do Hospital Sírio-Libanês, os alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e o consultório.

Até que ponto a vontade do doente deve prevalecer no processo em que o cirurgião avalia o procedimento a seguir?

A vontade do paciente deve ser levada em conta em toda e qualquer circunstância. Essa é uma tendência que começou a se estabelecer nos Estados Unidos há mais de trinta anos. O objetivo inicial era resguardar o médico de processos judiciais posteriores. Mas essa abordagem evoluiu e tornou-se um bem para o paciente e para a própria medicina.

Ser honesto sempre foi obrigação de todo profissional sério. Mas respeitar a vontade do paciente é algo relativamente novo na história das ciências médicas. Na minha opinião, a vontade do doente tem de prevalecer, seja qual for a situação. Quem decide é ele.

O ex-vice-presidente José Alencar, morto no ano passado de câncer, enfrentou cirurgias grandes e complexas, mas não escondia de ninguém que não queria ser colostomizado. Mesmo assim, o senhor realizou nele esse procedimento. O que aconteceu?

Em julho de 2009, minutos antes do início de uma cirurgia de extração de diversos tumores dos intestinos, o vice-presidente me pediu para fazer tudo o que fosse possível, com exceção da colostomia. “Prefiro morrer”, disse ele. Eu sabia que seria um procedimento complicado e que a probabilidade de a colostomia ser necessária era alta. Mesmo assim, concordei.

Durante a cirurgia, percebi que a colostomia era praticamente inevitável. Porém, guiado pela vontade expressa do paciente, decidi evitar a opção que ele temia. Estava consciente de que aquela não era a conduta ideal, mas era o que ele queria.

Depois da cirurgia, José Alencar me agradeceu por ter cumprido o que havíamos combinado antes. Quinze dias depois, tive de reoperá-lo. O procedimento temido por ele tornara-se incontornável. O vice-presidente entendeu e não se opôs mais.

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O ex-vice-presidente José de Alencar capitulou e aceitou um procedimento que de início não queria de modo algum: "a vontade de viver prevaleceu" (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Prevaleceu a gravidade da situação, e não a vontade do paciente, certo?

Eu diria que a vontade de viver prevaleceu. Minha proposta era convencê-lo a aceitar a solução que preservaria sua vida naquele momento. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

07/11/2011

às 15:03 \ Política & Cia

Ricardo Noblat: “o governo apodreceu”

"O Grito", litogravura de Edward Munch (1895)

Amigos, reproduzo excelente artigo do jornalista Ricardo Noblat, velho amigo e companheiro de redação, sobre os mecanismos podres que movimentam nossos partidos políticos. A ilustração é a mesma que ele utiliza em seu prestigioso blog.

O que o Noblat escreve é triste, mas é verdade. O título original é o que vai em negrito abaixo. Confiram:

Mau cheiro

Somente os muito ingênuos acreditam que os partidos brigam por cargos interessados em ajudar o governo a fazer o bem do país – e nada mais.

Nunca foi assim. E pelo jeito jamais será.

Os partidos ambicionam cargos para roubar. O dinheiro enche os bolsos dos seus dirigentes e financia campanhas que custam cada vez mais caro. É simples assim.

Surpreso? Não brinque.

Candidato rico pode até gastar parte do seu dinheiro para se eleger. São raros.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) talvez seja um deles. Sua fortuna cresceu 356% entre 2006 e 2010 quando governou Mato Grosso pela segunda vez consecutiva. É o rei da soja. E a soja, sabe como é…

De remediado para baixo, candidato usa o dinheiro dos outros para se eleger. E fica devendo favores que depois tenta pagar no exercício do mandato.

Emplacar um protegido em cargo de relevo é meio caminho andado para pagar o que deve e sair com lucro. Perguntem ao experiente senador José Sarney se não é…

Há uma secretária de empresa estatal da área de energia que só faz uma coisa durante o expediente: cuidar dos interesses do senador. Ora ela atende o próprio, ora algum dos filhos dele.

Antes que passe pela cabecinha de Sarney a ideia de me processar, adianto logo: tudo o que ele faz, tudo mesmo, é legal. Fui claro? Fui convincente?

Estamos conversados. Adiante.

O PT só chegou ao poder que de fato importa quando resolveu se comportar como os demais partidos. Lula cansara de perder. Então arquivou a vergonha.

Certo dia, entre 1998 e 2002, chamou José Dirceu e disse mais ou menos isto: “Só serei candidato pela quarta vez se for para ganhar. E para ganhar vale tudo”.

Valeu, por exemplo, comprar o passe do Partido Liberal (PL) de Valdemar Costa Neto por pouco mais de R$ 6 milhões. Lula assistiu à compra sentado num terraço de apartamento, em Brasília.

Parte do dinheiro para a compra foi doada pelo seu então candidato a vice, José Alencar. O apoio do PL resultou em mais tempo de televisão e de rádio para Lula. Apoio de partido vale por isso.

No primeiro mandato, Lula recusou-se a pagar o preço pedido pelo PMDB para apoiá-lo. O PMDB queria cargos, muitos cargos. E autonomia para tirar proveito deles.

Contrariando José Dirceu, Lula imaginou que poderia governar comprando apoios a cada votação importante no Congresso. O mensalão derivou disso. E deu no que deu.

(Para continuar lendo o artigo de Noblat, clique aqui).

03/04/2011

às 8:25 \ Disseram

José Alencar: “Tenho medo da desonra”

“Eu não tenho medo da morte. Tenho medo da desonra”.

José Alencar, vice-presidente do Brasil.

29/03/2011

às 17:13 \ Política & Cia

José Alencar merece respeito

Amigos, muitas vezes, em artigos de opinião, divergi do então vice-presidente José Alencar, durante o lulalato, embora respeitasse sua seriedade e coerência.

Sua rara, raríssima honestidade ao tratar publicamente a doença e a simplicidade com que, ao mesmo tempo, aceitava a inevitabilidade do que lhe sucedia sem deixar de lutar corajosamente para enfrentar uma terrível sucessão de males só fizeram aumentar o respeito que sua figura inspirava.

Lamento seu longo sofrimento e sua morte.

Leia reportagem aqui.

30/01/2011

às 15:06 \ Política & Cia

Kassab, ex-joão-ninguém na política, está prestes a trair eleitores e aliados por pura ambição pessoal

Amigos, vocês vão me desculpar a insistência no assunto, mas não dá para se conformar com a cara de pau com que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, negocia sua quase certa passagem do DEM para o PMDB, e também – como demonstraram os cochichos e sorrisinhos com Lula e Dilma na recente homenagem prestada ao vice-presidente José Alencar –, de um partido de oposição para a chamada “base de sustentação” do governo.

Kassab, embora deputado federal bem votado, era um joão-ninguém no cenário político brasileiro até que, única e exclusivamente pela aliança que há 16 anos perdura em São Paulo entre o PSDB e o DEM, foi transformado em candidato a vice na chapa do então candidato tucano a prefeito José Serra, em 2004.

Serra precisou aplacar arestas internas no PSDB para emplacar Kassab, que tinha um pé no malufismo. No fim, derrotou folgadamente a prefeita petista Marta Suplicy, que tentava a reeleição, por 3,3 milhões de votos contra 2,7 milhões – 600 mil votos mais. E Kassab foi junto.

Quanto Serra renunciou à Prefeitura, em março de 2006, a fim de disputar e vencer as eleições para o governo do Estado, Kassab assumiu a prefeitura da maior cidade brasileira. Nas eleições de 2008, com total apoio do governador, acabou sendo eleito, uma vez mais contra a ex-prefeita Marta Suplicy, com vantagem ainda maior do que a obtida por Serra quatro anos antes – 3,8 milhões contra 2,4 milhões.

Nos 9 meses em que assumiu como vice, o prefeito teve forte apoio administrativo do governador tucano Geraldo Alckmin. Depois, durante o mandato que ele próprio adquiriu nas urnas, governou em parceria com Serra, cuja administração colaborou ou mesmo assumiu grandes obras no âmbito da Prefeitura, como a reforma das Marginais dos rios Tietê e Pinheiros. O vice-governador Alberto Goldman, que sucedeu Serra para que o governador concorresse à Presidência no ano passado, manteve o mesmo diapasão.

Agora, Kassab resolveu ir embora e deixar para trás seu partido, o DEM, e o aliado PSDB.

Por qual razão seria?

Foi atraído pela “ideologia” do PMDB?

O maciço apoio do DEM, do PSDB, do PPS, do PTB e de outros partidos aliados não permitem que ele faça uma boa gestão?

A transferência acarretará algum benefício para a população de São Paulo?

Nada disso.

Kassab planeja essa transferência imoral, traindo seus eleitores e seus aliados, por pura ambição política. Quer mandar no PMDB paulista, que é magro no plano federal mas abriga uma grande rede de prefeitos no interior. Quer ocupar o vácuo deixado pela morte do ex-governador Orestes Quércia. Está de olho em uma candidatura ao governo estadual em 2014, quando certamente tentará tomar o Palácio dos Bandeirantes da aliança PSDB-DEM, que sempre o sustentou.

Kassab não está, como disse certa vez grosseiramente Lula sobre o falecido governador Leonel Brizola, pisando no pescoço da mãe para satisfazer suas ambições. Mas quase. E única e exclusivamente por ambição pessoal.

O curioso, agora, será observar a trajetória que percorrerá o patrono de Kassab no PSDB, José Serra. Que se mantém mudo como uma estátua.

25/01/2011

às 19:00 \ Política & Cia

Dilma, Temer e as liturgias do cargo

Deixando o exagerado “Vossa Excelência” para as cerimônias públicas, o vice-presidente Michel Temer, em reuniões de trabalho, reserva o respeitoso tratamento de “senhora” para a presidente Dilma Rousseff, que em geral também o chama de “senhor”, embora às vezes escape um “você”.

O antecessor de Dilma chamava o vice-presidente José Alencar, inclusive em solenidades públicas, de “você” e de “Zé”. O vice, em cerimônias públicas, dirigia-se a Lula como “senhor”, mas nas reuniões era “você” e “Lula”.

07/12/2010

às 10:03 \ Disseram

O exemplo de José Alencar

“Não posso me queixar”.

José Alencar, vice-presidente da República, aos 79 anos, internado desde o dia 23 de novembro no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar do câncer no abdômen que vem combatendo há 13 anos, e do qual já foi operado mais de uma dezena de vezes.

 

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